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Planeta História: John Surtees – Um ás em duas e em quatro rodas!

Planeta História: A Fórmula 1 pode até ter entrado de férias, mas o PLANETA VELOCIDADE não!

Durante o descanso dos pilotos estamos trazendo aos leitores algumas informações e curiosidades sobre a história da maior e mais importante categoria do automobilismo mundial, bem como de seus pilotos e campeões que participam ou já participaram deste circo fantástico.

Em todo esporte a motor é importantíssimo olhar para o retrovisor e o personagem escolhido para o texto de hoje foi John Surtees, campeão da fórmula 1 na temporada de 1964 e vice-campeão na de 1966.

John Norman Surtees nasceu no dia 11 de fevereiro de 1934, em Tatsfield, uma vila na Inglaterra, bem próxima a Londres.

Aos 11 anos de idade, ele trabalhava meio período como mecânico para o pai (Jack Surtees), antes de ingressar na empresa Vincent HRD para um aprendizado de engenharia.

Em 1949, apesar de ser menor de idade, ele começou a pilotar motocicletas e sua primeira corrida foi no início dos anos 1950, em uma 500cc Excelsior B14, mas ele logo mudou para um Triumph Tiger 70.

Com uma carreira de colocar inveja em qualquer competidor, Surtees conquistou nada menos do que 7 (sete) títulos mundiais em corridas de motociclismo, vencendo o campeonato das 350cc nos anos de 1958, 1959 e 1960 e, ainda o das 500cc nos anos de 1956, 1958, 1959 e 1960!

Vê-se, abaixo, uma fotografia mais recente do gigante John motocicleta italiana MV-Agusta, uma das quais se utilizou para se consagrar campeão mundial naquela modalidade de esporte a motor.

Mas sete títulos mundiais ainda não eram suficientes para Surtees.

No ano de 1960, John fez sua estreia na formula 1 no dia 29 de maio, no Grande Prêmio de Mônaco, pela equipe Lotus, com o lendário modelo 25 de motor Climax.

Naquela prova, vencida pelo legendário piloto Stirling Moss, Surtees não completou a prova com o seu Lotus de número 26, abandonando-a na volta 17.

No GP da Holanda, no ano de 1962, com o carro nº 19 da equipe Bowmaker-Yeoman Racing Team, John conquistou a primeira pole position de sua carreira na fórmula 1, na estreia do modelo Lola MKIV, contudo, mais uma vez, não conseguiu completar a prova, abandonando-a após um acidente na volta de número 8.

No ano de 1963, John Surtees migrou para a equipe Ferrari e, já no ano seguinte, no dia 02 de agosto de 1964, conquistou a sua primeira vitória na formula 1, no tradicional “inferno verde” de Nürburgring, na Alemanha, a bordo de seu carro número 7.

Naquele mesmo ano, o nosso nobre piloto ainda conquistou a vitória em mais um GP, no circuito de Monza, na Itália, no dia 06 de setembro de 1964.

Surge aqui, então, uma grande curiosidade que não pode deixar de ser revelada com detalhes aos verdadeiros amantes dos esportes a motor.

No dia 4 de outubro de 1964, no GP dos Estados Unidos, penúltima etapa daquele campeonato, realizado no famoso circuito de Whatkins Glen, Surtees e seu companheiro de equipe, Lorenzo Bandini, entraram na pista pilotando Ferraris Azuis!

Isso mesmo, nobre leitor, Azuis!

Tal situação inusitada teve como explicação o fato de Enzo Ferrari estar enfrentando sérias dificuldades para que o Automobile Club d´Italila homologasse a versão para corridas de seu 250 GT como Gran Turismo, efetuando-o apenas como um protótipo, devido ao limitado número de unidades que restariam fabricadas pela marca.

Naquela época as equipes corriam com as cores de seus países (verde para a Inglaterra, prata para a Alemanha, azul para a França, etc.) e, sendo assim, após a vitória de Surtees no GP da Itália, Enzo Ferrari jurou não mais entrar na pista com as cores de sua nação, qual seja, o vermelho tradicional que era utilizado em seus carros.

