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Entrevista: Gene Fireball, o mais Brasileiro dos Americanos!

Entrevista: Eugene Daniel Fireball Gentsch Junior, ou simplesmente Gene Fireball, o mais Brasileiro dos Americanos, talvez até mais Brasileiro que muitos nascidos por aqui, enquanto muitos sonham em deixar o Brasil rumo a uma vida clandestina na América, esse Californiano, filho de pais Alemães conheceu nosso país a trinta anos e a vinte e cinco se mudou definitivamente para cá fazendo o caminho inverso de muita gente.

Campeão Mundial de Motocross, passagens por categorias tops do automobilismo e apresentações que deixariam Nicolas Cage em “Motoqueiro Fantasma” envergonhado, Gene foi aos poucos conquistando seu espaço, e de uma forma bem Brasileira, cheia de obstáculos, mas todos vencidos por que como ele mesmo diz; “Sou Brasileiro e não desisto nunca”.

Gene Fireball conta com exclusividade ao Planeta Velocidade tudo sobre sua carreira no Motocross e Automobilismo, fala sobre as novidades e revela um lado seu que fala uma linguagem universal, a espiritualidade.

1 – Quem é Gene Fireball?

G.F: Gene Fireball Californiano, pais alemães, uma criação bem rígida. Mas as pessoas podem se perguntar diante de uma criação bem rígida o cara é Louco? Exatamente esse é Gene Fireball, não fumo, não uso drogas, não bebo e tenho uma vida com Deus e por onde ando prego suas palavras.

Nos Estados Unidos na minha infância joguei Baseball como a maioria dos americanos e depois me tornei piloto de Motocross, dediquei minha vida com vitórias e derrotas, altos e baixos e uma trajetória que fui para a Europa e depois vim para o Brasil.

2 – Sua carreira sempre foi em cima do Motocross e iniciou com 15 anos nos Estados Unidos, foi competir na Europa e chegou ao Brasil em 1996, conte um pouco sobre sua carreira, títulos e conquistas.

G.F: Iniciei minha carreira no Beisebol igual ao meu Pai que também jogava quando era menor e como todo americano, Eu jogava na terceira, base um esporte fantástico.

E meu tio que foi campeão de Motocross e meu Pai foi piloto de Stock Car Americano (não é a Nascar) e com isso a adrenalina da velocidade presente na família, com 15 anos comecei a correr de moto.

Com 17 anos me tornei piloto profissional e conquistei muitos títulos nos Estados Unidos, daí fui para a Europa e dela fui contratado para correr pela Equipe Amparo Racing da Honda com patrocínio da Hollywood Cigarros, onde conquistei vários títulos Hollywood SuperCross entre outros, foi muito legal. Com certeza no Brasil existem pilotos fantásticos Cassio Garcia, Eduardo Sassaki, Jorge Negrete, Chumbinho, Nivanor Bernardi já falecido. Eu ganhei e perdi, mas diverti muito.

3 – E o que te trouxe para correr no Brasil?

G.F: Eu morava em Manresa na Catalunha (ESP) e um espanhol chamado Jorge Elias chegou com algumas fotos que Eu estava com Rodney Smith, que já estava no Brasil. Eu corri com o Rodney nos Estados Unidos. Piloto fantástico. Eu estava muito bem na Europa correndo pela KTM e algumas semanas depois um senhor chamado Pedro Faus entrou em contato com o dono da KTM Europa querendo me contratar e me convidou para correr o Mundial em Campos de Jordão onde terminei na quarta colocação e o Pedro chefe do Rodney Smith me contratou para correr pela Honda no Brasil. Onde estou até hoje.

4 – Além de você ser um grande vitorioso no Motocross, você também é cantor e faz apresentações em Rodeios, conte-nos um pouco sobre este seu dom artístico.

G.F: Sobre cantar, tive a grande oportunidade de cantar com Eduardo Araújo e a Silvinha Araújo, o Eduardo é o maior representante do estilo de música Country aqui no Brasil, e a Silvinha uma das maiores cantoras soprano do mundo. Foi fantástico, fizemos muitos shows juntos, foi uma época muito boa. Eu ganhei o troféu de melhor show em Rodeios, um prêmio que é considerado o Oscar dos Rodeios. Viajamos o país inteiro, foram seis CDs gravados, DVDs, tem um CD lançado pela Paradoxx Music. Fazendo shows de música e de motocross, se machucando as vezes e trabalhando machucado em outro Rodeio. Eu fui a primeira pessoa a levar a bandeira do Brasil para dentro de um Rodeio, foi lá em Americana, nós fizemos a bandeira do Brasil com fogo no meio da arena e eu cantei dentro da bandeira em meio ao fogo.

