NASCAR Xfinity – Chase Briscoe supera dor e protagoniza disputa emocionante na última volta e vence em Darlington

22 de maio de 2020

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Francisco Brasil

A primeira semana da NASCAR após o hiato causado pela pandemia terminou nesta quinta, com a prova da Xfinity Series, contando com um final espetacular.

A exemplo da Cup Series, o grid da prova foi definido por sorteio, sendo que os 12 primeiros da tabela tinham a oportunidade de largar da pole. Sorte de Noah Gragson (#9) que largou da ponta, e azar do então líder do campeonato Harrison Burton (#20) que ficou em 12°. As demais posições também foram definidas do mesmo modo, sendo divididos entre o grupo do 13° ao 24°, e os demais no último sorteio.

Estágio 1

A chuva novamente atrapalhou os planos da corrida, que deveria ter acontecido na noite de terça-feira, sendo adiada para quinta às 13h (Brasil), mas só teve a bandeira verde agitada às 18h.

Gragson pula na frente, seguido de um eficiente Ryan Diego (#39) diferente de seu companheiro de equipe e primeira fila, Michael Annett (#1), que caiu para quinto.

A corrida transcorria normalmente, com destaque para Kyle Busch (#54) que rapidamente chegou ao top 10, estando em 5° quando a bandeira amarela de competição foi acionada na volta 16.

A verde retorna no giro 24 com Gragson soberano na frente até que, faltando 12 voltas para o fim do estágio de 45, Timmy Hill (#61) da um toque em Myatt Snider (#93) que bate forte no muro, causando nova amarela.

Giro 39 e a verde volta a ser agitada, mas ninguém consegue alcançar Gragson, que fatura essa primeira parte, seguido de Ross Chastain (#10), Ryan Diego (#39), Austin Cindric(#22) e Kyle Busch fechando o top 5.

Estágio 2

Nova rodada de paradas nos pits e Kyle Busch ganha a primeira posição na saída dos Boxes, com Gragson, Chastain e Justin Allgaier (#7) já figurando entre os ponteiros.

De volta a ação, Busch dispara na ponta, deixando a briga a partir de Allgaier. A ação fica por conta de Chastain e Cindric, que trocam de posição e tinta a cada volta.

Quem se aproveita é Chase Briscoe, que cresce na corrida, mas não a tempo de ameaçar o #54, que vence de forma tranquila o morno segmento 2, seguido de Allgaier e Gragson.

Estágio final

Nova rodada de paradas sem grandes mudanças, até que… Kyle Busch é punido por excesso de velocidade, perdendo a primeira posição para largar no fim do pelotão. Prejuízo ainda maior pois, além de estar atrás dos retardatários, a chuva estava batendo à porta do circuito.

A verde é deflagrada na volta 90, com Allgaier e Briscoe disputando a liderança. No giro 96 os pilotos reportam uma leve garoa, mas isso não impede Briscoe de partir pra cima e tomar o primeiro lugar de Allgaier.

Enquanto isso, Kyle Busch já recuperava terreno e aparecia em 14°, sendo o mais rápido da pista. Na frente, Briscoe chega a abrir 1,5 segundo, mas Allgaier não se dá por vencido e consegue chegar para a batalha, faltando 23 voltas para o fim da prova.

Na briga pela terceira posição, Gragson e Daniel Hemric (#8) se tocam e raspam no muro. Melhor para Annett que assistia de camarote e passa os dois. Na ponta, a briga entre Allgaier e Briscoe se intensifica, com direito a toque do Camaro #7 no muro, e “X” do Mustang #98 de Briscoe.

Faltando 15 voltas para o término, Annett roda sozinho ao tentar passar um retardatário enquanto se defendia de Gragson. Todos os pilotos procuram os pits, com Briscoe mantendo a ponta, seguido de Allgaier, Kyle Busch e Austin Cindric.

Faltando apenas 9 voltas, a verde volta a ser agitada e Briscoe se mantém à frente, seguido de Busch que vem numa recuperação espetacular. Allgaier ainda tocou em Briscoe na relargada, mas acaba caindo para terceiro.

Chegamos a penúltima volta, que fez valer a prova toda. Kyle Busch chega com tudo e passa Briscoe na linha de chegada para abrir o último giro. Chase Briscoe não se dá por vencido e acha um mínimo espaço entre o Supra #54 de Busch e o muro.

A disputa continua até os metros finais, com Briscoe segurando o bicampeão da Cup Series, com direito a toques e salvadas de ambos. É a segunda vitória do piloto no ano. Allgaier, Cindric e Gragson fecharam o top 5.

Mas essa vitória tem dois lados para Briscoe.

O piloto e sua esposa esperavam um filho, sendo que no último dia 19 (que seria a data original da prova), numa ultrassonografia de rotina, foi constatado que o feto de 12 semanas não apresentava batimentos cardíacos. Briscoe disse ao fim da prova, em lágrimas, que era seu melhor dia, após o pior dia da sua vida. Superação e profissionalismo que abrilhantaram ainda mais a belíssima vitória de Chase.

Opinião Francisco Brasil

A última relargada valeu pela prova inteira. A disputa entre Briscoe e Buschinho foi linda, com tudo o que a NASCAR permite e dentro de um respeito enorme de ambos. Ainda mais na situação emocional de Chase, com a perda do filho ainda em gestação, que desabou em choro ao lado do carro após uma apresentação de gala. São esses momentos, essa entrega, que nos mostram que a dedicação desses pilotos é incrível e digna de aplausos. Parabéns também a esses homens e mulheres que nos ensinam que a dedicação eleva nosso patamar.

Opinião Alex Leonello

Eu poderia definir a atuação de Chase Briscoe nesta prova de retorno da Xfinity Series em Darlington com muitos adjetivos, mas vou escolher apenas um, qual seja, gigante!

Ele não apenas andou e pilotou como nunca para vencer a dama de preto, mas também segurou firme a sua posição de líder enquanto ninguém menos que o bicampeão da Cup Series, Kyle Busch, literalmente “babava em seu cangote” por pelo menos duas voltas inteiras, sem se deixar abater ou ultrapassar. Foi um duelo de gigantes, onde um jovem rapaz de apenas 25 anos, triste pela dor de sua perda, mostrou bem o outro lado da moeda a todos os críticos da participação de pilotos das categorias superiores nas de base, pois ficou evidente que estes ensinamentos, além de trazerem um doce especial à conquista, só poderia vir dos mais experientes. O que vimos foi o automobilismo em sua mais pura essência, para fechar com chave de ouro estes dias de disputa no estado da Carolina do Sul. Por mais vitórias dos pilotos das categorias de base sobre os da Cup, pois esta é a receita que prova que a ideia deu certo e os pequenos já viraram gente grande.

Opinião Marcos Amaral

Mais uma categoria da NASCAR retornando as pistas, desta vez foi a Xfinity, e não fez feio não. Uma corrida bem movimentada, com Kyle Busch no grid. Desta vez o #54 se rendeu ao jovem Chase Briscoe. Mais um final de corrida de tirar o folego, estilo NASCAR.

Mas não para por aí, na próxima terça-feira, os pilotos já estarão correndo em Charlotte, na Carolina do Norte.

Até lá!

Francisco Brasil

Francisco Brasil

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