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Nascar: Olha a Faixa!

Pela segunda (e última) vez no ano a NASCAR chegou ao super oval de Daytona, onde foram disputadas provas das suas duas principais categorias (Monster Energy Nascar Cup Series e Xfinity Series, respectivamente).

Como já era de se esperar, e para o delírio dos torcedores, a prova de Daytona foi recheada de tocas de liderança,disputas, ultrapassagens, bandeiras amarelas e… Big Ones!!!!!

Na prova da Xfinity Series, realizada na noite de sexta feira (06/07), o vencedor foi Kyle Larson (piloto da Monster Cup), a bordo do carro número 42 da equipe Chip Ganassi.

No sábado(07/07) foi a vez da Monster Cup, onde vários dos pilotos favoritos ficaram pelo caminho, em virtude dos sucessivos Big Ones, dentre eles Brad Keselowiski, Kevin Harvick, Chase Elliot, Denny Hamlin, Ryan Blaney, KyleBusch, Joey Logano, Kurt Busch, Jimmie Johnson e etc.

 

Ao final, Erick Jones, pilotando o carro número 20 da equipe Joe Gibs, apósrealizar uma ultrapassagem sobre o atual Campeão Martin TruexJr.,faturou a sua primeira vitória na principal categoria da NASCAR carimbando o seu passaporte para os playoffs e colocando um peso extra nos ombros de Chase Elliott, que pilota o Carro número 9 da equipe de Rick Hendrick.

Disputas e emoções à parte, uma situação inusitada marcou o final da prova da Xfinity Series.

Enquanto Kyle Larson e Eliot Sadler disputavam milímetro a milímetro a vitória da prova, Justin Haley, com seu carro 21 da pequena equipe Braun Motorsportproporcionou, a poucos metros do final, uma ultrapassagem brilhante, que lhe permitiu cruzar na frente a linha de chegada.

Contudo, a sensação da vitória durou pouco para o jovem piloto e sua equipe, uma vez que esta foi imediatamente anulada, em função do mesmo ter trafegado com as rodas do lado Esquerdo do seu carro por sobre as faixas amarelas duplas e contínuas que dividem a pista da área de rolagem interna do circuito.

Sim, caro leitor, assim como nas regras de trânsitode nossopaís, as faixas amarelas contínuas não podem ser cruzadas.

É de conhecimento comum e notório que a NASCAR, em superspeedways, proíbe a utilização da parte interna da pista pelos carros, exceto em casos de problemas mecânicos, onde o carro visa ingressar nos pits, reaceleração e de realização de manobras evasivas, decorrentes de acidentes na pista.

Tal medida causou furor total nas redes sociais entre os amantes da NASCAR, sendo certo que todos eles apresentam argumentos bastante inteligentes, embasados e convincentes para sustentar seus posicionamentos.

A regra proíbe de forma expressa a utilização do circuito abaixo das faixas amarelas e foi exatamente o que fez o carro 21.

Assim, entendo eu que sob o ponto de vista objetivo da legalidade da conduta, agiu corretamente a NASCAR ao retirar a vitória de Haley enquanto este ainda realizava a sua comemoração na pista (burn out).

Porém, a discussão sobre o tema está bem longe de terminar.

Isto porque, considerada por muitos uma das categorias que mais preservam as raízes do automobilismo, a NASCAR simplesmente não deu a vitória a um piloto que cruzou a linha de chegada antes dos demais, o que, sem qualquer sombra de dúvidas, foi um verdadeiro balde de água fria para o final da festa.

Em análise das imagens do final da prova, não é difícil perceber que, por conta da intensa disputa entre os caros de Larson e Sadler, que vinham lado a lado, inexistia espaço suficiente para que Haley tentasse uma ultrapassagem com segurança, a não ser que o mesmo buscasse exatamente as medidas que resolveu adotar.

Assim, segundo a letra fria da regra, restaria ao mesmo simplesmente retirar o pé do acelerador e contentar-se com a situação de ser terceiro colocado que ocupava naquele instante.

Contudo, tal ideia contraria de morte um outro princípio basilar que a própria NASCAR protege com todas as forças, qual seja, a de que qualquer piloto deve se esforçar e se empenhar ao máximo para obter a vitória de uma prova.

No mesmo sentido, evidencia-se que o carro 21 não cruzou inteiramente as ditas faixas amarelas, a ponto de ser considerado que o piloto teria se utilizado de um atalho (dogleg) para a obtenção de sua vitória.

Resta então sopesar os valores tradicionais da proibição de utilização do circuito com aquele que da ao piloto a liberdade de conquistar sua vitória, tal qual a NASCAR faz com os bumps e os doglegs existentes em outras pistas.

Vetar que um piloto deixe de vencer por conta das limitações da pista, ao meu ver, não me parece acertado, sob o ponto de vista subjetivo da questão.

Longe de nós querer questionar as regras de uma categoria que dá certo e é admirada há quase setenta anos ininterruptos, mas resta a esta altura uma análise mais subjetiva da situação presenciada, até mesmo para que as raízes do automobilismo continuem sendo preservadas.

Fotos Nascar.com

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