5 – E estas apresentações com moto eram como? Você disse que sofreu algumas fraturas e se machucou um bocado, era perigoso?

G.F: Esse tipo de show eu mesmo criei, eu trouxe os saltos pra Arena, eu trouxe o fogo, passava no meio de oito a dezesseis bombas, saltava a vinte metro de altura e a setenta metros de distância, tudo isso passando dentro de uma cruz também em chamas. Acidentes, bem, eu tenho 127 fraturas, entre pinos, platina e parafusos no corpo tenho 54, eu já quebrei o rosto, os dentes, graças a Deus eu tenho um amigo fantástico que é o Marcio, meu dentista, ele anda de moto também então ele me entende, é tão louco quanto eu. O Dr Dan, era meu médico lá do Einstein, ele já me costurou, já consertou meu pé, fratura exposta no pé, foi numa corrida, eu larguei em primeiro, me derrubaram na largada, levantei em ultimo, ai na quarta volta eu já estava em sexto e um cara caiu em cima de mim e o guidão da moto dele entrou no meu pé direito e atravessou para o outro lado, eu tirei o guidão do meu pé e continuei, cheguei em segundo, era uma etapa do Supercross em Santa Catarina e eu fui campeão com a fratura exposta com osso pra fora da bota, mas foi fantástico. Eu quebrei a coluna num Rodeio em Borborema, quebrei a terceira e quarta vértebra, indo pro hospital de base la em São José do Rio Preto eu morri duas vezes na ambulância, é lógico que eles me trouxeram de volta pois estou aqui até hoje (risos). Eles falaram que eu teria menos de 10% de chance de voltar a andar. Quando eu mostrei para eles que eu era capaz, que eu estava conseguindo andar, eles disseram; “Isso é milagre”. Então eles falaram, meu, três a cinco anos pra você voltar a andar de moto, um mês e meio eu comecei a andar de moto mas eu parei porque eu já estava começando a saltar, eu era louco. Durante as cirurgias eu recebi mais de três litros de sangue, sangue brasileiro, então eu me considero um Americano Brasileiro, é por isso que eu não desisto nunca, isso é típico do brasileiro, lutar até o fim. Eu tenho muito a agradecer ao DR Fernando la de Borborema que estava na Arena naquele dia, Deus estava lá naquele dia e eu passei a perceber que quem tem Deus, tem tudo.

6 – Você passa a impressão de ser bem religioso…

G.F: Sim, é absolutamente fantástico você fazer um show de moto e ser aplaudido, cantar e ser aplaudido e você ao mesmo tempo falar de Deus e Jesus Cristo e ser da mesma forma aplaudido por milhares de pessoas, então esse humor, essa alegria e a palavra de Deus é que eu estou levando para essa nova categoria. (Gene voltará a pilotar numa nova categoria de Pick Ups que será lançada em 2019). Deus está presente em tudo na minha vida, voltando a falar do acidente, quando os médicos me disseram que eu voltaria a andar de moto de três a cinco anos, eu lembro que pensei comigo, eles não conhecem meu Deus. Eu fiquei dois dias absolutamente imóvel no hospital e lá era eu e Deus. Deus me deu meus três filhos, um de quinze anos, lindo, surfista, mora em Maresias com minha ex-mulher, tenho uma filha também já com vinte e um anos, Gabriele que mora em Balneário Camboriú tem o Rafael de seis anos que mora em Paulínia aqui em São Paulo, jogador de futebol e que será um grande piloto também. Cada um deles é um presente de Deus e é a presença de Deus em minha vida, então eu sou sim muito grato a Deus por tudo.

 7 – No automobilismo você passou duas vezes pela Fórmula Truck (hoje Copa Truck).

G.F: Meu primeiro contato indo da moto para o automobilismo foi com o Carlos Alves (Carlão), conversávamos muito, eu dizia que queria correr, aí eu fui uma vez para Interlagos, a oficina do Carlão era do lado da pista, era um dia de treinos livres, todo mundo me conhecia, sabiam quem eu era, eu vi um cara na pista andando muito rápido, de repente na reta do box, ele parou o Stock Car dele e saiu do carro xingando todo mundo. Eu falei e ai? O que aconteceu? Ele continuou xingando e gesticulando dizendo que foi pane seca, o cara era muito louco, e quem era esse louco? Era o número 72, carro patrocinado pela AXE, era o Djalma Fogaça, ele disse você é o Gene Fireball? Eu respondi que sim, ele era muito “marrento” (risos). Eu disse a ele que queria correr de caminhão e dias depois fui para Sorocaba onde fica a oficina dele para tratar dos detalhes.

8 – E como foi esta passagem pelo automobilismo e já começando pelos pesados Trucks?

