Planeta História

Planeta História: Niki Lauda – O tricampeão que driblou a morte.

A imprensa especializada de todo o mundo noticiou o grave problema de saúde que vinha sendo enfrentado pelo ex-piloto de fórmula 1, Niki Lauda, mas será que todos realmente o conhecem?

Sendo assim, esta é mais uma excelente oportunidade para trazer aos nossos leitores algumas informações e curiosidades sobre a história da maior e mais importante categoria do automobilismo mundial, bem como de seus pilotos e campeões que participam ou já participaram deste fabuloso evento.

Como já mencionei anteriormente é muito importante olhar para os retrovisores em qualquer disputa em esportes a motor e o personagem escolhido para o texto de hoje foi Niki Lauda, tricampeão mundial da fórmula 1 nas temporadas de 1975, 1977 e 1984.

Andreas Nikolaus Lauda, carinhosamente conhecido como “Niki Lauda”, nasceu em Viena, capital da Áustria, no dia 22 de fevereiro de 1949.

Filho de Ernst-Peter Lauda e Elisabeth Lauda, nosso tricampeão possuía uma família abastada e se interessou pelo automobilismo em decorrência do amor que possuía pelos automóveis.

Lauda começou a participar de provas de automobilismo em abril de 1968, quando se inscreveu em uma corrida de subida na cidade de Linz e, a bordo de um Mini Cooper, completou a prova na segunda colocação.

Em que pese a insistência de seu pai para que deixasse as corridas, Lauda competiu novamente duas semanas depois e, para a surpresa geral, venceu sua primeira corrida.

No ano de 1969, enfrentando novos desafios e buscando maior aprendizado, passou a correr em monopostos, disputando a fórmula Vee, onde se destacou no “inferno verde” de Nuburbring.

Em seguida, passou a disputar a fórmula 3, onde viajava a Europa em um trailer de corridas, transportando o seu carro até o ano de 1971, quando então se transferiu para a fórmula 2.

Com uma carreira meteórica, Niki Lauda estreou na Fórmula 1 no dia 15 de agosto de 1971, no Grande Prêmio da Áustria, seu país natal, no circuito de Österreichring (hoje Red Bull Ring) , pilotando um carro da equipe March-Ford modelo 711.

Com problemas mecânicos, Lauda abandonou o primeiro GP de sua carreira na Fórmula 1 na volta de número 20, devido a problemas mecânicos em seu carro.

Aquela seria a única aparição de Lauda naquele ano, contudo, em que pese quebra que se deu em sua estreia, este ainda conquistou uma vaga como piloto oficial (pagante) pela própria equipe March no ano de 1972, como companheiro de nada menos que Ronnie Peterson.

Naquele mesmo ano, visando adquirir maior experiência, participou das corridas de fórmula 2 enquanto disputava o campeonato mundial de fórmula 1.

Pagando suas corridas mediante empréstimos bancários, por não possuir o apoio dos pais, sem marcar pontos naquela temporada e tendo como melhor resultado uma 7ª colocação no GP da África do Sul daquele ano, Lauda não teve o início de carreira que esperava e, mediante a obtenção de novos empréstimos bancários, comprou uma vaga na equipe BRM para o ano de 1973.

Infelizmente, a BRM já enfrentava uma forte decadência e nosso campeão não conseguiu apresentar resultados expressivos naquele ano, contando como seu melhor resultado um 5º lugar no GP da Bélgica, realizado no dia 20/05/1973, no circuito de Zolder.

As coisas realmente pareciam que não iriam mudar para Lauda, mas sua sorte começou a mudar naquele mesmo campeonato, em decorrência da amizade que possuía com seu companheiro de equipe, o suíço Gianclaudio Regazzoni, conhecido como Clay Regazzoni.

Isto porque, Regazzoni havia recebido um convite de Enzo Ferrari para pilotar um de seus carros na temporada de 1974 e, obviamente, o aceitou, deixando a equipe BRM.

