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Entre Pits #47: Bruna Tomaselli

30 de janeiro de 2021

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Keko Gomes

Continuando com a série de entrevistas com as mulheres no automobilismo.

Entre Pits traz uma brasileirinha que tem um talento gigantesco, além de correr nas Milhas no último domingo (24/01), também vai correr na W-Series, é a F1 feminina. Natural de Caibi/SC, já passou por diversas categorias no automobilismo brasileiro e internacional, inclusive foi a primeira piloto feminina a vencer uma etapa do Endurance Brasil

Nosso bate papo foi com Bruna Tomaselli.

Planeta Velocidade –  Como e onde você focará sua temporada de 2021, uma vez que participará da W Series?

Bruna Tomaselli – Então, vou focar na W-Series,  como é uma grande oportunidade pra mim. Vai ser um carro novo, pistas novas, meu foco total vai ser na categoria, tô me preparando, fazendo alguns treinos para chegar lá mais preparada. Já vinha fazendo isso ano passado, o endurance do ano passado foi como uma forma de preparação. E agora esse ano tentar continuar os treinos para chegar lá o melhor possível. 

 PV – Você já está há alguns anos competindo lá fora, mas tem participado de provas no Brasil, como o Endurance Brasil e agora a Mil Milhas: qual a real diferença entre correr aqui e correr nos EUA, por exemplo?

BT – Lá fora eu participei da USF2000, era um evento que fazia parte do final de semana das corridas da indy, então o tamanho do evento lá fora e todas as atividades extra pistas que a gente tinha, era um pouco diferente, além do carro também.  Lá eu andava de fórmula, aqui no brasil eu acabei competindo no endurance em um protótipo, mesmo parecido já muda um pouco. Mas gostei muito de participar do Endurance aqui no Brasil ano passado, é um campeonato muito bem organizado, muito disputado,  nós disputamos pódio na grande maioria das etapas, brigamos pelo título na categoria até a última prova, mas acabamos ficando com o segundo lugar, mas foi muito bacana. 

USF2000

Voltando às diferenças, acredito que a maior delas seja isso, lá tem muita atividade fora da pista, a USF2000 fazia parte do programa Road to Indy, além também do prêmio em dinheiro para o campeão da categoria para ele seguir carreira, para poder subir de categoria. Algo que eu acho muito importante, por que muitos sem essa premiação não conseguiriam continuar a carreira.

 PV – A US F2000 foi o diferencial para você conseguir a vaga na W Series, ou foi todo o conjunto da obra que a permitiu ter a visibilidade necessária para poder concorrer a esta vaga?

BT – Não, acho que todas as categorias que passei desde o kart até esses anos que passei fora, me ajudaram de alguma forma a se classificar para a W-Series, mas com certeza a USF200 me ajudou muito. As últimas três temporadas que eu fiz lá, é um campeonato muito competitivo, então tenho certeza que me ajudou mais ainda a me deixar bem preparada e conseguir a classificação para a W-Series.

PV –  Suas participações em provas de endurance podem ser um norte de onde você está focando sua carreira para o futuro?

BT – Ano passado participar da Endurance foi uma forma de preparação mesmo, para continuar competindo me preparando para a W-Series. Mas com certeza é um caminho que eu possa vir a seguir no futuro.

 PV – Equipes como Meyer Shank (IMSA) e Richard Mille (ELMS/WEC) estão entre os seus alvos para o futuro, ou à apenas a coincidência de abrigarem carros com tripulações puramente femininas?

 BT – O que essas equipes fazem com certeza é um grande incentivo e também quem sabe uma possibilidade. Acho muito importante essas atitudes das equipes para terem mais mulheres, ou equipe só de mulher. É muito importante para ajudar todas as meninas, todas as mulheres que estão competindo ou começando a se inspirar e seguir carreira.

PV – Olhando para o panorama mundial da F1, onde a concorrência por uma vaga até mesmo de piloto reserva é algo muito difícil, você acha que a W Series num futuro não muito distante poderá efetivamente colocar as mulheres para brigar por vagas na categoria de igual para igual com os homens?

BT – O objetivo da categoria é preparar uma piloto para a Fórmula 1. Então eu acredito que sim, ainda mais pelo nível de todas as pilotos que estão competindo lá. Por exemplo a Tatiana Calderón que já está competindo na Fórmula 2, a gente já viu pilotos de desenvolvimento da Williams e tem muitas outras meninas chegando ainda, então acredito que sim, isso pode acontecer sim.

PV – Você deve se sentir muito orgulhosa por sair do Brasil e conquistar uma vaga nos EUA – ser mulher no automobilismo lá também ainda é um tabu a ser quebrado?

 BT – Na verdade nos Estados Unidos é menos que aqui, ainda mais pela história do esporte lá, além de ter muitas categorias, tem muitas mulheres que já participaram de grandes categorias, exemplo recente da Danica Patrick na Indy e Nascar, a própria Bia Figueiredo que participou da Indy, então acho que lá é bem menos que aqui.

 PV – Fora a W Series, quais seus planos para um futuro próximo da sua carreira?

 BT – Meu principal objetivo agora é a W-Series,  é aprender o máximo lá, trabalhar o máximo possível, dar o melhor de mim. Nesse primeiro ano meu objetivo maior é me manter no grupo de classificadas para o próximo ano. Mas com certeza vou brigar por pódio, por vitórias lá dentro. Sempre tentando dar o máximo, aprender sempre mais. Por que depois dali vai depender muito de patrocínio para seguir carreira num nível alto.

PV – Vc foi uma das participantes do programa. Next Season da equipe da KTF, a premiação para o “reality” era uma vaga garantida na Stock Light, categoria de acesso à Stock Car. O que você achou dessa oportunidade?

BT – É um bom incentivo, ainda mais por que a Stock Light é a porta de entrada para a Stock Car. Então pra quem ta começando nas competições de turismo aqui no Brasil ou até mesmo quem compete fora, vê a Stock Car como possibilidade de carreira, então esse programa que a KTF fez, são muito importantes por que é um esporte muito caro e muitos não conseguem patrocínio para poder entrar nessas categorias e continuar competindo, então essa possibilidade que a KTF deu é muito importante sim além de atrair mais pilotos interessados pela própria equipe.

Fotos arquivo pessoal de Bruna Tomaselli

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