G.F: Eu e o Djalma fizemos a primeira equipe oficial de Fábrica da Volvo, tive bons resultados, fiz um segundo lugar em Interlagos, um quarto lugar em Londrina, quinto em Cascavel embaixo de chuva, sem o limpador de para-brisa, recebi uma punição nessa corrida por ultrapassar em bandeira amarela, mas com a chuva e sem limpador, enfim, poderia der chegado mais a frente. Em Guaporé tive outro resultado fantástico, um terceiro lugar lá e mais um troféu. Falando em troféu, foram mais de 400 em toda minha carreira, hoje eu dou de presente, dou para instituições, é muito gratificante você poder dar uma simples camiseta ou um boné e ver que a pessoa ficou realmente feliz com aquilo. Voltando às corridas, em Caruaru, eu estava atrás do Geraldo Piquet, eu estava de Ford e o Piquet de Mercedes, eu me aproximava dele no miolo, mas na reta ele abria muito, e o Beto Napolitano estava atrás de mim, num certo momento ele encheu a minha traseira e me jogou fora da pista, eu era muito marrento e pensei, vou pegar esse cara. Depois da corrida estávamos todos no chalé que o Luciano do Valle tinha lá na praia, o Luciano estava lá, o Djalma, o Renato Martins, a Debora (Rodrigues) e o Beto Napolitano estava lá e eu fui pra cima dele, fechei a mão e fui, todo mundo falou pra eu não fazer aquilo e eu acabei não batendo, mas a vontade foi muito grande. Então chegamos em São Paulo e na saída do “S” do Senna eu mirei na lateral do caminhão do Beto (Napolitano) e enchi o caminhão dele que estou rindo até hoje, e ele olhava pra mim e dizia “você é louco” e eu dizia sim, prazer, Gene Fireball.

9 – Foi uma passagem divertida pelos caminhões…

G.F: Sim, muito, tive a oportunidade de correr com pilotos muito bons, na Ford era eu o Beto Monteiro e a amizade com o Fogaça que trago até hoje, foi uma época muito divertida.

10 – Aí você voltou para as motos?

G.F: Sim, sai dos caminhões e voltei para os shows, e fazia muitos shows, percorria o Brasil inteiro, shows para 20, 30, 40 mil pessoas, Barretos para quase 100 mil pessoas, era incrível.

11 – Mas a esta altura você já havia voltado para as duas rodas, e onde entra o Record que é seu de 48 horas andando de Kart, está até no Guiness né, o Livro dos Recordes?

G.F Sim, foi bem nesta época mesmo, eu havia voltado a fazer os shows em Rodeios e de repente eu estou passando em Nova Odessa e vi um Kartódromo, entrei lá e fui conhecer, dei umas voltas e Deus me deu a ideia. E por que eu falo tanto em Deus? Porque eu aceitei Ele e   como meu único salvador, me batizei em água e em Espírito e só tenho bênçãos até hoje. E lá fizemos os recordes de 12, 24 e 48 horas seguidas andando de Kart, quebramos o Recorde mundial, o Rodrigo e o pessoal da Kalunga Racing, as pessoas que estavam comigo, a minha esposa na época, eu e Deus, e foi fantástico, louco, mas fantástico. São momentos que eu tenho vivido aqui no Brasil, puxa, canto música country, montei em cavalos em Rodeios, com o Osmar Paiva, montei em touros com Esnar Ribeiro, estive em vários programas de televisão, pilotei um Stock Car em Guaporé no Rio Grande do Sul, com o Djalma Fogaça, pilotei o Stock Car de Carlos Cunha em Interlagos, foi muito louco, bati o caminhão Volvo em Interlagos que tem pneu voando até hoje (risos). Batidas fortes mas corridas fantásticas. Mulheres lindas que passaram por minha vida e tem passado, talvez eu não soube aproveitar, mas passaram mulheres brasileiras fantásticas em minha vida, em graças a elas, eu tenho três filhos lindos, a Gabriele, o Fireball e o Rafael. Uma vida fantástica graças as motos, sendo campeão nos EUA, na Europa e aqui no Brasil. O Kart, o Caminhão e os amigos que fiz, os Rodeios, a Equipe maravilhosa que tinha e tenho, e agora nós vamos defender uma nova categoria (Pick Up V6) e isso vai ser show, vou pilotar e cantar com a banda Texas Flood, shows de moto. E eu já falei aos companheiros da Categoria, se eu chegar em primeiro lugar, se eu terminar em décimo lugar ou se eu terminar em último lugar, meu nome ainda é Gene Fireball e eu estou com Deus 24 horas por dia.

Fotos Arquivo Pessoal Gene Fireball / Mil Milhas Brasileiras

One Response

  1. Este é fera.
    O animal das arenas de rodeios.

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