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PLANETA HISTÓRIA: COPERSUCAR – O sonho brasileiro na Fórmula 1.

PLANETA HISTÓRIA: Em que pese o fato de muitos terem visto ou ao menos ouvido falar sobre a existência de uma equipe 100% brasileira na fórmula 1, é bem provável que os torcedores mais jovens ou menos experientes ainda se espantem e se interessem por esta lembrança tão bonita e gratificante de nosso país, junto a principal categoria do automobilismo mundial.

Sendo assim, é com orgulho que o PLANETA VELOCIDADE passa a falar sobre o tema e apresentar aos nossos leitores a grande Copersucar, ou melhor, Copersucar Fittipaldi!

Antes, porém, devemos voltar um pouco no tempo, a fim de que fique claro ao leitor todos os fatos e as circunstâncias desta belíssima história que está prestes a ser narrada.

Como o próprio nome acima já pode sugerir, resta impossível falar desta equipe sem mencionar o nome de nosso grande pioneiro junto ao automobilismo mundial, Emerson Fittipaldi.

O ano era o de 1973 e Emerson, já era campeão do mundo pela equipe Lotus, em 1972, e piloto titular da equipe McLaren, em busca de seu segundo título na fórmula 1 que, ao final, acabou por ser conquistado no campeonato do ano de 1974.

Outro personagem nada menos importante nesta história é o irmão mais velho de Emerson, Wilson Fittipaldi Júnior (Wilsinho), que já havia participado de algumas corridas na Fórmula 1 pela equipe Brabham, nos anos de 1972 e 1973 e destacou-se no cenário do automobilismo nacional, guiando principalmente em provas da Stock Car brasileira, por vários anos consecutivos.

Aliás, pode-se dizer que o primeiro passo dado para essa grande iniciativa veio do próprio Wilson Fittipaldi, ao constatar que, muito embora estivesse levando grandes somas de dinheiro para o exterior, oriundos de patrocinadores para a equipe Brabham, o carro que lhe era dado em troca, para participar das corridas, não era nada competitivo, causando-lhe uma enorme insatisfação após ter completado, de forma frustrada, as suas duas primeiras temporadas da Fórmula 1.

Dava-se aí o primeiro passo para a realização do sonho da criação da primeira equipe brasileira a disputar o campeonato mundial da principal categoria do automobilismo mundial, onde se buscaria a captação das verbas e dos patrocínios nacionais que já estavam disponíveis e/ou daqueles que possuíssem interesse em participar.

Feito isso, surge então um novo grande nome desta trama fascinante, o do Engenheiro Aeronáutico paulista Ricardo Divila, então com 28 anos de idade e formado pela FEI – Faculdade de Engenharia Industrial de São Bernardo do Campo – SP, velho conhecido dos irmãos Fittipaldi desde a década de 1960, em decorrência de seu notório amor pelas corridas.

Convidado pela dupla em questão, Divila aceitou o encargo e passou, inicialmente, a produzir a lápis os seus primeiros esboços daquilo que, após muitos quilos de papel vegetal, um dia seria batizado como FD-01, onde as siglas “F” e “D” representavam os sobrenomes dos irmãos Fittipaldi e do próprio Divila.

Cabe aqui acrescentar que o time ainda contou com a ajuda dos mecânicos Darci Medeiros e Yoshiatsu Itoh.

Superada esta fase, iniciou-se a da construção e montagem do protótipo, acompanhada de testes em túnel de vento no Centro Técnico Aeroespacial da Aeronáutica de São José dos Campos -SP, com o apoio da Embraer, coisa ainda pouco comum naquela época.

Os motores escolhidos para o carro foram os ingleses da Ford Cosworth V8 DFV de 3.0 litros que, além de equipar a maioria dos carros da Fórmula 1 daquela época, eram produzidos em série e, sendo assim, custavam bem menos que os demais, barateando os custos do carro e da equipe.

Como era quase um padrão naquela época, a caixa de câmbio era da Hewland, os pneus da Goodyear e os componentes de frenagem a disco eram fornecidos pela empresa Varga.

Em que pese o fato da burocracia prejudicar o andamento do projeto, a influência e o prestígio dos irmãos Fittipaldi conquistaram o apoio da Copersucar, uma cooperativa paulista de produtores de açúcar que não só ofertou patrocínio, como também deu oficialmente o seu próprio nome à equipe que, como dito, passaria a se chamar Copersucar-Fittipaldi.

Além de tudo isso, foram várias e várias horas de testes de pista do carro, sob as mais diversas condições que, ao fim, acabou por sugerir que o mesmo realmente pudesse ser veloz em situações de treino e de corridas na fórmula 1.

