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Entre Pits #50: EDIÇÃO ESPECIAL BÁRBARA RODRIGUES

12 de fevereiro de 2021

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Editores Planeta Velocidade

Chegamos ao marco de 50 entrevistas em nosso site, já passaram pelo “Entre Pits” grandes nomes do automobilismo nacional e internacional, já tivemos grandes promessas do esporte e profissionais de todas as áreas no mundo do automobilismo. Dessa vez não vai ser diferente, traremos uma profissional que demonstrou muita determinação, muita força e acima de tudo muita competência.

Texto: Keko Gomes, Marcio de Luca, Marcos Amaral
Fotos: Oswaldo Oliveira

 Estamos falando de Bárbara Rodrigues, carinhosamente chamada de “Babi”, atual responsável por chefiar e comandar a equipe Hot Car Competições a recém nomeada Hot Car New Generation. Equipe que participa da Stock Car desde o início dos anos 2000 e em 2021 também irá integrar o grid da Stock Light.

 Com muito orgulho e sem mais delongas vamos a entrevista!

Planeta Velocidade: Primeiramente Bárbara, por favor se apresente para os leitores do Planeta Velocidade, quem é e o que fazia antes de começar a chefiar a equipe Hot Car?

Barbara Rodrigues: Meu nome Bárbara Rodrigues, antes de chefiar a equipe Hot Car, eu sou veterinária por formação, sempre me especializei na área de bovinos trabalhei com isso há algum tempo só que a minha vida inteira estive nas pistas, acompanhando meu pai, que foi piloto e chefe de equipe, onde ele teve um problema de saúde, eu pude optar à ajuda-lo, então já trabalhei dois anos seguidos com ele na chefia da equipe e depois infelizmente após o acidente que ele sofreu, é através de grandes tragédias às vezes grandes oportunidades surgem e eu decidi continuar com a equipe e me tornar chefe de equipe da Hot Car.

 PV. Automobilismo sempre esteve presente em sua vida, porém de forma menos intensa como a que você vive hoje, como é ser a única mulher a chefiar uma equipe na maior categoria do Brasil?

BR: É ser um chefe de equipe da Stock Car, já é algo muito desafiador, independente de gênero, mas lógico é algo diferente e me traz muita responsabilidade. Hoje eu ocupo um cargo que dá visibilidade maior para as mulheres, e acaba virando uma missão de vida também, incluir pessoas novas, jovem independente de gênero, enfim,  de experiência dentro da categoria e esse é meu objetivo, independente de gênero, opção ou o que for, é principalmente pela capacidade e o interesse, né que é o principal. (risos)

 PV. Quando você assumiu a equipe no final de 2020, teve uma comoção muito grande pelos recentes acontecimentos, vocês tiveram apoio de muitas equipes, pilotos e de todos os envolvidos com automobilismo, quando digo apoio não me refiro a bens materiais ou apoio financeiro, e sim ao apoio emocional. Além de tudo o que já tinha acontecido, infelizmente, sua equipe passou por um momento de intimidação com a invasão da sede da equipe, de alguma forma isso virou uma espécie de combustível para se motivar a ir mais longe, está correta essa linha de pensamento?

BR: Está muito correta. Como acidente, nós já havíamos nos unidos de uma forma muito importante, porque um apoiava o outro, eles estavam todos se recuperando, mas o show tinha que continuar de alguma maneira, então, poucos dias ao velório do meu pai, na verdade no dia seguinte ao velório eu já estava trabalhando e dois dias depois já estava na estrada, para continuar a etapa de Curitiba, que foi muito desafiadora, só que como você citou, tive ajuda de todos os profissionais, todas as equipes me acolheram da forma mais incrível possível, os mecânicos que me conheciam e poderiam me ajudar de alguma maneira, porque muitos da equipe estavam machucados, se reuniram no dia seguinte também, tinha muita gente se oferecendo para me ajudar, então eu tive uma rede de apoio muito grande, sem essa rede de apoio, não conseguiria continuar, porque foi algo muito de última hora, foi no susto e isso fez a gente se unir muito. Quando tínhamos conseguido se reerguer e fechamos já para um ano muito bom, conseguimos tirar para conseguir descansar, rever a família, porque nós viajamos muito, acabou que no final das nossas férias, recebemos a notícia da depredação aqui da equipe, foi um baque, mas vou te falar que todos da equipe vieram para cá, todos se ajudaram e a gente em um dia fez a diferença. E praticamente foi um desafio, se alguém quer derrubar, se alguém quer fazer alguma coisa, não tem problema, a gente vai mostrar que somos mais fortes,  mas é exatamente isso, sempre fomos muito unidos, se uma grande tragédia como aquele acidente, não fez a gente desistir, não é esse pequeno percalço no caminho que vai fazer a gente desistir.

 PV. Após assumir a equipe, o que mudou na sua rotina, e aqui na equipe com é sua rotina?