A equipe restou inscrita para aquele GP com as cores do time estadunidense da North American Racing Team (NART), de Luigi Chinetti, o que justifica o bicolor branco e azul utilizado nos carros.

Naquela ocasião, a prova foi vencida pela Lotus nº 1 de Jim Clark, tendo John Surtees cruzado a linha de chegada na segunda colocação, com uma diferença de 0,13s.

Na última etapa daquele ano, realizada no dia 25 de outubro de 1964, no autódromo Hermanos Rodriguez, no México, três pilotos chegaram com chances matemáticas de conquistar o título daquela temporada, sendo eles John Surtees (Ferrari), Jim Clark (Lotus) e Graham Hill (BRM).

A equipe Ferrari mantinha as cores azuis e brancas em seus carros e a definição do campeonato daquele ano foi dramática e emocionante, ao belo estilo do bom e velho automobilismo.

A cada volta as contas precisavam ser refeitas, pois a situação de conquista do título passava constantemente pelas mãos dos três competidores, até a bandeira quadriculada da prova.

Ao fim, Dan Gurney, da equipe Brabhan cruzou a linha de chegada na primeira posição, com John Surtees em segundo e Lorenzo Bandini em terceiro.

Com o resultado Surtees havia conquistado o campeonato mundial e tornado o primeiro campeão mundial de fórmula 1 que também já havia conquistado títulos mundiais de motociclismo.

Assim, com apenas 30 anos de idade, o jovem britânico John Surtees escrevia seu nome na história dos esportes a motor e tornava-se um grande ícone mundial.

Poucas semanas após a Ferrari ter sido campeã com as cores azul e branco, o modelo 250 GT finalmente conseguiu sua pretendida homologação e a equipe retornou ao seu vermelho tradicional da Itália, que perdura até os dias atuais

No ano de 1965 foi praticamente dominado pela Lotus de Jim Clark que, após obter nada menos do que 6 vitórias naquela temporada (das 10 possíveis), contra 2 de Graham Hill (BRM), 1 de Jackie Stewart (BRM) e 1 de Richie Ginther (Honda).

Em 24 de setembro daquele ano, Surtees passou por um grande susto, quando uma peça da suspensão do carro que testava no circuito de Mosport Park, no Canadá, um Lola T-70, quebrou em plena reta, provocando um grave acidente e causando-lhe múltiplos ferimentos.

Surtees não obteve vitórias naquela temporada e Jim Clark conquistou o seu segundo título mundial na fórmula 1.

Em 1966, os carros da equipe Ferrari se apresentaram bem melhores que os da temporada anterior e, já em sua segunda etapa, no circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica, ocorrido no dia 12 de junho, Surtees conquistou mais uma vitória na F1, a bordo com o seu carro de número 6, seguido por Jochen Rindt e Lorenzo Bandini.

Contudo, ao contrário do que se poderia esperar, após vencer a mencionada prova da Bélgica, Surtees se desentendeu seriamente com Enzo Ferrari e, afirmando não estar mais suportando o excesso de pressão em seu time, deixou-o, mudando-se para equipe Cooper, com a qual ainda venceu o GP do México naquela temporada.

Ainda assim, por conta da mudança de equipe, o campeonato de 1966, ficou aberto para o terceiro título mundial de Jack Brabham, tendo Surtees conquistado o vice-campeonato.

Em 1967, John aceitou o convite para desenvolver os carros da equipe Honda, onde, com o modelo RA300, venceu o GP da Itália daquele ano, disputado no dia 10 de setembro, no circuito de Monza, terminando o campeonato na 4ª colocação.

John ainda conseguiu a pole position do GP da Itália, no ano de 1968 sem, contudo, obter vitórias naquele campeonato.

Nosso piloto transferiu-se para a equipe BRM no ano de 1969, com a qual competiu, sem vitórias, até meados do campeonato de 1970.

