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A 24 Horas de Daytona abriu oficialmente a temporada 2021 do automobilismo mundial.

31 de janeiro de 2021

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Editores Planeta Velocidade

Equipes, pilotos e carros correram durante 24 horas em uma das pistas mais icônicas e lendárias do automobilismo mundial, que intercalar partes do traçado oval e misto.

Texto Keko Gomes, Marcio de Luca e Marcos Amaral
Fotos IMSA

Daytona sempre reserva muitas emoções, disputas acirradas e uma variação climática instável para a época do ano. Por sorte esse ano nem a chuva e nem a rotineira neblina ao amanhecer resolveu aparecer, o que possibilitou que as disputas fossem mais intensas.

Exatamente as 17:30 (horário de Brasília), o pano verde foi agitado e deu-se início à prova e os DPi’s dispararam na frente, que por serem carros mais rápidos, logo abriram vantagem. Na sequência, os carros da LMP2, LMP3, GTLM e GTD se misturam ao pelotão causando um efeito maravilhoso de cores e variedade de carros. Se misturaram tanto que a metros da largada veio o primeiro incidente, uma BMW e um Porsche acabaram se tocando, sendo pior para o Porsche que acabou rodando, mas nada de mais grave ocorreu – eram apenas “Anônimos” exaltadas pelo início daquela que é uma das provas mais tradicionais do automobilismo mundial.

Como se trata de um corrida de longa duração, geralmente as equipes e pilotos fazem estratégias na base da cautela, para manter os carros íntegros para as horas finais da corrida no dia seguinte. Provas de longa duração tem um charme a mais, ao cair da tarde as imagens ficam maravilhosas, os efeitos do pôr do sol trazem imagens fantásticas e vem a noite, onde os faróis dos carros parecem vagalumes andando a mais de 200 km/h, algo que apenas o automobilismo pode proporcionar.

24 horas, 807 voltas, 4.624 Km: esses foram os números da prova deste ano.

E, com números tão grandes assim, difícil acreditar que à prova iria ser decidida faltando 5 minutos, 2 voltas, ou pouco mais de 10km para o fim. Mas foi exatamente isso que aconteceu.

Antes de ser completado metade da corrida, se aproximando do início da madrugada, um dos principais concorrentes à vitória já tinha praticamente dado adeus a qualquer chance na disputa. O Cadillac DPi #5, ficou várias voltas parado nos boxes após um toque com um Porsche na curva 1 – a madrugada geralmente é a parte mais complicada da prova, devido ao cansaço e que geralmente é quando a maioria dos erros acontecem, porém a prova esse ano foi mais calma, com menos intervenções do safety car, sem acidentes graves e poucos incidentes ao longo das 24 horas de corrida.

Ao amanhecer o Cadillac DPi #31 pilotado por Mike Conway era líder, mas se tratava de uma prova de endurance, de resistência, tanto para homem quanto para a máquina. E infelizmente um problema de câmbio os tirou da disputa faltando pouco menos de 6 horas para o final da prova. Nesse momento surgiram três grandes postulantes à vitória da prova, o Cadillac DPi #1, o Acura ARX #10 e o Cadillac DPi #48; eles iriam vir a travar batalhas literalmente até o final da prova.

Durante a manhã até a hora do almoço (aqui no Brasil), as equipes ainda trabalhavam com as estratégias para o período da tarde, já analisando como poderiam fazer nas horas finais, mas como nada é fácil em uma prova de 24 horas, por volta das 13h00 de Brasília, o que não podia acontecer aconteceu. Em uma disputa acirrada entre a Ferrari #21, carro que Daniel Serra estava participando, mas que neste momento estava com o piloto dinamarquês Nicklas Nielsen, vinha em uma forte disputa com a Mercedes #57, a briga pela posição se estendia até mesmo durante as paradas no pit e então o piloto da Ferrari atacou na saída da curva 4 do oval, passou pela linha de chegada na frente, mas na freada para a curva 1, veio o toque entre os dois carros e quem levou a pior foi a Ferrari, que rodou e acertou a barreira de proteção, danificando a traseira do carro que voltou para o pit se arrastando, dando adeus a qualquer chance de vitória. A Ferrari #21 ainda voltaria à pista, porém Daniel Serra acabaria passando reto em uma freada, acertando uma placa de publicidade, não sabemos ao certo se foi devido um toque com algum concorrente ou se foi falha do piloto. Infelizmente essa não foi uma corrida dos sonhos para a Ferrari #21 da equipe AF Corse, mas corridas são corridas.

Outra disputa que chamou a atenção também foi a briga pela vitória na GTLM entre o BMW M8 #24, pilotada pelo brasileiro Augusto Farfus e os dois Corvettes C8.R, o #03 e o #04, carros que desde os treinos já vinham mostrando que eram favoritos. Porém Augusto Farvus é um piloto muito experiente, um ótimo estrategista e sabe muito bem como funciona uma prova de longa duração. Mesmo os Corvettes sendo mais rápidos eles tiveram que suar o macacão, pois a BMW estava conseguindo se manter à frente, a disputa era estratégica até mesmo nas paradas de boxes, que eram feitas ao mesmo tempo, até que na última parada a equipe da BMW resolveu inventar e colocar mais combustível para ir até o final, com isso os Corvettes conseguiram abrir boa vantagem, não precisaria mais parar e assim acabariam fazendo a dobradinha, o terceiro lugar ficaria com o brasileiro.

Chegando na última rodada de pit stop, faltando pouco menos de 40min para o final, o Cadillac #1 e o #48 entraram juntos para fazer a última parada, o Acura #10 em uma estratégia “a lá” NASCAR entrou na volta seguinte colocando apenas 2 pneus novos, surtindo efeito positivo imediato já que eles saíram de 3° para 1° com uma vantagem superior a 8s. Mas estavam apenas com 2 pneus novos, contra 4 pneus zero do Cadillac #1 que chegava rápido, descontando cerca de 0.5s por volta. Foi quando faltando apenas 6min para o final da prova, após tirar uma diferença de mais de 8s, o Cadillac #1 foi surpreendido novamente por um pesadelo que foi constante ao longo da prova: o pneu traseiro direito se entregou novamente, a terceira vez ao longo das 23h54m, obrigando assim a equipe a fazer seu pit stop número 36 deixando, livre o caminho para o Acura #10 ganhar a prova.

Em primeira mão, escute as palavras do campeão das 24 Horas de Daytona, Hélio Castroneves:

E assim foi a emocionante prova de abertura da temporada de automobilismo mundial e como sempre tem sido em corridas desse tipo, somente no momento da bandeirada é que se define o vencedor.

Confira a classificação final da prova: https://www.imsa.com/scoring/

Até o ano que vem, Daytona!

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