No final do ano de 1974, época em que Emerson conquistava o seu segundo campeonato mundial e após muito trabalho, o carro finalmente ficou pronto e ganhou um grande evento para a sua apresentação em Brasília, realizado no dia 16 de outubro de 1974, que contou, inclusive, com a presença do então Presidente da República, General Ernesto Geisel.

O carro era simplesmente lindo, possuindo o desenho de um beija-flor colorido da Copersucar, que se destacava em harmonia com o cinza metálico aplicado como pintura de fundo daquele modelo FD01.

As manchetes jornalísticas do dia seguinte noticiavam com euforia o evento, que já havia ganhado enorme repercussão nacional, de forma extremamente positiva.

No dia 12 de janeiro de 1975, no GP da Argentina, o sonho brasileiro na Fórmula 1 se tornou realidade e Wilson Fittipaldi entrou na pista a bordo do carro 30 da equipe brazuca, largando na 23ª posição do grid e, naquela prova vencida por Emerson Fittipaldi, o nosso Copersucar abandonou a prova na volta 12, em decorrência de um forte acidente que causou a explosão do mesmo e o destruiu por completo, sem danos ao piloto, felizmente.

Tal situação obrigou a equipe a reconstruir o carro por inteiro, a tempo do mesmo poder participar do GP Brasil, em Interlagos, que ocorreria apenas duas semanas depois daquele acidente.

Contudo, no dia 26 de janeiro daquele mesmo ano, o carro número 30 da Copersucar, modelo FD02, estava lá, ocupando a 21ª posição no grid de largada daquele GP Brasil que marcaria para sempre a história do automobilismo nacional, uma vez que a disputa foi vencida em nossa terra por José Carlos Pace, o “Moco”, com Emerson Fittipaldi na segunda colocação, em uma épica dobradinha verde-amarela.

Wilson Fittipaldi, com a Copersucar, cruza a linha de chegada apenas na 13ª posição.

Ainda embasado no FD01, o modelo FD03 da equipe estreou no GP da Holanda daquele mesmo ano, realizado no circuito de Zandovoort, no dia 22/06.

Outro forte acidente que envolveu o carro da Copersucar-Fittipaldi naquele ano aconteceu no GP da Inglaterra, realizado no dia 19 de julho de 1975, no circuito de Silverstone, quando, na volta 56, doze carros se envolveram em uma grande colisão provocada pelo mau tempo, dentre eles vários líderes e também o nosso bólido.

Vale dizer que o resultado oficial da prova demorou 3 dias para ser divulgado e o vencedor declarado foi Emerson Fittipaldi, em outra grande dobradinha brasileira com José Carlos Pace, da equipe Brabham.

Por falar em acidente, aquele ano foi marcado pela morte do piloto Mark Donohue, no dia 19/08, durante os treinos para o GP da Áustria, após a explosão de um dos pneus dianteiros de seu carro da equipe Penske.

Quanto a nossa Copersucar, Wilsinho Fittipaldi só restou substituído como piloto da equipe no GP da Itália, realizado em Monza, em função de uma lesão, onde o italiano Arturo Merzario assumiu o volante do carro 30 e terminou a prova na 11ª colocação.

Foi um ano bastante difícil, com muito aprendizado e evolução para a equipe Copersucar-Fittipaldi que, ao fim não marcou nenhum ponto no campeonato e contou como melhor resultado daquela temporada uma 10ª colocação no GP dos Estados Unidos, ultima disputa daquele ano, ocorrido no dia 5 de outubro de 1975, no tradicional circuito de Watkins Glen.

O campeão daquele ano foi o imbatível Niki Lauda, a bordo de sua Ferrari, com Emerson Fittipaldi conquistando o vice-campeonato e cuja história completa deste e dos demais feitos que vamos narrar abaixo, sob outra ótica, já foi objeto de outra matéria publicada pelo PLANETA VELOCIDADE e que pode ser revista através do link “PLANETA HISTÓRIA: NIKI LAUDA – O TRICAMPEÃO QUE DRIBLOU A MORTE.”

Diante de tal situação, Emerson Fittipaldi resolve deixar a forte McLaren para ajudar seu irmão e assumir o posto de piloto oficial do time, enquanto Wilson passa a se dedicar à mesma de forma integral como Diretor geral da equipe.