O Comendador queria uma equipe forte, uma vez que amargava um jejum de títulos desde o ano de 1964, com John Surtees, cuja matéria completa o PLANETA VELOCIDADE já exibiu e que pode ser revista através do link http://planetavelocidade.com.br/historia-john-surtees-um-az-em-duas-e-em-quatro-rodas/#.W24F15Nv_IU.

Assim, uma vez contratado, Clay falou sobre o grande talento Lauda ao próprio Enzo e o convenceu sobre sua contratação como segundo piloto da equipe Ferrari.

É claro que nosso campeão aceitou o convite e, graças ao dinheiro que recebeu, Lauda conseguiu quitar as dívidas com que ainda possuía com sua antiga equipe BRM.

Desde então, a carreira do grande Niki Lauda começou a decolar!

Sua temporada de 1974 começou com um segundo lugar em sua prova de estreia, na Argentina, no dia 13 de janeiro; um abandono por quebra de motor no GP do Brasil (vencido por Emerson Fittipaldi), no dia 27 de janeiro; e, ainda um novo abandono no GP da África do Sul, no dia 30 de março.

Já em sua quarta corrida pela equipe italiana, no GP da Espanha, realizado no dia 28 de abril de 1974, Niki Lauda conquista a sua primeira vitória na fórmula 1, com seu companheiro de equipe Clay Regazzoni em segundo e Emerson Fittipaldi em terceiro lugar.

Naquela temporada, Lauda ainda venceria o GP da Holanda, em nova dobradinha com seu companheiro de equipe e com o brasileiro Emerson Fittipaldi mais uma vez na terceira colocação.

Contudo, com vários abandonos de prova, o título mundial daquele ano era mesmo de Emerson Fittipaldi que, naquela altura e com a equipe Mclaren, se tornava bicampeão (o primeiro título foi em 1972, pela equipe Lotus).

No campeonato de 1975, Niki Lauda voou e venceu nada menos do que 5 corridas (Mônaco, Bélgica, Suécia, França e Estados Unidos), das quais 4 delas largou na pole position, enquanto seu companheiro de equipe, Clay Regazzoni, não conquistou nenhum triunfo.

A disputa pelo campeonato de pilotos daquele ano foi acirrada e o principal adversário de Lauda naquela temporada foi o brasileiro Emerson Fittipaldi, que chegou a conquistar 2 vitórias (GP Argentina e GP da Grã-Bretanha) e 4 segundos lugares durante o ano, a bordo de sua Mclaren.

Cumpre aqui um breve parêntesis automobilístico para lembrar que o GP do Brasil daquele ano foi vencido por nosso piloto José Carlos Pace, o moco, a bordo do carro nº 8 da equipe Brabham.

Contudo, em que pese a disputa Lauda foi perfeito e só não pontuou em duas etapas daquele ano (GP Espanha e GP da Grã-Bretanha), atingindo uma marca de 64,5 pontos ao final, contra os 45 conquistados por Emerson Fittipaldi, o vice-campeão.

Assim, Niki Lauda conquista seu primeiro campeonato mundial de fórmula 1, no ano de 1975, tirando a equipe Ferrari de um jejum de títulos que perdurava por onze anos.

Já no início do campeonato de 1976, Lauda se mostrava novamente um competidor muito forte e promissor para a conquista de um novo campeonato mundial, ainda naquele ano.

Contudo, aquele campeonato estava na iminência a vivenciar uma rivalidade ímpar entre dois grandes pilotos de equipes diferentes, além de uma forte e verdadeira história de competição, dor, superação e de amor intenso pelo automobilismo.

Esta rivalidade foi protagonizada por dois pilotos brilhantes, mas com estilos e personalidades absolutamente distintas, quais sejam, Niki Lauda (Ferrari) e o britânico James Hunt (Mclaren).

Aquela temporada de 1976 iniciou-se com duas vitórias seguidas de Niki Lauda, nos GPs do Brasil e da África do Sul, nos dias 25 de janeiro e 6 de março daquele ano.

