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AMANHÃ OS MOTORES LIGAM DE VERDADE

25 de março de 2021

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Marcio de Luca

Muito aguardado, enfim chegou o momento: amanhã o circuito do Bahrein ouvirá pela primeira vez o ronco dos motores para a primeira corrida da temporada da Fórmula 1 deste ano. 

É verdade que estes roncos já foram ouvidos há 15 dias nos testes coletivos, mas como todos sabem, em teste existe o efeito “esconde o jogo”, então pode ser que a radiografia que se viu no circuito barenita, não seja totalmente condizente com a realidade.

E é neste sentido que quero chamar a atenção dos leitores: os motores.

Vimos a Mercedes “rendida” à Red Bull Racing, onde Max Verstappen colocou por duas vezes seu tempo no topo da tabela, sendo seu registro do último dia o mais rápido dos três dias, porém, a Honda traz para a temporada uma unidade de potência praticamente 100% revista e isto pode implicar em problemas.

Segundo Toyoharu Tanabe, responsável técnico da Honda na F1, o novo motor é uma unidade de potência mais compacta, com centro de gravidade mais baixo e mais potência, porém, como todos nós sabemos, tudo o que é novo, pode trazer consigo novos problemas e desta forma, a tão esperada virada de mesa da Red Bull, pode se tornar um grande vexame para o time.

Por outro lado, a Mercedes que é dona das unidades de potência mais confiáveis do grid, se manteve cautelosa nos testes coletivos, porém a cautela do time alemão pode ser visto como “jogo escondido”, mas o dado adquirido é: a equipe manteve seu motor nas mesmas condições que terminou a temporada passada e se isto for verdade, a confiabilidade da unidade está intocada.

Neste mesmo caminho temos a Alpine, que entrou no grande circo mantendo tudo o que a Renault já havia feito e, no que diz respeito a equipamento, nada foi mudado. Então os motores que em 2020 já mostravam certa confiança, vem para a temporada 2021 com a confiabilidade mantida e isso pode ser um trunfo para o time azul.

E na contramão de Alpine e Mercedes a Ferrari seguiu a cartilha da Honda, trazendo para o grid uma nova unidade de potência. Porém, dos quatro fabricantes, a Ferrari é quem menos tem a perder já que em 2020 amargou uma sexta posição no mundial de construtores, exatamente porque tinha um motor que não entregava o que deveria.

Nos testes coletivos vimos muitas simulações de corrida e isto dá um indício que todos os quatro fabricantes estão levando para as pistas bons motores, mas de fato só se percebe e atesta o que realmente é bom numa corrida, pois apesar das exigências serem diferentes de uma qualificação, onde tudo é levado ao extremo, numa prova o conjunto homem-máquina fica por cerca de 1h30 num processo de fadiga, e o motor é uma das peças mais exigidas neste contexto.

Como os testes de pré-temporada foram realizados no mesmo circuito que ocorre a abertura da temporada, todos os pilotos virão para a pista com uma certa confiança, já tiveram um bom tempo para testar e isto lhes permite um melhor nível de segurança quanto aos pontos de aceleração e frenagem, permitindo treinos livres mais fluidos e uma qualificação mais ao estilo “faca nos dentes”, com as máquina sendo ainda mais exigidas.

Amanhã teremos dois treinos livres e como sempre ocorre, é apenas na segunda sessão que os times começam a mostrar um pouco mais do que tem escondido na manga e, sendo assim, só a partir do sábado é que saberemos de verdade quem mentiu menos nos três dias de testes coletivos.

Mas, a primeira prova não mostra o que de verdade vai ocorrer na temporada, sendo o conjunto da obra o que realmente define quem trouxe a melhor obra de arte para o campeonato.

Fotos Divulgação

Marcio de Luca

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