Entre Pits #31 – Hélio Castroneves

15 de agosto de 2020

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Francisco Brasil

Por conta da pandemia de COVID-19 a maior prova do automobilismo mundial, as 500 Milhas de Indianápolis, será disputada no próximo dia 23 de agosto.

 E para celebrar sua 104° edição, nada melhor que conhecer um pouco mais da carreira do maior vencedor em atividade dessa prova e um dos brasileiros mais bem sucedidos no automobilismo mundial. É com muita satisfação que o Planeta Velocidade traz a palavra do “Spiderman” Hélio Castroneves.

 Planeta Velocidade – Você é considerado um dos melhores pilotos brasileiros em atividade, mas como começou sua carreira?

 Hélio Castroneves – Minha carreira começou pelo meu pai sendo um apaixonado pelo automobilismo, eu acabei sendo contagiado por ele.

De 1987 até 1991 permaneci no Kart, passei para Fórmula Chevrolet em 1992, depois pra Fórmula 3 Sul-americana – 1993/94 – e fui para Europa continuando na Fórmula 3 inglesa em 1995. Acabei sendo convidado pra participar na Indy Lights nos USA em 1996/97 e me graduei pra Fórmula Indy em 1998.

PV – Chegou a ter alguma possibilidade real de correr na Fórmula 1? O que faltou?

Hélio – Em 2002, testei o carro da Toyota em Paul Ricard. O carro serviu para mim como uma luva, adorei, e andei bem rápido. Para você ter uma ideia, a equipe precisou ligar para a Alemanha e pedir autorização para eu continuar andando, pois em pouco tempo já estava no limite do equipamento. Foi uma experiência incrível e mostrou que eu poderia ter ido para a F1. Mas o problema era a política. Quando cheguei na pista, achava que estava sendo avaliado para a equipe escolher o piloto do ano seguinte, mas lá mesmo me informaram que o Cristiano da Matta tinha assinado. Como já estava lá mesmo, resolvi me divertir. Os mecânicos até me aplaudiram quando encerrei o treino. Até surgiu um papo de piloto de testes, mas eu estava bem na Penske, já tinha vencido a Indy 500 por duas vezes e não quis abrir mão de tudo o que tinha conquistado. E foi a melhor coisa, pois todos vimos o que fizeram com o Cris e estou aqui até hoje.

PV – Sua carreira no automobilismo americano é bastante sólida. Como você chegou nos EUA?

Hélio – Um dos Patrocinadores que eu tinha (Philip Morris) montou um Brazilian team em 1996. E foi quando ingressei nesse time, que era a Tazman Motorsport, onde aprendi muito e agradeço ao dono da equipe Steve Horne por acreditar em mim também.

PV – Na sua opinião, qual foi a sua melhor corrida na INDY, fora suas conquistas nas 500 milhas?

Hélio – As (500 milhas) de 2008/2014/2017. Eu terminei em 3°/2°/2°, mas consegui fazer com que o carro chegasse no limite.

PV – E falando de 500 milhas de Indianápolis, qual das suas vitórias foi a mais marcante?

Hélio – 2009 por ser a mais recente e pelas circunstâncias fora do meu controle. Perdi a primeira etapa do campeonato e nem sabia se ia estar naquele campeonato, e quando abro os olhos estou no pódio segurando a garrafinha de leite e comemorando.

PV – Você disse em entrevista recente que está liberado pela equipe Penske para procurar novos caminhos a partir do ano que vem, por conta do fim da parceria entre Penske e Acura. Essa procura já começou?

Hélio – Sim, já estou me comunicando e aqui em Indianápolis vou seguir conversando, ao mesmo tempo será importante a classificação e óbvio um resultado expressivo que pode fortalecer qualquer possibilidade.

 PV – Ainda sobre essa declaração, ficou a impressão de que você prefere voltar à INDY. Essa realmente é sua vontade?

 Hélio – Vou estar contente correndo, mas claro que se tiver oportunidade de voltar pra Indy, dependendo da situação, seria fantástico!

 PV – A Penske ainda estuda manter uma equipe no IMSA, mesmo que seja nas categorias de GT?

 Hélio – Não

 PV – Automobilismo brasileiro te desperta interesse? Correr de Stock Car por exemplo?

 Hélio – Sim, a Stock Car foi a razão da minha paixão pelo automobilismo. Tive algumas experiências e seria fantástico participar também com tantos talentos.

 PV – Qual equipe da INDY seria interessante para você? Uma estrutura sólida como da Ganassi, mas “enfrentar” Scott Dixon ou apostar, por exemplo, numa Mclaren em franca expansão mas que aposta em pilotos jovens?

 Hélio – Na posição que estou e a experiência que tenho, acredito que ajudaria ambas.

PV – Qual conselho você daria para as novas gerações de pilotos brasileiros?

 Hélio – O Automobilismo vem mudando com tanta tecnologia, e simuladores praticamente estão aproximando muita gente. Por esse motivo eu  não dispensaria em concentrar nos estudos também, pois isso pode ajudar muito em estratégia e correr com mais inteligência .

 PV – Por fim, gostaria de deixar um recado para seus inúmeros fãs no Brasil?

 Hélio – Agradecer sempre o apoio de todos! Pensar positivo para q podemos celebrar mais uma Indianápolis juntos!

Francisco Brasil

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