Cup Series – Hamlin vence corrida conturbada, após se esconder durante toda a prova

6 de outubro de 2020

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Francisco Brasil

Texto Fransciso Brasil
Colaboração Alex Leonello

O céu estava azul no estado norte americano do Alabama. O bom e velho rock’n roll da banda Lynyrd Skynyrd sempre chega para ocupar as nossas mentes e nos embalar para a 31° etapa do campeonato da NASCAR Cup Series, realizada no dia 04/10 no superspeedway de Talladega, com 2,66 milhas de extensão e que era válida pelo round of 12 da fase dos playoffs da categoria.

Cheia de história para contar e com grande patriotismo, que envolve este circuito, Degga, como é carinhosamente conhecida, também é a terra do “Big One”.

Crédito: Getty Images

Uma prova longa, veloz e com carros disputando posições acirradas, dão um toque de estratégia e sorte para está etapa. Tornando-se, de fato, uma perfeita loteria. A corrida também marcou a despedida de Brendan Gaughan, veterano das pistas, que decidiu se aposentar.

Apenas Kurt Busch, que venceu em Vegas, estava completamente garantido para o round of 8 dos playoffs. Embora as situações de Harvick e Hamlin, por pontos, deixaram os pilotos em uma situação confortável.

Ainda sem os treinos classificatórios e utilizando-se das novas regras de posicionamento da NASCAR, para o grid de largada. A pole position desta etapa ficou por conta de Denny Hamlin e seu Toyota Camry número 11, da equipe de Joe Gibbs.

Ao fim das cerimônias iniciais, e a ordem de ligar os motores, a bandeira verde foi finalmente agitada, dando início a prova.

Estágio 1 – 60 voltas – Hamlin escondido

Como de praxe, as voltas iniciais são marcadas pelas disputas lado a lado. Mas parece que os índios queriam confusão já que, ainda na primeira volta, Christopher Bell roda sozinho por um furo de pneu e é coletado por Tyler Reddick, acionando a primeira bandeira amarela.

Relargada na volta 5 e Hamlin, ainda se mantém à frente, alternando as filas. Porém a sequência de voltas é interrompida na volta 9, quando Rick Stenhouse Jr bate forte no muro interno, após toque de John Hunter Nemecheck. Nova amarela.

Bell e Stenhouse são cartas fora do baralho quando a verde retorna no giro 13. Hamlin ainda lidera o pelotão, mas nem uma volta é completada quando Corey LaJoie para na pista, por problemas em seu carro. E temos a terceira amarela.

Volta 16 e Hamlin ainda aparece na prova, até que dois giros depois, Joey Logano vem para a disputa e assume a ponta. Mas estamos em Talladega e a liderança se alterna, com participações de Matt DiBenedetto e Aric Almirola.

Após uma boa sequência de voltas, o giro 26 traz consigo a bandeira amarela da competição. Os pilotos param para os ajustes. Na área do pit, Clint Bowyer quase bate em Matt Kenseth, enquanto Almirola sai na frente de todos.

Hamlin é quinto, ao passo que Chase Elliott é punido por excesso de velocidade. Kyle Busch errou seu espaço e perdendo um bom tempo, indo para as posições finais no pelotão.

Relargada na volta 31 e os protagonistas da vez são: Almirola e DiBenedetto. A partir desse ponto, Denny Hamlin sai do pelotão principal e fica quietinho lá no fundão.

Enquanto Hamlin se esconde, a briga pela liderança segue bem animada, com diversos pilotos na disputa. Erik Jones é um deles, mas se perde da fila e vai para o final do pelotão, deixando a liderança momentânea para Kyle Busch, restando 11 voltas para o término do estágio.

Na parte final do segmento temos 3 filas, quando Bowyer é outro que abre mão de posicionamento para evitar confusões e se esconde no final da fila.

Faltando apenas duas voltas pro estágio acabar, Alex Bowman toca em Almirola, então líder, que bate no muro e chama outra amarela, contabilizando cinco bandeiras. Logano, que vinha atrás dos dois, contribuiu para o toque e consegue escapar com poucos danos. Diferente de Kyle Busch que ficou engavetado, chegando a levantar as quatro rodas do chão e acertou Ryan Blaney.

No meio do caos, Chris Buescher vence o primeiro segmento com: Logano, Austin Dillon, Brad Keselowski e Chase Elliott fechando o top 5.

Estágio 2 – 60 voltas

Austin Dillon para, ainda com o box fechado, pois o piloto também sofreu com os danos da batida anterior.No ciclo normal quem se deu bem foi Elliott, novo líder. Enquanto Hunter Nemecheck é punido, por velocidade, e Kevin Harvick – outro que se escondia – tem um pneu descontrolado.

O estágio começa pra valer na volta 65, mas dois giros depois outra amarela, indo mais uma bandeira para coleção. Dessa vez com o pneu estourado de Kyle Busch, que continuava buscando resultados, apesar dos danos, espalha detritos na pista.

Relargada na volta 74 com Buescher líder, porém conta com a iminente presença do piloto Erik Jones que traz Michael McDowell. Algumas tentativas de criar uma terceira fila são feitas, porém sem sucesso.

E finalmente temos paradas em verde com os carros Chevrolet, na volta 87, no momento que McDowell abandona a prova por problemas mecânicos. E no giro seguinte, quando o líder

Jones para no seu pit stop, uma nova amarela surge provocada por Ryan Blaney, após seu pneu ter estourado fazendo com que o piloto batesse no muro, deixando detritos na pista.