Isto porque, a partir da 7ª etapa, no GP da Grã-Bretanha, no circuito de Brands Hatch, realizado no dia 18 de julho de  1970 (mesma prova em que Emerson Fittipaldi estreou na categoria), John passou a correr pela equipe que ele mesmo montou, a Team Surtees, com a qual competiu até o final de 1972.

A carreira de John Surtees, como piloto da Fórmula 1, encerrou-se no dia 10 de setembro de 1972, após sua participação no GP da Itália, no circuito de Monza, o qual abandonou na volta de número 20, devido a problemas mecânicos em seu carro.

Mas John estava longe de deixar a categoria, uma vez que permaneceu junto a mesma, como chefe de sua equipe, até o ano de 1978.

Vale acrescentar que o brasileiro José Carlos Pace foi piloto titular da Team Surtees do início da temporada de 1973 até a metade da de 1974.

Luiz Pereira Bueno, outro piloto brasileiro, também disputou o GP do Brasil de 1973 com um carro alugado da equipe de John Surtees.

Uma vez aposentado, eram constantes os encontros e homenagens ao nosso ídolo, dentre elas a que se deu no circuito de Brands Hatch, nos dias 24 e 25 de maio de 1981, que restou conhecido como Surtees day.

Mesmo oficialmente fora da formula 1, sua presença nas provas ocorria por diversas vezes e, com o passar do tempo, Surtees acabou adquirindo o carinhoso apelido de “big John”.

Surtees passou a administrar uma loja de motocicletas e, ainda, uma concessionária de carros da Honda, ambas na Inglaterra.

Da mesma forma, John continuou seu envolvimento em motociclismo, participando de eventos clássicos com motocicletas e de corridas vintage.

No ano de 1996, John foi introduzido no Hall da fama internacional do automobilismo.

Ele também permaneceu envolvido em carros de corrida monopostos, onde  ocupou o cargo de presidente do A1 Team Great Britain , na série de corridas A1 Grand Prix , entre os anos de 2005 e 2007.

Uma tragédia para o nosso ídolo ocorreu no ano de 2009, mais precisamente no dia 19 de julho de 2009, onde seu filho, de apenas 18 anos (Henry Surtees) envolveu-se em um acidente na etapa de Brands Hatch de Fórmula 2 que acabou por custar a sua vida.

Naquela ocasião, um acidente o piloto Jack Clarke colidiu com um muro e teve a roda traseira arrancada do carro. O objeto foi arremessado para o alto e atingiu Henry na cabeça, fazendo com que o mesmo, por conta da violência do impacto, perdesse a consciência, sofrendo também um acidente.

Henry foi retirado do carro inconsciente e levado ao hospital, morrendo em seguida.

Após o trágico episódio, John e sua família criaram a Fundação Henry Surtees, para auxiliar pessoas com danos físicos ou cerebrais.

Fora das pistas, John, membro da Ordem do Império Britânico, foi nomeado oficial da Ordem do Império Britânico em 2005 e, ao fim, Comandante do Império Britânico em 2016, tendo em vista os serviços prestados pelo mesmo em ambos os esportes a motor que atuou com sucesso pelo mundo, representando o seu país.

Assim, John Surtees recebeu uma das mais altas honrarias de seu país, tornando-se Sir.

Sua presença era constante e rotineira nas pistas não só de seu país como de todo o mundo, onde as honrarias e as devidas homenagens lhe eram prestadas não só nas provas de automobilismo…

… como também nas de motociclismo, como se vê:

Sir. John Norman Surtees, infelizmente, faleceu no dia 10 de março de 2017, aos 83 anos de idade, ao lado de sua esposa (Jane) e suas duas filhas (Leonora e Edwina), em Londres, na Inglaterra, em decorrência de dificuldades respiratórias, mas deixou saudades e um grande legado não só para os pilotos da atualidade, como também para todos os aficionados por automobilismo, como todos nós.

Este certamente não será o nosso último encontro, pois brevemente estaremos trazendo mais novidades e curiosidades sobre o fantástico mundo do automobilismo.

Até lá!

Alex Leonello Teixeira
Twitter: @alexleonello
Fonte: Divulgação/Internet

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