A saída repentina de Emerson Fittipaldi caiu como uma bomba na equipe McLaren, a ponto do então diretor Alastair Caldwell referir-se ao mesmo como “Fittifucking-paldi, e chocou o mundo do automobilismo, sendo que esta vaga deixada pelo nosso bicampeão restou preenchida pelo piloto James Hunt que, ao fim, após uma disputa épica com Niki Lauda, já narrada pelo PLANETA VELOCIDADE através link acima, acabou por se tornar o campeão da temporada de 1976.

Por esta situação, muitos dizem que esta saída de Emerson Fittipaldi da equipe McLaren teria sido, de certa forma, prematura, visto que outros campeonatos ainda o aguardavam.

Mas como controlar a paixão e os sonhos de um grande pioneiro do automobilismo que já nasceu com o maravilhoso dom da vitória?

Para esta nova temporada de 1976 que se iniciava, a Copersucar-Fittipaldi apresentava no Brasil o seu novo carro modelo FD04 que fora construído sob a supervisão direta de ninguém menos do que o grande Jo Ramirez (o mesmo que anos mais tarde trabalhou com o nosso querido Ayrton Senna, na McLaren), atuando como novo chefe da equipe.

Emerson Fittipaldi estreava em sua equipe no GP do Brasil, onde largou na 5ª colocação do grid, e cruzou a linha de chegada na 13ª posição, com 3 voltas de atraso, em uma prova vencida pelo austríaco Niki Lauda, da Ferrari.

Mas não terminava por aí, a equipe chegou a nesta prova em Interlagos com 2 carros e o segundo piloto era nada menos do que o gigante Ingo Hoffman, o “the King” brasileiro que foi 12 vezes campeão da Stock Car (1980, 1985, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1996, 1997, 1998 e 2002) que, a bordo do carro 31, largou na 20ª posição e concluiu a prova na 11ª colocação.

Ingo ainda tentou classificação, sem sucesso, para os GPs dos Estados Unidos, da Bélgica e da França.

O primeiro ponto da equipe finalmente surgiu quando Emerson, no dia 28/03/1976, conquistou a 6ª colocação no GP dos Estados Unidos, realizado em Long Beach e cujo vencedor foi Clay Regazzoni.

Lembre-se que, naquela época, apenas os seis primeiros colocados marcavam pontos na Fórmula 1, e não os dez, como ocorre atualmente.

Tal feito de Emerson se repetiu não só no GP de Mônaco, no dia 30/05/1976, como também no GP da Inglaterra, realizado em Brands Hatch, na data de 18/07/1976.

Ao final daquele campeonato a equipe Copersucar-Fittipaldi obteve 3 pontos e terminou na 11ª posição dentre os pilotos, onde o campeão foi James Hunt, que o havia substituído na McLaren no ano anterior.

No ano de 1977 o carro, modelo FD04 mudou e o fundo prateado foi substituído pela cor amarela e o número utilizado por Emerson Fittipaldi passou a ser o 28.

Logo na estreia do campeonato, no GP da Argentina, realizado no dia 09/01/1977, nosso bicampeão se supera e conquista a quarta colocação na prova, após ter largado da 16ª posição, somando 3 pontos no campeonato mundial.

Festa brasileira na terra de nossos vizinhos e hermanos.

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Ingo Hoffman participou da prova no carro nº 29 da equipe, mas abandonou na volta 22 devido a problemas mecânicos.

O GP seguinte aconteceu no Brasil, no dia 23/01/1977, junto ao autódromo de Interlagos e, naquela prova vencida pelo argentino Carlos Heutemann, da Ferrari, Emerson repetiu a façanha da prova anterior e cruzou a linha de chegada na 4ª colocação, após ter largado da 16ª posição do grid, somando mais 3 pontos para o campeonato mundial.

Tal qual o GP anterior, Ingo Hoffman também participou da prova e, após partir da 19ª posição do grid, recebeu a quadriculada na honrosa 7ª colocação, ou seja, apenas uma abaixo da linha de pontos.

A prova seguinte, realizada na África do Sul, no dia 05/03 e na qual Emerson chegou apenas na 10ª colocação, restou marcada pelo acidente fatal do piloto Tom Pryce, da equipe Shadow, na volta 22, após atingir um fiscal que tentava atravessar a pista com um extintor de incêndio nas mãos que, ao fim, acabou por atingi-lo.

Sofrendo também com acidentes menos graves e, ainda, alguns abandonos de prova, o currículo e a experiência de Emerson Fittipaldi o mantinham firme na busca dos resultados na pista.

Emerson Fittipaldi(BRA) Copersucar FD04
Swedish GP, Anderstorp, 19 June 1977

O novo modelo F5 da equipe estreou no circuito de Zolder, na Belgica e, por ser muito parecido com o carro da Equipe Ensign, projetado por David Baldwin, acabou por ganhar o apelido “Copersign’.