Hunt ameaça uma reação e vence a etapa da Espanha, no dia 02 de maio e o da França, no dia 04 de julho.

Mas Lauda era superior e venceu ainda na Bélgica (16/05), em Mônaco (30/05) e na Grã-Bretanha (18/07), mantendo-se firme na liderança do campeonato.

Ocorre que, no dia 01 de agosto de 1976, no GP da Alemanha, no “inferno verde” de Nürburgring, tudo estava prestes a mudar, e não era para melhor.

Vale a pena explicar as circunstâncias em que se deram os fatos que passarei a narrar, até mesmo para que nossos leitores entendam com perfeição o que será narrado.

O GP da Alemanha era disputado no traçado integral do circuito de Nürburgring que, por sua vez, conta com 22.835 metros de extensão e já havia passado por reformas no ano de 1970, devido a falta de segurança da pista.

Metódico, Lauda calculava os riscos que corria em um carro de fórmula 1, assim como as chances que tinha de morrer em um acidente durante a disputa de uma determinada prova, não aceitando que os mesmos pudessem ser aumentados, sob qualquer circunstância.

Naquela ocasião, especificamente, já havia manifestado sua insatisfação com as condições de segurança da pista, principalmente depois que a chuva começou a cair no local.

James Hunt havia cravado a pole position para aquela corrida e Niki Lauda classificou-se logo depois, na segunda posição do grid.

Assim, ante as condições adversas de clima e de pista, Lauda reuniu pilotos, equipes, comissários e organizadores, a fim de postular o cancelamento do GP da Alemanha daquele ano, por temer pelas consequências e possuir convicção de que os riscos que seriam enfrentados seriam muito superiores aos habituais para aquela época.

Como era de se esperar, Niki foi voto vencido e todos os demais optaram pela realização da prova e, ainda, pela manutenção da bandeira verde nos moldes do que havia sido inicialmente planejado.

E assim foi dada a largada.

Já no final da primeira volta, vários pilotos entraram nos boxes para retirar os pneus de chuva e colocar os slicks de pista seca, acreditando na melhora das condições de pista, inclusive Lauda.

Na segunda volta, um possível problema na suspensão traseira da Ferrari que Niki pilotava veio a perder o controle e bateu forte em um guard-rail existente no local, provocando um incêndio no carro e, ainda, fazendo com que o mesmo retornasse para a pista, sendo atingido em cheio pelos competidores Harald Ertl, da equipe Hesketh e Brett Lunger da Team Surtees.

Imediatamente uma bandeira vermelha foi acionada e nosso campeão estava literalmente preso no interior de uma Ferrari em chamas.

Harald Ertl e Brett Lunger desceram de seus carros e passaram a tentar ajudar Lauda, sendo fato que Arturo Merzario, da equipe Wolf-Williams e que vinha logo atrás, fez o mesmo.

Os demais competidores pararam a metros do acidente e aguardavam, atônitos, respostas e notícias sobre o acontecido, uma vez que, até então, nenhum campeão havia morrido em uma corrida, o que só veio a acontecer com Ayrton Senna, no ano de 1994.

Lauda recebeu seus primeiros socorros ainda na pista e, além de ter inalado gases extremamente tóxicos, possuía queimaduras e fraturas, sendo transferido de helicóptero para um hospital em seguida.

A prova foi retomada cerca de uma hora depois e foi vencida por James Hunt, com Jody Scheckter (Tyrrel) chegando na segunda colocação e Jochen Mass (Mclaren) em terceiro.

Desde então, o traçado de Nürburgring onde Lauda se acidentou e que foi apelidado por Jackie Stewart como “inferno verde” nunca mais foi utilizado em uma corrida de fórmula 1.

Mas o drama de Niki Lauda ainda estava longe de acabar.

Hospitalizado, seu estado de saúde era tão delicado e preocupante que Lauda chegou a receber o sacramento da extrema unção.

