Daniil Kvyat: A triste falta de carros para todos os bons pilotos

16 de dezembro de 2020

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Colaboradores Planeta Velocidade

Texto de Márcio de Luca
Instagram: @marciodelucafotografia

O ano foi 2014, quando o mundo presenciou a entrada de apenas o segundo piloto russo na Fórmula 1 e este era Daniil Kvyat (o primeiro foi Vitaly Petróv em 2010), uma jovem promessa do programa de jovens pilotos da Red Bull, que demonstrava capacidade de sobra para estar na Fórmula 1

Kvyat em 2014 no GP de Silverston – Foto: Flickr Jake Archibald

Kvyat que em 2013 havia feito uma ótima temporada na antiga GP3, tomou um lugar quase certo do português Antônio Felix da Costa, que também despontava no automobilismo mundial. Em seu primeiro ano de F1 pela Toro Rosso (hoje AlphaTauri), o russo marcou oito pontos, suficiente para o deixar na 15ª colocação do mundial daquele ano.

Seu desempenho nada mal para uma estreia o fez alçar voo no ano seguinte para a grande Red Bull Racing, que estava com um cockpit vago devido a ida de Sebastian Vettel para a Ferrari. O russo então faria dupla em 2015 com Daniel Ricciardo. Ambos terminaram respectivamente no sétimo e oitavo postos (95 a 92 pontos), o que seria um grande ânimo para o piloto, mas não o suficiente para a equipe, que vinha de uma sequencia de quatro campeonatos de construtores e quatro de pilotos com o piloto alemão que rumava para a Itália.

A queda de Kvyat

E eis que chegamos a 2016  e com ele, um duro golpe na carreira de Kvyat: após a quarta corrida da temporada, o GP da Rússia sua terra natal, o piloto foi despromovido para a Toro Rosso, cedendo lugar para a estrela em ascensão Max Verstappen. O detalhe é que naquela ano, Kvyat já ido ao pódio no GP da China, o que gerou um grande burburinho no padock da F1, pois foi visto como prematura a atitude da equipe.

Acidente com Vettel na Rússia causou seu rebaixamento – Foto: Google Imagens

Ainda assim o piloto terminaria o ano na 14ª posição marcando 25 pontos.

Chegamos a 2017 e este foi um ano ainda mais duro: a equipe que era empurrada por motores da Ferrari, não conseguiu produzir um carro realmente bom, o que fez com que Kvyat marcasse apenas cinco pontos durante todo o campeonato, encerrando o ano na vice-lanterna do mundial de pilotos, fazendo com que sua carreira na categoria fosse momentaneamente pausada.

No ano seguinte, como já conhecia os motores italianos, rumou para a Ferrari e foi ser piloto de desenvolvimento, algo que o manteve no padock da Fórmula 1 e sempre perto da movimentação dos times, o que lhe rendeu uma nova chance de voltar como titular em 2019 na Toro Rosso, equipe com quem já estava bem familiarizado e poderia contribuir para o desenvolvimento do carro e da equipe como um todo, pois apesar de jovem, já acumulava uma certa experiência.

Em 2019 o piloto encerrou o ano na 13ª posição com 37 pontos, o que lhe garantiu acento na temporada seguinte, cujo campeonato se encerrou a poucos dias, com Kvyat finalizando na 14ª posição com 32 pontos, não suficiente para o garantir no time e desta forma, permanecer na Fórmula 1.

O futuro do russo

Kvyat na sua corrida de despedida da F1 – Foto: Google Imagens

Sendo realista, Kvyat não é um piloto diferenciado, mas suas qualidades (tal como as de Sérgio Perez que também ainda não tem um cockpit garantido para 2021) o habilitaria tranquilamente para um posto no grid do próximo ano. É verdade que as equipes do grupo da Red Bull não colocam pilotos pagantes em seus cockpits, mas a Honda, que está de saída da categoria, queria colocar alguém da sua base na Fórmula 1 e a entrada de Yuki Tsunoda na AlphaTauri, pode ser inclusive um grande sinal que a Red Bull assumirá o desenvolvimento dos motores nipônicos após a temporada 2021 (fala-se até da ida de Toyoharu Tanabe, responsável pelo programa da Honda na F1 para a Red Bull em 2022), quando a Honda sai novamente de cena na F1.

De qualquer forma, o piloto que hoje está com 24 anos de idade, ainda tem bastante lenha para queimar e uma das suas possibilidades para a 2021 é voltar ao posto de piloto reserva, para tentar um retorno ao grid em 2022, quando entram em cena novas regras na categoria.

De qualquer forma, esta é mais uma cena que mostra o quão injusta as vezes é a Fórmula 1, com pilotos no grid com qualidades inferiores, porém com bolsos mais recheados. Não é o caso da equipe que ele acaba de deixar, mas é algo já intrínseco na categoria e que infelizmente não deverá mudar nunca.

Colaboradores Planeta Velocidade

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