Embora a equipe não tenha participado do último GP, no Japão, Emerson Fittipaldi ainda conquistou uma 5ª colocação no GP dos Estados Unidos, em Long Beach, no dia 03/04 e repetiu a 4ª colocação no GP da Itália, ocorrido no autódromo de Monza no dia 11/09 que, somados aos resultados anteriores, lhe garantiram 11 pontos e a 12ª colocação no mundial de pilotos de 1977, onde Niki Lauda, em nítida superação pessoal sagrou-se bicampeão, a bordo de sua Ferrari.

Em 1978 a Copersucar passava por uma grande internacionalização, a partir da contratação de Peter McIntosh como novo chefe de equipe e de David Luff como chefe dos mecânicos.

O modelo F5 do ano anterior passou por profunda reestruturação, passando a denominar-se F5A e veio com Emerson Fittipaldi no número 14, no GP da Argentina, ocorrido no dia 15/01/1978 e, partindo da 17ª colocação, este ainda conseguiu receber a bandeira quadriculada na 9ª posição.

Mas o melhor ainda estava por vir no dia 29/01/1978, no GP do Brasil, disputado pela primeira vez no circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Em que pese o forte calor carioca, o carro de Emerson se comportava bem na pista e demonstrava um ritmo bastante similar ao da Ferrari de Heutemann e, ainda, da Lotus de Mario Andretti.

Muito embora estivesse apresentando tempos incríveis, o carro apresentou problemas mecânicos, decorrentes da quebra do semieixo traseiro e, por conta dos reparos e dos constantes ajustes que se fizeram necessários, a equipe foi obrigada a se contentar com a 7ª colocação do grid de largada, com o tempo de 1m48s50.

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Mesmo andando bem no warm up, o carro ainda apresentou problemas de motor e Emerson foi obrigado a largar com seu carro reserva

Dada a largada, Emerson já ultrapassou Patrick Tambay e Gilles Villeneuve assumindo a 5ª colocação e colando em Mario Andretti.  Com a perda de rendimento de James Hunt, este também foi ultrapassado pelo nosso piloto que, pouco depois acabou por superar também o pole position daquela etapa, Ronnie Peterson.

Já na terceira posição da prova, Emerson voltou a se aproximar de Mario Andretti que, após perder a 4ª marcha de seu carro, acabou por ser também ultrapassado, colocando nosso Copersucar-Fittipaldi no segundo posto da disputa, a sete voltas para o fim.

Ao final, Emerson cruzou a linha de chegada na 2ª colocação, e a vitória da prova ficou por conta da Ferrari do vencedor Carlos Reutemann.

Os quase sessenta mil espectadores que estavam na arquibancada, aos berros vieram literalmente ao delírio com o triunfo de Emerson Fittipaldi e sua equipe Copersucar, como não poderia deixar de ser, levando às lágrimas o nosso bicampeão mundial, tão acostumado a tantas vitórias obtidas durante sua brilhante e pioneira carreira.

Era o primeiro pódio da equipe Copersucar-Fittipaldi, bastante merecido depois de muito esforço, dedicação e trabalho duro de todos que, por sua vez, acabou por ser ainda mais gratificante não só pelo fato de estar em território brasileiro, como também pelo fato de piloto e equipe serem brasileiros, o que empolgou mais os torcedores presentes

Segundo depoimento pessoal de Emerson Fittipaldi, dado em entrevista naquela oportunidade, a conquista desta segunda colocação diante de seu público foi ainda mais emocionante que a de todas as vitórias que o mesmo havia conquistado em sua brilhante carreira na Fórmula 1.

Esta corrida histórica para o automobilismo nacional, pode ter seus melhores momentos revistos aqui no PLANETA VELOCIDADE:

A imprensa nacional, depois de muitas críticas pesadas, infundadas e até mesmo ofensivas a equipe brasileira, finalmente se dobrou aos encantos da mesma e o prestígio da Copersucar e dos irmãos Fittipaldi conseguiram ficar ainda maior.

Até o final daquele mesmo ano, Emerson teria alguns abandonos de prova e posicionamentos finais que não lhe davam pontos para o campeonato, mas ainda conquistaria o 6º lugar no GP da Suécia, 5º lugar nos GPs da Holanda e dos Estados Unidos e 4ª lugar nos GPs da Alemanha e da Áustria, que lhe renderam, ao fim, 17 pontos na classificação geral e a 10ª posição no mundial de pilotos de 1978, empatado com Gilles Villeneuve, da equipe Ferrari, o 9º.