Contudo, pouco tempo depois, Niki saiu do coma e finalmente recuperou a consciência, onde se percebeu que seu cérebro não havia sido afetado pelo acidente e, sendo assim, após a continuidade de seu tratamento, seu quadro passou a ser estável e os médicos deixaram de temer por sua vida.

Emerson Fittipaldi, então piloto da Copersucar, foi convidado por Enzo Ferrari para assumir o posto de Lauda durante a sua ausência, mas recusou, tendo o mesmo sido preenchido pelo piloto argentino Carlos Reutemann que nem chegou a guiar, ante a surpreendente recuperação de Niki.

Enquanto Lauda se recuperava no hospital, James Hunt recuperou os pontos que possuía de desvantagem para Lauda no campeonato, vencendo, além do já mencionado e no GP da Alemanha, o da Holanda, em 29/08, e, ainda, conquistando um 4º lugar no GP da Áustria, realizado no dia 15/08.

Com uma recuperação impressionante, Lauda, para a surpresa de todos, retornou para as pistas já no GP da Itália, no circuito de Monza, apenas 41 dias após o horrível acidente que sofreu, bastante lesionado, mas vivo.

Naquela oportunidade, durante uma coletiva à imprensa, Lauda foi absurdamente questionado sobre sua aparência após o acidente e indagado sobre o amor que sua esposa ainda poderia ter por ele, em decorrência do que aconteceu. Indignado e ofendido, nosso campeão deu por encerrada a entrevista e se retirou imediatamente do local.

Aquela prova restou vencida pela March de Ronnie Peterson. Hunt abandonou na volta nº 11 e Niki conquistou uma honrosa 4ª colocação, depois de todos os graves problemas pelos quais havia passado.

James Hunt ainda venceu as duas provas restantes, realizadas no Canadá e nos Estados Unidos, enquanto Lauda chegou em oitavo e terceiro, respectivamente.

A decisão daquele campeonato ficou para a última corrida, a ser realizada no circuito de Fuji, no Japão e a diferença entre os dois pilotos era de apenas 3 pontos, a favor de Niki Lauda.

Hunt largou do 2º posto no grid, e Lauda imediatamente depois, na 3ª colocação.

Contudo, as condições do clima eram péssimas, fazia frio, havia nevoeiro e chovia muito naquela ocasião, tal qual aconteceu durante o GP da Alemanha em que Lauda sofreu o grave acidente que aqui narrado.

A prova chegou a ser atrasada pelos organizadores, após protestos dos pilotos, porém, ao fim, a decisão final foi a de que a corrida deveria ser iniciada, causando um grande descontentamento em vários competidores, inclusive Lauda.

Uma vez acionada a bandeira verde, diversos pilotos optaram por parar nos boxes e abandonar a prova, como forma de protesto contra a decisão que manteve a realização da prova naquela data e, dentre eles, estava Niki que, ao fim, declarou que sua vida valia muito mais que um título.

Ao final, a prova restou vencida pela Lotus de Mario Andretti, com James Hunt, que havia continuado, chegando na terceira posição, marcando 4 pontos e vencendo o campeonato mundial de fórmula 1 do ano de 1976 por apenas um ponto de diferença sobre Lauda.

A atitude de Lauda em deixar a pista e abandonar a prova durante uma condição de disputa de campeonato abalou muito as relações do mesmo com Enzo Ferrari.

A fantástica história desta rivalidade e da busca pelo título do campeonato mundial de fórmula 1 no ano de 1976 foi enredo do filme Rush, do ano de 2013 que, muito embora tenha sido romantizado para o cinema e contenha vários mitos, é uma boa referência para os mais aficionados por velocidade e pelo mundo da fórmula 1.

No ano de 1977, Lauda retorna as pistas como piloto oficial da Ferrari e seu companheiro de equipe passou a ser o argentino Carlos Reutemann.

