Entre Pits Especial #27- Luc Monteiro Parte 2

20 de maio de 2020

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Colaboradores Planeta Velocidade

Chegamos a parte 2 do nosso papo com o multifacetado Luc Monteiro. Perdeu a primeira parte? Só acessar Entre Pits Especial #27 – Luc Monteiro pois vale a pena!

Foto: Vanderley Soares

Colaboração:
Keko Gomes
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Revisado Escrito por Francisco Brasil

Planeta Velocidade – Além de um excelente narrador, você também se aventura como piloto, alternando entre microfone e volante. Participação nas corridas como piloto começou quando?

Luc Monteiro – Como tudo que é bom na vida, esse lance de me jogarem dentro de um carro de corridas começou em uma mesa de bar. Foi um desafio feito pelo Odair dos Santos, que começou a correr aqui em Cascavel em 2015 e montou uma estrutura pioneira em termos de campeonatos regionais. O Odair corria na categoria Marcas e tinha como companheiro de equipe o Thiago Klein, amigo meu de muito tempo antes. Em determinada conversa, o Odair fez uma brincadeira no estilo “o Luc não tem coragem pra sentar num carro de corrida”. Respondi que coragem eu tinha, e que o que não tinha era dinheiro e competência. Ele retrucou dizendo que patrocinaria e que competência era por minha conta, o Thiago tinha um Escort parado na oficina dele e lá fui eu correr de Escort. Lógico que, em termos de desempenho, foi um fiasco, mas sou ciente de não ter aptidão para pilotar e não me importei com isso.

Foto: Sandra Zama

Era para ter sido só aquela corridas, mas você sabe como é automobilismo… O bichinho pica e contagia de verdade. Na minha terceira corrida, correndo em dupla, o parceiro ganhou a primeira bateria e me entregou o carro na pole. Eu já tinha ido a Curitiba correr com o Escort numa corrida extracampeonato da Classic Cup. Era Cascavel, e largando em primeiro, contra um monte de caras que logicamente eram mais rápidos que eu, estava ciente que na saída do Bacião, que é a primeira curva, já estaria em quarto ou quinto. Completei a primeira volta em primeiro, com dois “galos” me enchendo o retrovisor. E fui me mantendo em primeiro. Além do carro ser bom, eu levava comigo algo como uma mensagem motivacional que me foi dita antes da corrida pela Sandra Zama, uma grande amiga que freqüentava e ainda freqüenta as corridas como fotógrafa (na verdade ela me deu um baita chacoalhão e, em palavras mais bonitas, me chamou de bunda-mole por estar entregando o ouro antes de ir para a pista) e uma dica dada por um piloto da nossa categoria que estava lá mas não participava da etapa, o César Cortina. Ele me alertou, por experiência própria, que o principal adversário era rápido mas, por questões dele, jamais colocaria lado a lado para forçar uma ultrapassagem. Estranhei, perguntei o porquê daquilo, e ele disse que era só para eu confiar porque ele sabia o que estava dizendo. De fato. Fiquei seis voltas na liderança, até que a homocinética do carro quebrou. Consegui chegar ao box, desci do carro feliz da vida, mesmo com a quebra. Depois de um determinado lance que aconteceu na corrida, lance em que fui mais competente que o permitido pela minha falta de habilidade, eu sabia que poderia haver mais duzentos dias de corrida que não perderia aquela liderança. Perdi por uma quebra, abracei cada um dos caras da equipe e fui encontrar minha namorada na curva do S do Saul para tomar cerveja com ela e os amigos. Estava me sentindo o Nelson Piquet. Depois disso fiz mais umas 20 ou 30 corridas, mas aquela foi a que mais me deixou contente. Mais até que no dia em que conquistei minha primeira vitória em Interlagos, na Fusca Cup, ultrapassando o líder dois palmos antes da linha de chegada. Acho que ele me deixou passar, mas não importa, eu ganhei.

Arquivo pessoal

PV – Narrando sabemos que foram várias e várias categorias, mas como piloto, em quais categorias você fez o papel de piloto?

LM – Corri algumas vezes no Regional de Marcas de Cascavel e no Paulista de Marcas, fiz duas vezes as Duas Horas de Guaporé e duas vezes os 500 Quilômetros de Interlagos, uma participação no Nordestão de Marcas em Caruaru, outra na Copa JR em Goiânia, três participações na Fusca Cup de São Paulo, uma nas 500 Milhas de Londrina, tive a felicidade de correr duas vezes na Cascavel de Ouro.

Foto Rodrigo Ruiz

Também corri as 100 Milhas de Piracicaba com um carro de Marcas, e antes disso tinha corrido lá, também de Marcas, numa corrida de três horas, a convite do Guilherme Reischl, que me conhecia do ambiente do Porsche Cup. Esse convite do Gui também tem uma daquelas histórias que guardo comigo como troféu. No ano passado, o Flávio Abrunhoza me abriu uma oportunidade rara de um treino com o Mercedes-Benz AMG GT4 em Goiânia, e em várias etapas da Copa HB20 participei dos treinos da sexta-feira a convite do Daniel Kelemen, que é piloto e promotor do campeonato.

Foto Arquivo Pessoal

Também treinei com uma Ginetta G55 em Santa Cruz do Sul, a convite do Adolpho Rossi e do Ésio Vichiese, mas na verdade foi um treino de poucas percepções, porque o carro teve um problema elétrico na minha segunda volta, o que por um lado me safou de avaliações alheias sobre o desempenho, que seguramente seria pífio. Também já fiz um treino de Fórmula Truck, em 2016. Antes mesmo de começar a participar de corridas, dei algumas voltas em Cascavel num carro de Fórmula 3, desafiado pelo Dárcio dos Santos. Naquele dia só acelerei nas retas e passeei nas curvas. Talvez se o Dárcio fizesse esse convite hoje eu faria besteira, então torço para que ele não me desafie (risos).