Assim, a Copersucar terminava o campeonato com o mesmo número de pontos conquistados pela Ferrari de Gilles Villeneuve e o Título daquela temporada, ao final, acabaria por ficar nas mãos de Mario Andretti e de sua equipe Lotus.

Por falar em equipe Lotus, não podemos deixar de comentar que aquele ano ficou marcado pela morte do grande piloto Ronnie Peterson, daquela equipe inglesa, durante a largada para o GP da Itália, no circuito de Monza, no dia 10/09.

Emerson Fittipaldi, Jody Scheckter, Niki Lauda, James Hunt e John Watson estiveram presentes no funeral e carregaram o caixão daquele que pode ser considerado como um dos grandes nomes da Fórmula 1, mesmo sem ter obtido títulos mundiais junto a mesma.

Em 1979, a equipe apresenta o seu modelo F6 e Emerson Fittipaldi mantém o número 14 da temporada anterior em seu carro, mas os tão esperados resultados positivos acabaram por não acontecer como o esperado.

Na prova de estreia, realizada no dia 21/01/1979, na Argentina Emerson conquista a 6ª colocação da prova, marcando 1 ponto para o campeonato, após ter partido da 11ª posição do grid, enquanto a vitória ficava por conta do piloto Jacques Laffite, da equipe Ligier.

E ficaria assim, pois Emerson não marcou mais pontos naquele campeonato.

O F6 era problemático e causou irritação em Emerson e fez com que Wilsinho quase partisse para as vias de fato com o engenheiro e projetista Ralph Bellamy, causando, inclusive, sua demissão da equipe.

A saída era o retorno do modelo F5A que, por sua vez, só foi definitivamente substituído pelo F6A no GP da Alemanha, em Hockenheim.

Depois de vários abandonos nas etapas dos Estados Unidos (08/04), Mônaco (27/05), França (01/07), Inglaterra (14/07), Alemanha (29/07), Áustria (12/08), Holanda (26/08) e Itália (09/09), a equipe Copersucar teve como seu melhor resultado o 7º lugar no segundo GP dos Estados Unidos (07/10), a última prova da temporada.

Ao fim, estes resultados renderam a Emerson Fittipaldi apenas a 21ª posição no campeonato de pilotos daquele ano, vencido por Jody Scheckter, sul-africano da equipe Ferrari.

Vele acrescentar que, nos GPs de San Marino, Canadá e Estados Unidos, o piloto brasileiro Alex Dias Ribeiro esteve a bordo do carro nº 19 da equipe dos irmãos Fittipaldi, sem conseguir se classificar em nenhuma delas

Grandes e significativas mudanças foram anunciadas para a temporada de 1980 na equipe, dentre elas, a mais impactante o encerramento da parceria que a Copersucar possuía com os irmãos Fittipaldi.

O Prejuízo foi imenso, mas estes dois irmãos destemidos, a enorme força de vontade e o notório prestígio eles possuíam os colocaram novamente nas buscas por parcerias para a manutenção da equipe naquele campeonato da nova década que se aproximava.

Emerson acreditava que, para ter sucesso na Fórmula 1, seria mais fácil que a Copersucar se instalasse definitivamente Europa para a montagem e o desenvolvimento de seus carros e, sendo assim, iniciou-se as negociações com o canadense Walter Wolf para a aquisição da equipe e das instalações da equipe Wolf, sediada na Inglaterra, que possuía como piloto o finlandês Keke Rosberg, além do projetista Harvey Postlethwait e que, apesar de ter surgido com muita força, estava passando por uma forte decadência.

Ao fim, a compra foi concretizada, a equipe cresceu, conquistando o patrocínio da Skol e ganhando mais um carro para a próxima temporada, a ser guiado pelo próprio Rosberg.

Assim, dava-se início não só a equipe de nome Skol-Fittipaldi, como também a uma bonita história a ser contada por seus dois grandes pilotos, a bordo do novo modelo F7.

A prova de estreia desta nova dupla (Emerson no carro nº 20 e Rosberg no nº 21) aconteceu no GP da Argentina, realizado no dia 13/01/1980.

As dificuldades do carro eram muitas mas, em que pese o fato do finlandês ter estranhado o forte calor de quase 40°, contra as temperaturas negativas de seu país foi dele os melhores resultados do final de semana, uma vez que o mesmo se classificou na 13ª posição do grid, enquanto Emerson teve que partir apenas do 24º posto para a corrida.