Extremamente competitivo, Lauda possuía como seus principais rivais daquele ano o sul-africano Jody Schecketer, da equipe Wolf e o italiano naturalizado estadunidense, Mario Andretti, do time da Lotus.

Vencendo 3 provas naquele ano (África do Sul, Alemanha e Holanda), Lauda foi um piloto muito regular durante toda a temporada, o que garantiu que o mesmo, ao final, conquistasse o seu segundo título mundial na fórmula 1.

Na temporada de 1978 da fórmula 1, Lauda é substituído pelo canadense Gilles Villeneuve e deixa a Ferrari para assumir um lugar como piloto oficial da equipe Brabham, onde passou a ser companheiro do britânico John Watson.

Embora ainda tenha conquistado duas vitórias naquele ano (GP da Suécia e GP da Itália), Niki pagou pelos muitos abandonos que sofreu, terminando o campeonato apenas na 4ª colocação.

Ainda na equipe Brabham durante a temporada de 1979, Lauda, sem vitórias, conseguiu completar apenas duas provas naquela temporada (África do Sul e Itália) e, desmotivado, nosso campeão opta por se aposentar e deixar a fórmula 1.

A partir de então Niki passou a ser comentarista esportivo de uma TV austríaca e, ainda a se dedicar a sua companhia de aviação que havia fundado, chamada de Lauda Air.

Contudo, seus negócios não iam muito bem e, após uma proposta da equipe Mclaren, Lauda retorna ao circo da maior categoria do automobilismo mundial, após 2 anos de afastamento, na temporada de 1982.

Tendo novamente como companheiro de equipe o britânico John Watson, Nili Lauda, naquela temporada, consegue vencer duas provas, sendo a primeira nos Estados Unidos, em Long Beach, no dia 4 de abril, e a segunda na Inglaterra, no circuito de Silverstone, no dia 18 de julho, contudo, diante dos diversos abandonos que surgiram em seu caminho, conseguiu apenas terminar o campeonato de pilotos na modesta 5ª colocação.

Durante a temporada de 1983, a Mclaren adotou e passou a evoluir o novo motor TAG-Porsche, mas os resultados não foram nada satisfatórios, uma vez que, embora Watson tenha conquistado o GP dos Estados Unidos naquele ano, Lauda não obteve nenhuma vitória e só terminou o campeonato de pilotos na 10ª colocação e com apenas 4 provas completadas dentro da zona de pontos.

As coisas começam a mudar novamente no ano de 1984, com a chegada do francês Alain Prost a equipe, no lugar de Watson, bem como com a melhora dos motores TAG-Porsche.

A relação entre a dupla de pilotos era muito boa, em que pese a rivalidade que os mesmos demonstravam possuir na pista.

Das 16 provas disputadas naquela temporada, a Mclaren venceu nada menos do que 12, sendo 7 de Alain Prost contra 5 triunfos de Niki Lauda, sendo que nosso campeão era bem mais regular e havia chegado nada menos do que 4 vezes na segunda colocação.

Como todo bom campeonato, a disputa do título entre ambos os pilotos ficou para a última prova, realizada no circuito de Estoril, em Portugal, no dia 21 de outubro de 1984.

Foi uma disputa intensa durante as 70 voltas do GP e a taça daquele ano trocava de mãos durante todo o decorrer da prova.

Por fim, Prost liderava a corrida, enquanto Lauda disputava com Nigel Mansell a segunda colocação que, pouco depois, acabou por ser conquistada após um problema de freios enfrentado pelo leão, que o levou a uma rodada.

Prost venceu a prova, com Lauda em segundo lugar e nosso ainda jovem Ayrton Senna em terceiro.

Com este resultado, Lauda se tornava tricampeão mundial de fórmula 1 (o único a conquistar títulos pelas equipes Ferrari e Mclaren), diante de uma diferença de apenas 0,5 (meio) ponto de vantagem para o francês Alain Prost (72 contra 71,5).

