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Fórmula 1 reitera erros do passado e decepciona em Sochi.

No último domingo, dia 30/09, presenciamos, mais uma vez, uma das mais deprimentes e desmotivantes cenas que a Fórmula 1 e suas equipes vez em quando fazem questão de repetir, para desespero e decepção de seus fãs, qual seja, uma ordem de equipe expressa para a ultrapassagem de um piloto na pista.

Sim, não há melhor palavra para descrever tão grotesca imagem que não a da DECEPÇÃO.

Sinto-me traído, mais uma vez, com uma categoria que fazia o mesmo até bem pouco tempo atrás, mas que, com um voto de confiança que foi sendo dado pouco a pouco, acabamos por voltar a acompanha-la, muito mais pelo amor incondicional ao automobilismo que pelas ralas disputas de pista propriamente ditas.

Há quem diga que a primeira disputa automobilística aconteceu logo depois que o segundo carro foi construído e, desde então, em uma conceituação bastante simples, aquele que chegasse primeiro após percorrida uma certa distância previamente estipulada era o vencedor.

Desde então as regras surgiram para regular os eventos, mas sempre comprometidas com o bom e velho conceito raiz do automobilismo, que visa a competição cima de tudo.

Assim, não é difícil constatar que a grande maioria dos amantes do automobilismo o admiram em sua essência mais pura, que pode ser traduzida nas ultrapassagens brilhantes, em uma frenagem retardada, na mudança ocasional de um traçado ou até mesmo na adoção de manobras defensivas que buscam impedir que  um determinado piloto perca a posição de pista que ocupa naquele dado momento.

Um exemplo clássico do que me refiro aqui é o fabuloso e inesquecível duelo pela segunda posição entre Rene Arnoux (Renault) e Gilles Villeneuve (Ferrari), no circuito de Dijon-Prenois, na França, ocorrido no dia 1º de julho de 1979, que pode ser revisto abaixo pelo leitor do PLANETA VELOCIDADE.

Cenas como estas que empolgam a imprensa e os torcedores, a ponto das charges dos jornais franceses do dia seguinte fazerem a seguinte referência a ambos:

Na contramão de todo esse legado histórico, há muito se vê que a Fórmula 1 caminha a passos largos no sentido de se afastar da própria essência dos conceitos básicos e mais primitivos do automobilismo, a meu ver invioláveis, em decorrência da criação de normas e regras que limitam por completo a atuação dos pilotos e criam punições exageradas para atitudes de pouca importância dos competidores, ofuscando o brilho de uma categoria tida pela grande maioria como a maior e principal do automobilismo mundial.

O que vemos cada vez mais é a troca da competição, pura e simples pela adoção de atrações tecnológicas de ponta, externadas ao público pelo o uso de dispositivos, botões e apetrechos artificiais que, em verdade, nada mais representam do que a nítida confissão de que o formato adotado para as corridas está muito equivocado e que, sem eles, as disputas e ultrapassagens, já raras, jamais ocorrerão.

Nitidamente afastada de suas próprias raízes competitivas, a Fórmula 1 atual esqueceu-se de da regra básica de que um competidor inscrito deve exercer todos os esforços possíveis para obter a vitória em uma prova e, sendo assim, as ordens de equipe em sentido diverso ferem de morte um princípio básico e essencial da própria competição a motor.

Além de todo o desgaste da imagem da Fórmula 1 com tais atitudes, estamos aqui diante de uma situação ainda mais grave, qual seja, a da notória manipulação de resultados de um GP, em desrespeito ao público presente, aos patrocinadores do evento e, ainda, dos demais telespectadores do mundo todo.

Vê-se que os próprios pilotos envolvidos neste esquema de equipe, ainda no pódio, estavam nitidamente constrangidos com a situação que foram obrigados a vivenciar.

Em verdadeira oposição a charge acima apontada, do ano de 1979, o que hoje se vê são apenas memes pejorativos e de gosto duvidoso, que envergonham a categoria e o próprio automobilismo como um todo.

Em uma categoria que proíbe a divisão mais pesada de uma curva, uma pequena evasão de pista de pouco proveito para o piloto que a cometeu, um toque ocasional entre carros ou até mesmo uma disputa mais acirrada entre competidores deveria, no mínimo, promover a desclassificação imediata de ambos os pilotos envolvidos no incidente em questão, inibindo que tal situação deplorável se repita futuramente e fazendo com que este episódio lamentável sirva de exemplo para todos os demais competidores, bem como suas equipes.

Veja bem, caro leitor, não se trata aqui de uma colocação puritana ou ingênua, posto que sabemos, compreendemos e apoiamos que, em casos como o da disputa de um campeonato, uma equipe deve favorecer o piloto que possui chances reais de conquistá-lo, sob pena de permitir que o título seja colocado nas mãos de uma escuderia diversa, contudo, no caso em tela, estamos a uma certa distância da prova decisiva de 2018 e tal atitude observada em Sochi, além de prematura, não se justifica.

Contudo, não nos basta criticar a postura da direção da Fórmula 1, entendemos que nos é possível, ainda, indicar mudanças simples nas regras que possam inibir de forma natural que este episódio tão conhecido da torcida brasileira se repita e estrague mais uma vez o espetáculo.

Pode-se apontar que, além da proibição expressa no regulamento da categoria, uma simples mudança nas regras atuais seria plenamente capaz de contornar o problema, qual seja, a permissão de que os carros de uma mesma equipe possam deixar de ser idênticos, a fim de ostentar patrocínios diferenciados, como já se vê em outras categorias como a Fórmula Indy e a NASCAR.

Assim, uma inversão ordenada de posições na pista, além de proibida pelas regras desagradaria, e muito, o patrocinador do piloto ou do carro que foi ultrapassado, a ponto de ostentar a publicidade de um determinado colaborador, em detrimento da imagem do outro.

Ou seja, ainda que as equipes tentem simular uma ultrapassagem de pista, a fim de burlar o regulamento, os patrocinadores envolvidos atuariam como agentes fiscalizadores da categoria, uma vez que investem pesado para que suas marcas se sobressaiam na competição e, sendo assim, jamais iriam tolerar uma derrota premeditada.

Por fim, ouso dizer que o que se viu em Sochi não foi automobilismo, mas sim uma verdadeira peça de teatro montada pela equipe Mercedes e que, ao final, após o reabrir de todas as cortinas, não existiram os esperados aplausos.

Nos vemos em uma próxima oportunidade.

Até lá!

Alex Leonello Teixeira
Twitter: @alexleonello
Fonte: Divulgação/Internet

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