Análise: O que a saída de Cyril Abiteboul significa para Alpine – e por que ele saiu agora

12 de janeiro de 2021

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Marcio de Luca

A saída de Cyril Abiteboul do Grupo Renault, renunciando ao cargo de responsável pela operação da F1, cuja equipe será rebatizada para Alpine nesta temporada, foi um choque.

Abiteboul foi considerado um perito da Renault, estando na empresa desde 2001 – há duas décadas – e subindo na hierarquia para assumir o comando da equipe de F1.

Ele foi definido para liderá-los em uma nova era como Alpine, tendo desempenhado um papel fundamental no retorno do bicampeão mundial Fernando Alonso à F1 pela equipe nesta temporada, mas isso não será agora o caso.

Após discussões em nível corporativo, foi decidido que Abiteboul deixará a equipe, com o Diretor de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios do grupo Renault, Laurent Rossi, assumindo o cargo de CEO da Alpine – uma função que envolve assumir o controle de suas atividades na F1.

Cyril e Ricciardo na época de Renault – Fonte: Google Imagens

Porque agora?


Quando a Renault voltou para a Fórmula 1 como uma equipe de fábrica em 2016, eles tinham algumas ambições muito elevadas. Eles queriam um pódio dentro de três anos (2018) e ser um candidato ao título em sua quinta temporada (2020).

A equipe, liderada por Abiteboul, perdeu ambas as metas por algum motivo. Seus primeiros pódios não chegaram antes 2020, embora eles tenham conseguido três deles, mas estão muito longe de se tornarem desafiadores do título.

Eles não conseguiram manter o impressionante quarto lugar em 2018, caindo para o quinto lugar por dois anos consecutivos, que no ano passado incluiu ser derrotado pelas cliente McLaren e pela Racing Point.

Com Luca de Meo – que assumiu o cargo de CEO do grupo no ano passado – revisando a estrutura da empresa, incluindo sua abordagem à F1 e optando por usar sua marca Alpine para liderar sua operação na F1, este era o momento de fazer mudanças.

O presidente da Renault Sport Racing, Jerome Stoll, renunciou no final do ano passado, com Abiteboul sendo o segundo nome de alto escalão a partir. É uma jogada ousada – separar-se dessa experiência – mas parece que a empresa sente que o método antigo não estava funcionando.

O que acontece agora com a saída de Cyril?


Laurent Rossi assume como CEO da Alpine – uma função entregue a Abiteboul quando a mudança de marca foi anunciada. O jovem de 45 anos ingressou no grupo Renault em 2000, passando nove anos na empresa.

Laurent Rossi assume a vaga de Cyril – Fonte: autoracing

Ele então trabalhou no Boston Consulting Group e no Google antes de retornar para a Renault em 2018, onde impressionou o suficiente para ganhar esta promoção.

No entanto, Rossi não tem experiência na F1 e é por isso que se prevê que haverá mais mudanças na estrutura de liderança da equipe na categoria.

Seu diretor executivo, Marcin Budkowski, é altamente avaliado pela alta administração e poderia muito bem assumir um papel mais amplo na administração de operações de corridas.

Entretanto, Davide Brivio, que recentemente se deixou a Suzuki, depois que “o seu piloto” Joan Mir ganhou o campeonato da categoria rainha de MotoGP, também levando o título de equipes, está fortemente ligado a um papel na Alpine e isso pode ser um indício das mudanças em vias de execução.

Em sua, nas próximas semanas espera-se mais clareza sobre como a equipe será conduzida no dia a dia e nas pistas, conforme a Alpine finaliza seus preparativos para a temporada de 2021.

Marcio de Luca

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