Caro leitor, cabe aqui uma consideração que, muito embora seja conhecida por muitos, não deve deixar de ser mencionada.

Tal consideração, que poderia ter mudado o resultado deste campeonato e, como consequência, a história da fórmula se dá a partir do que aconteceu durante o GP de Mônaco daquele ano, no dia 03 de junho de 1984.

Chovia torrencialmente no principado de Mônaco e as condições de pista não eram das mais favoráveis.

Vários pilotos foram se acidentando pelo caminho, dentre eles Andrea De Cesaris, Patrick Tambay, Derek Wawick, Nigel Mansell, etc.

Contudo, um jovem piloto de apenas 24 anos que havia largado na 13ª posição do grid e que estava apenas em sua sexta aparição na fórmula 1, vinha voando baixo na pista, a bordo do carro nº 19 da pequena equipe Tolleman – Hart.  Seu nome era Ayrton Senna da Silva.

Senna, além de herdar posições de pilotos que estavam a sua frente e que se acidentavam, ultrapassou vários pilotos na pista, dentre eles Niki Lauda (por fora), que veio a abandonar a prova pouco depois.

Ao fim, restaram Alain Prost na primeira posição e Ayrton Senna em segundo, com o brasileiro diminuindo a diferença de forma assustadora volta após volta, fazendo com que a ultrapassem fosse apenas uma questão de tempo.

Contudo, na 32ª volta da corrida (das 76 previstas), o ex-piloto belga Jacky Ickx, diretor daquela corrida, em conjunto com o francês Jean-Marie Balestre, dirigente da fórmula 1, decidiram encerrar a prova antes de serem completados 75% das voltas programadas.

Com esta decisão, Alain Prost acabou por vencer a prova, com Senna em segundo e René Arnoux em terceiro.

Em que pese a vitória antecipada na pista, e por conta do fato de não terem sido completadas ao menos 75% das voltas previstas para aquela etapa, os pontos dos primeiros colocados foram distribuídos aos mesmos apenas pela metade.

Nestes termos, Alain Prost marcou apenas 4,5, ao invés dos 9 previstos para a primeira colocação, e Ayrton Senna marcou 3.

Surge então o desfecho para o parêntesis que abri nestes relatos sobre a história de Niki Lauda.

Caso a corrida tivesse continuado, ainda que Senna ultrapassasse Prost, este último teria somado 6 pontos (ao invés dos 4,5 que lhe foi dado pela vitória antecipada) e, sendo assim, como o campeonato foi decidido a favor de Niki Lauda com uma diferença de apenas 0,5 ponto, Alain Prost poderia ter conquistado o seu primeiro campeonato, em seu ano de estreia da Mclaren.

Apenas meras suposições que merecem os pensamentos dos mais apaixonados pelo mundo dos esportes a motor…

Retomando o tema principal, Lauda retornou para a temporada de 1985 na equipe Mclaren, ao lado do mesmo companheiro de equipe Alain Prost.

Ao contrário do que se poderia imaginar, a Mclaren daquele ano optou por privilegiar Alain Prost e, depois de vários abandonos e tendo completado apenas 3 provas naquela temporada, com uma única vitória (GP da Holanda), Lauda termina o campeonato de pilotos apenas na 10ª posição, enquanto seu companheiro de equipe conquistava o seu primeiro título mundial.

Assumindo uma grande desmotivação, Lauda, mais uma vez deixa a fórmula 1 no final da temporada de 1985, sendo substituído na Mclaren pelo campeão mundial de 1982, Keke Rosberg.

Em toda a sua carreira na principal categoria do automobilismo mundial Lauda disputou 177 provas, obteve 25 vitórias, 24 pole positions, 24 melhores voltas, 419,5 pontos e 3 títulos.

Fora das pistas, no ano de 1986, Lauda lançou sua autobiografia, intitulada como “Meine Story”, também nomeada como To Hell and Back.

