NASCAR Xfinity Series – Harrison Burton esquenta playoff com “payback” perfeito.

25 de outubro de 2020

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Alex Leonello Teixeira

Em mais um final de semana recheado de velocidade e decisão, a NASCAR reúne suas três principais categorias no oval de 1,5 milhas situado em Fort Worth, no estado do Texas.

Photo by Chris Graythen | Getty Images

E as primeiras feras se apresentarem para este verdadeiro duelo foram os pilotos da Xfinity Series, no sábado, dia 24/10.

Revisão Francisco Brasil
Foto destaque Chris Graythen/Getty Images

Vale relembrar que esta era a antepenúltima prova da fase dos playoffs do campeonato, e o único competidor que corria de camarote na pista era Chase Briscoe, depois de ter vencido no Kansas, já está automaticamente garantido para a grande final em Phoenix.

E por falar em Chase Briscoe, o garoto revelação desta temporada, é possível dizer que esta última semana foi uma das mais importantes para a sua carreira, uma vez o mesmo foi anunciado como o mais novo piloto do tradicionalíssimo Ford Mustang número 14 da equipe Stewart Haas Racing na Cup Series, depois do anúncio de aposentadoria de Clint Bowyer.

Ainda sem treinos e de acordo com os critérios das novas regras da NASCAR, a pole position para esta etapa ficou justamente nas mãos do finalista Chase Briscoe, com Justin Haley dividindo a primeira fila.

Estágio 1 – 45 voltas

Photo by Brian Lawdermilk/Getty Images

Quando o pano verde foi finalmente agitado, dando início a primeira das 200 voltas programadas, Briscoe manteve a liderança, seguido de perto por Brandon Jones.

A primeira bandeira amarela acontece já na volta 11, devido a um toque entre os pilotos Anthony Alfredo e Jeb Burton.

Austin Cindric e Justin Haley trocam Bumps e a bandeira amarela de competição é acionada na volta 20.

No decorrer da prova, Briscoe passa a ter que lidar com a aproximação de Brandon Jones. Contudo, na volta 35, com problemas na suspensão traseira direita de seu Ford Mustang, Briscoe é obrigado a dirigir-se até às garagens para reparo, sob bandeira verde, perdendo várias voltas e dando adeus as chances de vitória.

A próxima intervenção só se deu na volta 40, depois de David Star ter espalhado fluidos pela pista.

Vários pilotos aproveitaram a oportunidade para buscar os boxes.

Com a relargada dada para apenas uma volta, os demais pilotos até tentaram e, em que pese todas as disputas de pista, Brandon Jones cruza na frente a linha de meta para vencer o primeiro estágio da competição, no giro 45.

Photo by Jared C. Tilton/Getty Images

Estágio 2 – 45 voltas

Harrison Burton relarga na frente e trava um belo duelo com Noah Gragson, onde o piloto do carro 9 leva a melhor ao fim de várias voltas.

Ainda assim, a briga pela ponta travada entre esses dois pilotos se prolongou, até que Burton finalmente recupera a ponta para não mais perdê-la até receber na frente a bandeira quadriculada verde e branca que lhe dava a vitória do segundo segmento da prova, na volta 90.

Estágio Final – 110 voltas

Quando a ação é retomada, Burton se mantém na frente, mas seguido de perto por Justin Allgaier que, logo depois, assume a ponta.

Contudo, na volta 107, Burton perde o controle do carro, roda e vai para a grama interna do circuito, causando mais uma neutralização da prova.

Allgaier manteve a ponta na relargada e uma nova bandeira amarela foi acionada na volta 132, depois que Riley Herbst, que vinha no 8° lugar, vai forte para o muro na curva 2.

A maioria dos pilotos voltam aos boxes para reabastecimento e troca de pneus.

Photo by Jared C. Tilton | Getty Images

Jeb Burton, que não havia trocado pneus, relarga na frente da consegue sustentar a posição. Mas Ross Chastain vem se aproximando e, na volta 142, ultrapassa Jeb para assumir a liderança da prova.

A ideia de manter os pneus usados mostrou-se errada depois que um furo leva Jeb Burton para o muro na volta 158, trazendo a necessidade de nova intervenção na prova e de uma outra rodada de pit stops.

Haley volta à pista na frente e, na relargada, se vê numa grande disputa entre os pilotos, onde Chastain recupera várias posições e Cindric raspa o muro de proteção.

Um enrosco que entre Myatt Snider e Joe Graf Jr, no giro 170, é o causador de outra neutralização de prova.

Com a prova retomada e o fim se aproximando, chega a vez de Cindric se tornar o ponteiro. Contudo, como amarela gera amarela, um contato de Chastain e Allgaier na pista provoca uma rodada, onde Jones é também atingido. O piloto do Chevrolet Camaro da equipe de JR a buscar a garagem.

Depois da limpeza da pista, a bandeira verde é finalmente acionada e quem brilha nessa hora é Noah Gragson, que assume a ponta e traz consigo Anthony Alfredo.

A corrida se estabiliza e parece eatar finalmente decidida. Outrossim, sabemos que a NASCAR não funciona assim e, restando 2 voltas para o final, Harrison Burton aparece como um foquete, assume a segunda colocação e parte forte para cima de Gragson.