O pole position Alan Jones, da equipe Williams dominou a prova, mesmo após um incidente nos boxes com o piloto Gilles Villeneuve e, ao final, venceu a corrida.

Emerson se viu obrigado a abandonar a competição na volta de nº 37, enquanto Rosberg conquistava várias posições na pista.

Ao final, Keke Rosberg surpreende a todos e conquista um importante e inesperado 3º lugar, somando 4 pontos no campeonato, em sua corrida de estreia na equipe.

Para completar o grande feito, que também marcou a estreia de Alain Prost na Fórmula 1, o brasileiro Nelson Piquet, da equipe Brabham, subiu ao pódio após conquistar a 2ª posição na prova que, até então, ainda era o seu melhor resultado na maior categoria do automobilismo mundial.

Na etapa seguinte, o GP do Brasil, ocorrido no dia 27/01/1980, vencida por René Arnoux, da equipe Renault, as dificuldades enfrentadas pela equipe foram ainda maiores, com Rosberg largando na 15ª posição do Grid e Emerson na 19ª.

Ao fim, Keke Rosberg concluiu a etapa na 9ª colocação e Emerson Fittipaldi apenas em 15º.

Na África do Sul as dificuldades da equipe não foram menores, e Emerson chegou na 8ª colocação, enquanto Rosberg se retirou na volta 58 em decorrência de um acidente.

Em Long Beach, no GP dos Estados Unidos, realizado no dia 30/03/1980, mais um lindo capítulo da história desta equipe estava para ser escrita, em conjunto com a tradição de nosso país nos esportes a motor.

Os carros da Skol-Fittipaldi partiram do final do pelotão e, apesar de Rosberg ter abandonado a prova na volta 58, Emerson permanecia firme na pista e conquistando posições, não só pelas ultrapassagens que fazia, mas também em função dos abandonos que estavam ocorrendo.

Uma falha os freios do carro do suíço Clay Regazzoni, da equipe Ensign, em plena reta fez com que o mesmo se chocasse com o argentino Ricardo Zunino, causando-lhe graves lesões na coluna que, ao fim, lhe causaram a lamentável perda o movimento das pernas e fosse obrigado a se afastar totalmente das provas da Fórmula 1, muito embora tenha continuado a se dedicar ao automobilismo, utilizando-se de carros adaptados.

Em que pese o triste incidente, Emerson se manteve firme e levou o seu Skol Fittipaldi até a bandeirada final, cruzando a linha de chegada na terceira colocação.

Para tornar o resultado da prova ainda mais sensacional, devo dizer que aquele mesmo GP de Long Beach ainda foi o palco da primeira vitória de nosso tricampeão Nelson Piquet na Fórmula 1.

Festa brasileira no pódio dos Estados unidos, com Piquet em primeiro, o italiano Ricardo Patrese em segundo e Emerson na terceira colocação.

Aos amantes das curiosidades e dos números do automobilismo, em especial a Fórmula 1, aquele pódio que marcaria a primeira vitória do nosso Grande Nelson Piquet, seria, em verdade, o último deste fenômeno chamado Emerson Fittipaldi na maior categoria do automobilismo mundial.

Aquele ano ainda guardava mais uma situação trágica, posto que, no dia 1 de agosto, durante os testes particulares no circuito alemão de Hockenheim a Alfa Romeo de Partick Depailler sofreu uma quebra se suspensão que jogou o carro contra o muro de proteção e fazendo-o decolar sobre uma barreira de concreto e, por conta de tal fatalidade, aquele grande piloto de apenas 35 anos perdia a sua vida.

Quanto a nossa equipe, seus resultados nas provas posteriores não foram tão expressivas quanto aquelas que já havia conquistado até então, posto que, mesmo com a estreia do modelo F8 projetado por Harvey Postlethwaite, no GP da Inglaterra, a equipe ainda amargou vários abandonos por parte de ambos os pilotos, Rosberg conquistou apenas um quinto lugar no GP da Itália, enquanto Emerson chegaria na sexta posição no GP de Mônaco.

Ainda assim, com 6 pontos ao final do campeonato, Keke Rosberg terminava o ano na 10ª colocação e Emerson Fittipaldi na 15ª, com 5 pontos conquistados.

Já a equipe, em sua melhor apresentação, terminou o campeonato de construtores na honrosa 8ª posição, empatada em pontos com a Arrows e a McLaren e, ainda, a frente da poderosa Ferrari.

O campeonato daquele ano foi conquistado pelo australiano Alan Jones, da equipe Williams, com o brasileiro Nelson Piquet, da Brabham, como vice-campeão.