As paradas acontecem, mas Elliott segue líder para a relargada na volta 93. Nova tentativa de terceira fila, mas ainda não tem força suficiente.

A terceira fila ganha força quando restam 12 voltas para acabar o segmento, foi quando a estrela da festa aparece: o Big One.

O Big One

Tudo começa no início do pelotão, quando Clint Bowyer acerta a traseira de Jimmie Johnson que coleta Kurt Busch. Buschão chega a decolar por cima de Cole Custer e Ryan Preece.

O saldo do acidente são 13 carros envolvidos: Kurt Busch, Cole Custer, Brendan Gaughan e Daniel Suarez ficaram por ali mesmo. Clint Bowyer, Brad Keselowski, Austin Dillon, Ryan Blaney, Brennan Poole, Ryan Preece e Joey Gase conseguem escapar, , assim como Jimmie Johnson e ele, Kyle Busch, que mais uma vez foi coletado.

Por conta dos destroços a bandeira vermelha é acionada na volta 109. Após a limpeza da pista, temos bandeira verde no giro 114 com a liderança de Elliott, mas com a presença de Logano e DiBenedetto, que escaparam do Big One.

https://twitter.com/NASCAR/status/1312851298220294144

Logano é líder, porém é superado por Tyler Reddick numa excepcional manobra, praticamente um “drible”. O movimento fez Logano desequilibrar e forçar DiBenedetto para baixo da linha dupla, que delimita a pista, gerando punição para o #22.

Mesmo com a bela manobra de Reddick, é Martin Truex Jr quem cruza em primeiro. Keselowski, Buescher, Elliott e Hunter Nemecheck completam os cinco primeiros.

Estágio Final – 68 voltas

Truex mantém a primeira posição na saída do Pit, no momento que Austin Dillon retorna à pista a tempo da relargada, na volta 126. E as batalhas recomeçam.

Com três filas, novas caras surgem na briga pela ponta, como Bubba Wallace e Matt Kenseth. Com isso, a alternância na dianteira é gigante, até que restando 41 voltas para o fim, Jimmie Johnson chama outra amarela por soltar detritos na pista.

Os pilotos aproveitam para parar, mas isso não garante autonomia até o fim, uma vez que a janela de combustível gira em torno de 36, 38 voltas.

Logano relarga como líder faltando 36 voltas, quando Hamlin, outra vez, se esconde no fim do pelotão. Byron, Preece e Elliott se revezam na ponta com Logano e Keselowski

Agora é pra valer, com três filas as brigas ficam mais intensas, sem favoritos. As voltas são completadas com um líder a cada metro, numa disputa insana.

Restando 9 voltas é a vez de Bubba Wallace bloquear Logano para ser líder. Mas não dura muito, pois o #43 acaba batendo no muro, após toque de Preece. Faltando apenas 6 giros para a quadriculada, James Davison chama a amarela de número 11, logo após a quebra de motor. Recorde de amarelas igualado.

Overtime – Estratégia de Hamlin

A relargada é em regime de Overtime, com Logano e DiBenedetto a frente do pelotão. Contudo logo Elliott surge para a disputa, isso tudo em meia volta. Até que antes da bandeira branca, outro Big One surge. Reddick acerta Kyle Busch que pega Logano e outros pilotos, como Truex e Harvick.

Esse acidente tira Kyle Busch, não só da disputa, mas de uma prova que o americano correu  riscos como um verdadeiro campeão. Situação complicada para o #18 no playoff.

Nova bandeira vermelha que vêm junto de outra punição a Logano, que foi acusado de forçar Elliott para fora da pista.

Na amarela, Elliott e DiBenedetto ficam, enquanto Hamlin – que se manteve lá atrás – vai para o pit abastecer.

Overtime 2

Nova relargada com Preece ajudando Elliott, mas DiBenedetto insiste na liderança. Até que outra amarela surge pela batida de Bubba Wallace no muro, novamente tocado por Preece, que leva Kenseth, Austin Dillon e Blaney.

Dessa vez é Elliott quem vai se garantir no combustível, ao passo que DiBenedetto se mantém na pista com Hamlin.

Overtime 3 – Hamlin vem pra vitória

Na relargada Hamlin fica para trás, se escondendo da batalha e deixando DiBenedetto na briga com Buescher. Os pilotos finalmente recebem a bandeira branca quando o carro #27 bate no muro.

Crédito: Getty Images

No embate pela vitória, Jones encosta em Buescher e DiBenedetto com Byron. Quando Hamlin – numa manobra evasiva por baixo da linha dupla – desvia de todos para cruzar em primeiro. DiBenedetto passa em segundo, por 0,083 milésimos, e Jones passa em terceiro.

Mas o resultado foi extremamente impactado pelas punições. DiBenedetto finaliza em 21°, pois a NASCAR entendeu que ele forçou Byron para fora da linha. A mesma NASCAR puniu Elliott por passar por baixo da linha, mas revogou e passou a punição para Buescher, por forçar o #9 para fora.

Vaias marcam o fim

Apesar da manobra, no mínimo questionável, a NASCAR declara Denny Hamlin como vencedor, o que lhe garante passagem para o round of 8.

Erik Jones, Ty Dillon, William Byron e Chase Elliott completam o top 5, marcado por inconsistências da categoria.

E já na próxima semana, o encontro das feras é no Roval de Charlotte, a última etapa do round of 12, onde só a vitória interessa para Kyle Busch, Austin Dillon, Clint Bowyer e Aric Almirola. O pulso ainda pulsa.

Francisco Brasil

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