PV – Falando ainda do seu lado piloto. Tem alguma categoria na qual você ainda não andou e gostaria muito de ter essa oportunidade?

LM – Tomo a mesma resposta fácil da pergunta que você fez sobre as narrações. Para quem não é piloto de fato, acho que tenho acumulado bastante quilometragem em vários ambientes diferentes. Carro de corrida, seja um Turismo 1.6 carburado ou um Fórmula 1, fascina qualquer um. Não tenho idade, talento, dinheiro ou contatos para estar na Fórmula 1, então nesse caso me dou por satisfeito com a volta que dei na pista do Algarve num carro de dois lugares, obviamente o piloto era outro, e mesmo num modelo de umas duas décadas de vida aquilo me impressionou bastante. Foi o que me fez guardar a etapa do Porsche Cup Brasil em Portugal, oito anos atrás, como um dos eventos que vão comigo para o caixão.

Foto: Rafael Catelan

PV – Luc, poderíamos dizer que você é um “gentleman drive” certo? Hoje no Brasil temos muitas categorias na qual o grid é formado por “gentleman drive” e que não deixam a desejar em nada, com belas disputas e corridas emocionantes do início ao fim. Como piloto participante de categorias como essa, qual a receita desse sucesso?

LM – Ninguém que me conheça razoavelmente associaria a mim a figura de um gentleman, mas no caso do automobilismo seu raciocínio está correto, apesar de eu ser contrário à definição “gentleman driver”. No meu caso, destoa da realidade na questão do potencial financeiro, porque normalmente os gentlemen drivers pagam pelo hobby que têm nas corridas sem encher o saco de ninguém, o que não é o meu caso. E como não gosto de encher o saco de ninguém, participo de menos corridas que gostaria de participar. Mas um erro recorrente é associar a figura do gentleman driver a pouca competência, e isso infelizmente acontece. Particularmente, vendo como torcedor, gosto muito de tudo que proporcionam as corridas daqueles a quem vocês chamam de “gentlemen drivers”.

Foto Fernando Conto

PV – Narrar ou pilotar. Qual dessas duas atividades te deixa mais a vontade, aquela que você mais gosta de fazer?

LM – Para os dois casos, narrar. Fazer uma diversão virar ofício é um grande privilégio. É uma área de atuação muito dinâmica, em que cada cinco minutos a mais de transmissão trazem bastante aprendizado. Gosto das duas coisas, mas se tiver de escolher, escolho narrar. Um exemplo claro disso é a Cascavel de Ouro. Estive envolvido com a organização do evento nas quatro últimas edições. Em duas delas o Edson Massaro, que é o promotor, me deu a oportunidade de escolha, as duas opções à minha mão, e escolhi narrar. Nas duas que a transmissão não estava ao meu alcance, por conta dos acordos com o Fox Sports, fui para a pista. É um belo “prêmio de consolação”, não?

Foto: William Inácio

PV – Narrador e Piloto. Além dessas duas atividades, você exerce mais alguma no meio automobilístico?

LM – Além do envolvimento dos últimos anos com a Cascavel de Ouro, desde 2018 organizo a Gold Classic, que nasceu sob a ideia inicial de termos uma preliminar com pelo menos 20 carros na própria Cascavel de Ouro (e largou com 44) e hoje virou campeonato interestadual chancelado pelas federações do Paraná e de São Paulo, virou marca registrada, virou xodó de grande parte dos automobilistas do Brasil. E claro que freqüentar as corridas, manter contato com os pilotos dia a dia, fazer a ponte entre extremos que por algum motivo ainda não estão ligados, tudo isso acaba acarretando coisas. Faz dois meses que estamos todos parados à mercê de uma praga que a China exportou para o mundo e nem por isso esses dias de quarentena em casa têm sido de inatividade. Inclusive com bastante conversa sobre voltar a pilotar, mesmo sabendo que a retomada do calendário vai ser intensa ao extremo. Por falar em pilotar, peço licença para mencionar aqui os parceiros que estiveram comigo nessa jornada de 20, 30 ou quase 40 corridas até hoje, já nem sei quantas, é algo que preciso pôr no papel. O principal deles é a Inspevel – Inspeção Veicular de Cascavel, empresa do piloto campeão paranaense Joacir Alves. Esse está comigo desde a primeira corrida, aquela do Escort, e esteve em todas. Aí também vieram Grupo ODA, Casa Wireless, EMS Farmacêutica, XGlobal, Autlog, Webcontinental, Autotech, Egali Intercâmbios, Masso Alimentos, Jack’s Wash Motorcycle, Sambaíba, Yes! Couros, Abraplac Brasil, Auto Posto Maçarico… Caramba, olha só como teve bastante gente que viabilizou minha pequena história dentro da pista! E avisem ao Marcelo di Tripa, lá em Goiânia, que não esqueci que a brincadeira de 2015 só teve sequência por conta dele e que não esqueci disso. Quatro anos atrás ele cometeu um baita imprevisto que me ajudou ao extremo, pediu para não aparecer, e como faz tempo que não o vejo ele deve imaginar que não lembro mais. Lembro sim, de cada palavra daquele telefonema que, por bem ou por mal, me mantém até hoje dentro de carros de corridas.

Foto Vanderley Soares

Ficou curioso? Pois ainda temos a terceira parte desse papo show!

Foto destaque Rodrigo Ruiz

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