Em que pese o fato da equipe ter obtido o melhor resultado de sua história no campeonato de 1980, uma grande e triste surpresa estava por vir.  Emerson Fittipaldi anunciava o fim de sua carreira nas pistas da Fórmula 1, a partir do ano seguinte, a fim de dedicar-se à mesma apenas como chefe de sua equipe.

O final da temporada também representava o término da parceria que a equipe possuía com a cervejaria Skol e, assim, passava a se chamar apenas Fittipaldi.

Keke Rosberg, promovido a primeiro piloto, continuava na equipe na temporada de 1981, com o carro nº 20 e o cockpit deixado por Emerson Fittipaldi acabou per ocupado pelo grande piloto brasileiro Chico Serra, que passou a guiar o carro de nº 21.

O patrocínio da equipe para aquele ano foi difícil e o carro da escuderia, infelizmente, começou a temporada pintado de branco e apenas com o nome da Fittipaldi nas laterais do cockpit do modelo F8C que, em verdade, era apenas o velho modelo F8 da temporada anterior, remodelado.

No GP do Brasil o patrocínio veio com a Companhia de seguros Atlântica Boavista e marcou a volta de despedida de Emerson Fittipaldi diante de sua torcida.

Mas o ano não era dos melhores e, em vários GPs a equipe não conseguiu classificar nenhum de seus carros.

O projetista Harvey Postlethwaite deixa a equipe para integrar o time da Ferrari e agrava ainda mais a situação e, em meio a tantas adversidades, quebras, abandonos e mudanças de pneus, o melhor resultado da equipe foi do próprio Chico Serra, no GP de sua estreia, na Argentina, onde cruzou a linha de chegada na 7ª colocação, quando então foi muito elogiado por Emerson.

Quanto a Keke Rosberg, seu melhor resultado final foi um 9º lugar no GP do Brasil.

Sendo assim, a equipe não marcou pontos naquela temporada e amargou uma grande decepção no ano em que o brasileiro Nelson Piquet, da Brabham, conquistava o seu primeiro mundial com uma diferença de apenas um ponto para o argentino Carlos Reutemann, da Williams.

O clima era tenso e a situação na equipe era de certo desespero, ao ponto dos irmãos Fittipaldi liberarem Keke Rosberg do contrato que possuía com a mesma, a fim de que este pudesse disputar a temporada de 1982 no cockpit de uma equipe de ponta, no caso a Williams, no lugar do campeão Alan Jones.

Reduzida novamente a um único carro, a Fittipaldi, passando pela maior crise de sua história retornou para as pistas no ano de 1982 representada apenas pelo piloto brasileiro Chico Serra, a bordo do modelo F8D de nº 20 que, totalmente branco em sua prova de estreia, na África do Sul, partiu da 25ª posição e chegou apenas em 17º.

Os patrocínios vieram para o GP do Brasil, mas Chico Serra abandonou a prova em decorrência de uma quebra de suspensão, após ter largado na 25ª colocação do grid.

Àpós não ter conseguido largar no GP dos Estados Unidos, realizado em Long Beach, a Fittipaldi voltaria a respirar no complicado GP da Bélgica daquele ano, em Zolder, onde Chico Serra, após ter largado na 23ª posição cruza a linha de chegada em 6º e marca o primeiro ponto da equipe naquela temporada, após a desclassificação da McLaren de Niki Lauda, em virtude da mesma estar abaixo do peso mínimo permitido naquela época.

No GP da Holanda, a Fittipaldi comemorava o seu 100º GP na Fórmula 1, mas os resultados não foram dos melhores, visto que serra partiu da 19ª colocação e abandonou a prova devido a problemas na bomba de combustível de seu F8D.

Vem desta época uma grande curiosidade que poucos conhecem, qual seja, a contratação de um profissional recém saído da faculdade por parte da equipe Copersucar-Fittipaldi, cujo nome era nada menos que o de Adrian Newey que, posteriormente, ganhou fama no circo da Fórmula 1 graças a projetos de carros vencedores nas equipes March/Leyton House, Williams e Red Bull.

O modelo F9 da equipe estreou no GP da Inglaterra, em Brads Hatch e, em que pese ter andado razoavelmente, proporcionou um dos acidentes mais graves da carreira de Chico Serra, após um toque na pista com o piloto Jean-Pierre Jarier, da Osella, durante uma tentativa de ultrapassagem.

Serra capotou e destruiu por completo o seu carro, abandonando a disputa.

No GP da Áustria, Chico Serra quase chegou na zona de pontuação, cruzando a linha de chegada na 7ª posição.