A última volta é aberta e a pressão sobre o líder aumenta, até que, já na curva 4, Burton conclui a ultrapassagem para assumir a ponta e, logo depois, cruzar a linha de chegada.

Photo by Brian Lawdermilk/Getty Images

Assim, em um fim de prova digno de um desfibrilador em plena potência, Harrison Burton vence a etapa do Texas.

Na segunda colocação completou a prova Noah Gragson e, fechando o top 3, recebeu a bandeira quadriculada Anthony Alfredo, em uma excelente atuação.

Em sua entrevista após o fim da corrida, Burton declarou que:

“Tínhamos um carro muito rápido. Eu nunca dirigi nada mais difícil do que a última curva na minha vida. Não sei como funcionou. Eu perdi minha voz – eu estava gritando. Puxa, isso é especial. Eu nunca desisti e voltei e ganhei, então isso é legal”.

“Estávamos obviamente ultrapassando os limites de velocidade o dia todo. É mais ou menos isso que viemos fazer, para ser rápidos, para vencer nossa primeira etapa do ano, o que foi um bom sinal, e nossa velocidade”.

Photo by Jared C. Tilton | Getty Images

“O que fizemos na última volta foi incrível. Eu não sei como isso aconteceu, mas estou muito feliz que aconteceu. Que lugar legal para vencer. Vamos para casa com chapéus de cowboy”

Em um clima absolutamente oposto, Gragson disse que:

“Sinto como se tivéssemos um carro rápido lá. Fiquei um pouco tenso o tempo todo. Apenas frustrado comigo mesmo. Eu estava bem apertado lá no final. Eu vi o Alfredo segurando o Harrison e pensei que estávamos fugindo. Daí eu vi o 20 passar o 21 e me atropelar em duas voltas”.

“Eu sabia que ele estava vindo, mas não esperava que ele chegasse lá. Eu não sei. Frustrado, mas grato pela minha equipe. Iremos para Martinsville definir pois gosto muito dessa pista”.

Com este resultado, a classificação dos playoffs é a seguinte:

1 – Chase Briscoe – 3.173 (garantido por vitória para a final);
2 – Brandon Jones – 3.150 pontos;
3 – Justin Allgaier – 3.147 pontos;
4 – Justin Halley – 3.142 pontos;
5 – Austin Cindric – 3.137 pontos;
6 – Ross Chastain – 3.115 pontos;
7 – Rian Sieg – 3.090 pontos;
8 – Noah Gragson – 3.080 pontos.

Opinião Alex Leonello

Em meio a todas as pressões aos participantes dos playoffs, um não finalista vence a prova e coloca uma batata quente nas mãos dos demais.

Para piorar, depois de uma prova bastante movimentada Noah Gragson, que atualmente é o pior classificado dentre os finalistas, esteve muito perto de vencer esta etapa e estar automaticamente classificado para a disputa do título em Phoenix.

Enquanto Briscoe é o único que segue sem riscos, para Gragson apenas a vitória interessa em Martinsville, uma das pistas que lhe agrada, como declarado por ele ao fim da etapa.

Cindric saiu da zona de classificação, mas nem tudo está perdido para ele.

Subestimado, inclusive pelo líder Noah Gragson, Harrison Burton brilhou no final para vencer a prova e conquistar, enfim, a sua primeira vitória da temporada.

Festa na equipe de Joe Gibbs.

A última e derradeira etapa do round of 8 da Xfinity Series tem tudo para ser muito disputada, principalmente por se tratar de uma pista curta e estreita.

Opinião Francisco Brasil

O que aconteceu com Gragson? A vitória e, consequentemente, sua classificação para a grande final estavam em suas mãos e o piloto do #9 “amarelou”.

Amarelou no sentido de ter perdido o foco, sei lá. O que sei é que o soco que Gragson deu em Burton foi revidado em grande estilo: na pista. Com certeza essa ultrapassagem foi um soco no estômago de Gragson.

Opinião Lorenzo Francez

A segunda corrida da semifinal dos playoffs, foi emocionante, com muitas nuances que toda corrida de Nascar tem. Contudo a emoção da briga pela vitória passa pelos problemas que Chase Briscoe teve no final do primeiro seguimento. Fica claro que Briscoe é um piloto diferenciado e o grande favorito ao título. Com ele “fora” da corrida, a disputa ganhou muito em emoção, principal para Gragson, Chastain, Allgaier e Cindric. Mas Allgaier e Chastain se envolveram num acidente e deram adeus a chance de vitória. Cindric perdeu rendimento e também não chegou a disputar a vitória. O melhor dos playoffs na corrida foi Noah Gragson que lidera até 200 metros para o fim da corrida, mas acabou sendo ultrapassado e perdeu a corrida e a classificação para a final, já que por pontos fica bem difícil passar.
Ou seja os pilotos foram valentes mas a tensão e ansiedade acabou atrapalhando na busca de um bom resultado.

A próxima etapa da Xfinity Series ocorrerá no dia 31/10 (feriado de Halloween), no oval de 0,5 milha de Martinsville, no estado norte americano da Virgínia.

As bruxas vão estar soltas.

Até lá!

Alex Leonello Teixeira

Alex Leonello Teixeira

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