Niki ainda permaneceu por um bom tempo afastado da fórmula 1, cuidando de seus negócios, até que, no ano de 1993, retornou como consultor técnico da equipe Ferrari.

Em 2001 aceitou o convite da equipe Jaguar para se tornar Diretor Técnico da equipe, contudo, ante a ausência de resultados expressivos, deixou o posto no ano de 2003

Surge aqui mais uma grande curiosidade.

Lauda, após comparar a fórmula 1 de sua época com os carros da era mais recente, havia feito uma declaração pública dizendo que qualquer macaco conseguiria guiar um carro daqueles.

Tentando provar que estava correto em suas afirmativas, Niki, no dia 13 de janeiro de 2002, subiu a bordo do carro do piloto titular Pedro de La Rosa e foi para a pista, no circuito de Valência.

O resultado não foi dos mais excepcionais, e Niki rodou duas vezes em apenas 3 voltas, mas saiu maravilhado com os avanços tecnológicos dos novos carros, fazendo inúmeras comparações de câmbio, direção, suspensão e demais partes dos carros com os quais costumava correr em sua época.

Ao fim, Lauda ainda mencionou “macaco diz, macaco faz”!

Ainda assim, foi de grande alegria ter novamente a alegria de rever um grande talento como o de Niki Lauda a bordo de um carro de fórmula 1.

No período compreendido entre os anos de 1995 e 2011 Lauda atuou ativamente como um respeitado comentarista esportivo da rede de TV alemã e austríaca RTL.

Em setembro do ano de 2012, Lauda foi nomeado presidente não executivo da equipe Mercedes, onde participou, inclusive, das negociações que levaram ao ingresso do piloto Lewis Hamilton, no final daquele mesmo ano, ocupando o mesmo até os dias atuais.

No ano de 2016, quarenta anos após a disputa do título mundial no campeonato de 1976, entre Niki e James, o mundo reviu um duelo entre um Lauda e um Hunt, na NASCAR Euro Series, por meio de seus filhos, Mathias Lauda e Freddie Hunt.

Era presença constante nas pistas da fórmula 1 e querido por muitos pilotos, não só da atualidade, como também ídolos do passado.

Despertando, em alguns deles, inclusive, sentimentos de apreço mais evidentes, como se viu com o nosso sempre querido e espirituoso tricampeão (1981, 1983 e 1987) Nelson Piquet.

Sempre mesmo!

Como se tudo não bastasse, Lauda continuou investindo no ramo da aviação e, no ano de 2003, fundou a Low-Cost Niki que, por sua vez, encerrou suas atividades no final do ano de 2017.

No final do mês de julho de 2018, após uma forte gripe, Niki Lauda foi internado no Hospital Geral de Viena, na Áustria com um quadro de saúde gravíssimo, onde foi necessária a submissão do mesmo a um transplante de pulmões.

Tal notícia foi, inclusive, divulgada pelo site do PLANETA VELOCIDADE, através do nosso querido amigo Regii Silva, através do link http://planetavelocidade.com.br/formula-1-quadro-de-saude-de-niki-lauda-permanece-inalterado/#.W4LJG5Nv_IU.

Felizmente, o quadro de saúde de nosso tricampeão se reverteu e o mesmo apresentou grandes melhoras, já fala e treina respiração com seus novos pulmões e está fora de perigo, segundo informações médicas prestadas.

O quadro médico e as demais novidades sobre a recuperação de Niki Lauda e continuarão sendo acompanhadas de perto por nossa equipe e divulgadas após confirmação. Fique ligado.

Ainda assim, tal situação revela nosso tricampeão, para a alegria de todos os amantes do automobilismo, driblando a morte por mais uma vez.

Este foi apenas mais um de nossos encontros, pois brevemente estaremos trazendo mais novidades e curiosidades sobre o fantástico mundo do automobilismo.

Até lá!

 

Alex Leonello Teixeira
Twitter: @alexleonello
Fonte: Divulgação/Internet

 

 

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