No GP da Itália, realizado no tradicionalíssimo circuito de Monza, Serra partiu da última colocação do grid, para cruzar a linha de chegada na 11ª posição.

Na última etapa do ano, realizada em Las Vegas, Serra não conseguiu classificação e o carro da Fittipaldi não alinhou no grid de largada.

O desastre daquela temporada ainda conseguiria ser pior, pois a mesma contou com 2 grandes acidentes que levaram a vida de pilotos de renome.

O primeiro deles, ocorrido no dia 08/05/1982, no já mencionado circuito de Zolder, na Bélgica, durante os treinos qualificatórios, o canadense Gilles Villeneuve, que vinha rápido na pista, deparou-se com o carro lento do piloto Jochen Mass, da equipe March, e bateu na traseira do mesmo, fazendo-o decolar e ser literalmente ejetado de sua Ferrari, ainda preso ao assento pelo cinto de segurança, levando-o a óbito em decorrência das graves lesões sofridas.

Caro leitor, ouso reiterar para Gilles Villeneuve as mesmas palavras de destaque que dei acima a Ronnie Peterson, ao trata-lo como um dos grandes pilotos que se destacaram imensamente no mundo da Fórmula 1 sem obterem títulos.

Aliás, se me permitem o parêntese, ouso ainda acrescentar a esta pequena lista mais dois grandes nomes, quais sejam, Stirling Moss e Wolfgang Von Trips, mas isso é papo para outro encontro.

Retomando o nosso foco, o segundo acidente fatal aconteceu pouco tempo depois, no dia 13/06, GP do Canadá, onde o promissor piloto italiano Riccardo Paletti, da equipe Osella, inconsciente por conta de um acidente na largada da prova, morreu carbonizado em decorrência de um forte incêndio que se iniciou em seu carro.

Com apenas 1 ponto marcado na temporada de 1982, Chico Serra termina o campeonato apenas na 26ª colocação e, a equipe, em 13º lugar no campeonato de construtores.

O título mundial ficou nas mãos de Keke Rosberg que, naquela temporada, havia deixado a equipe para ser piloto da equipe Williams, mostrando ao mundo o quão grande era o seu potencial

Mas, o fim daquele ano trouxe consigo também uma triste notícia, qual seja, a equipe Fittipaldi encerrava as suas atividades e se retirava definitivamente da Fórmula 1.

Assim, ao término de 1982, acontecia o triste fim da equipe Copersucar, que permanecerá viva na memória de todos os brasileiros apaixonados pelo mundo automobilismo.

Ao fim, encerrando-se uma era, podemos dizer que estes personagens literalmente tiraram do papel o sonho de um carro na maior categoria do automobilismo mundial, em um pais cuja população é voltado apenas para o futebol, com poucas oportunidades e muitas críticas daqueles que preferiram permanecer inertes enquanto os irmãos Fittipaldi e Ricardo Divila, por conta própria e pelo amor ao automobilismo resolveram colocar a mão na massa e elevar o nome nesta nação diante do mundo inteiro.

Nomes de gigantes da Fórmula 1 surgiram e cresceram com a equipe e o talento dos irmão Fittipaldi, como acima foi narrado e, da mesma forma, várias equipes nasceram e morreram na Fórmula 1 de forma imperceptível e permanecerão anônimas para todo o sempre, o que não é o casso da Fittipaldi, com seus belos resultados e o grande peso dos pilotos nacionais e estrangeiros que estiveram dentro de seus cockpits ao longo dos anos.

Ricardo Divila continuou no automobilismo como consultor e projetista, passando , como já mencionado, por equipes como March e Ligier, atuando também na Fórmula Indy e nas 24 horas de Le Mans.

Wilson Fittipaldi passou a dedicar-se a Stock Car brasileira e provas de longa duração onde, inclusive, chegou a competir ao lado de seu filho, Cristian Fittipaldi.

Emerson Fittipaldi focou-se no automobilismo norte americano e passou a competir na Fórmula Indy a partir do ano de 1984.

 Naquela categoria, Emerson despontou e obteve 22 vitórias, conquistou o título do ano de 1989 e, ainda, em mais uma façanha inédita para os pilotos brasileiros, venceu por 2 vezes as 500 milhas de Indianápolis, nos anos de 1989 e 1993.

Este foi apenas mais um de nossos encontros, pois brevemente estaremos trazendo mais novidades e curiosidades sobre o fantástico mundo do automobilismo.

Até lá!

Alex Leonello Teixeira
Twitter: @alexleonello
Fonte: Divulgação/Internet

 

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