BR: Rotina né, (risos) é uma palavra complicada. Aqui hoje em dia, tomo café da manhã, almoço e janto automobilismo, faço isso o dia inteiro, todos os dias, não tem parada, mas uma coisa muito importante para você sobreviver no automobilismo, além de ter capacidade, para ter um bom time, uma boa estrutura, é ter paixão. então a partir do momento que você ama o faz, que é o meu caso, as coisas fluem e acontecem de uma forma mais natural. Então hoje eu consigo respirar uma coisa que é minha paixão, é algo que me motiva muito, é que estou conseguindo continuar com um legado e a paixão que era do meu pai. Ele pode me passar esse amor pelos carros, pelo time e hoje tenho muito orgulho de fazer isso acontecer, então as coisas giram naturalmente. Fluem, a roda gira, não pode parar.(risos)

PV. Esse ano a Hot Car vai enfrentar um novo desafio, a Stock Light, além é claro da Stock Car, que a equipe vai dobrar o número de carros para a temporada 2021, qual foi a maior dificuldade para realização desse projeto?

 BR: Mais do que dobrar, a gente vai mais do que dobrar agora, o pessoal mais do que dobrou, É um desafio, a parte desafiadora são realmente os números, aumentar todo o pessoal , número de carros tudo, mas existe um fator que facilita todo o processo, que as etapas ocorrem juntas na mesma praça, então eu consigo organizar apenas uma viagem, a gente consegue montar um grupo de forma muito mais fácil e normalmente, o que é esperado, os pilotos da Light, pretendem crescer para chegar a se desenvolverem, para ir para a categoria principal. então desta maneira conseguimos integrar as duas equipes e fazer com que seja uma categoria de acesso dentro da minha própria equipe. Tanto para pilotos,quanto para funcionários, mecânicos e engenheiros, uma forma de treinamento, dos mesmo padrões da Stock Car principal, na Light, então só é um ganho para minha equipe, de mão de obra, de novos pilotos, uma integração muito maior. Um piloto que já conhece a equipe e chega na principal, vai ter  bem menos dificuldades de pegar o ritmo, do que um que chegou de fora. Então é isso que a gente acredita, criar novos profissionais. 

PV. Para a Stock Car já estão confirmados como pilotos, Tuca Antoniazi e Felipe Lapenna. E para a Stock Light já tem algo concreto ou ainda está em fase de acerto?

BR: (risos) Ainda não temos novidades, não posso divulgar ainda, estamos conversando com algumas pessoas ainda (risos), mais de 3, (risos), mas então não posso dar certeza de nada, a única certeza que tenho, é que a Hot Car, vai estar na Stock Light com 3 carros, quem são os pilotos, já não posso dar essa informação. (risos)

PV. No ano passado a Stock Car passou por uma mudança na concepção dos carros, voltando ao modelo monobloco, inteiramente baseado nos modelos de rua – qual o melhor tipo de carro e porque?

BR:  Melhor tipo é meio complicado de falar. O melhor tipo é o que existe hoje, que temos que trabalhar, que temos que se debruçar e conhecer os segredos. Lógico, antigamente era um carro de fibra, que tinha suas facilidades, era um carro mais leve, só que hoje em dia, eu concordo com a decisão da Stock Car, em deixar os carros mais próximos aos carros de rua, isso revive a categoria, deixa a disputa mais interessante, o espectador consegue reconhecer o seu carro nas pistas que é muito bacana, e isso chama Marcas, que é muito importante a vida do automobilismo, para o fôlego da categoria. Então para mim o melhor carro, é esse, que é mais interessante, tá mais dentro do que vemos na rua, que vai acompanhar os lançamentos da indústria automobilística, e modéstia parte, porque eu faço parte da Stock Car, o novo ronco do motor, para mim, está espetacular, a disputa está mais acirrada, os carros ainda estamos conhecendo, isso dá uma chance para novas equipes se destacarem, e essa é a graça, dá uma temperada no molho para todo mundo sair ganhando. 

PV. Sabemos que a Hot Car utiliza carros da marca Chevrolet na Stock Car, mas acreditamos que a entrada da Toyota mexeu com todas as equipes do grid – de que forma isso mexeu com vocês?

BR: É assim, eu estava já neste projeto, quem desenvolveu, uma das equipes responsáveis pelo desenvolvimento desses novos carros, foi a Hot Car,  então a Hot Car, participou tanto do nascimento do Chevrolet, quanto do Toyota. Lógico, existem diferenças entre eles, e essa é a graça do negócio, mas também existem soluções, os packs,  o lastro de sucesso, em tudo isso a categoria foi inteligente em criar, ela aumentou a emoção da prova, onde um melhora, outro não, quem está bem acaba tendo uma pequena desvantagem para ficar tudo mais acirrado e isso refletiu muito no número de pessoas que eram matematicamente possíveis de serem campeões no ano passado. Então para mim é espetacular, eu gosto muito de ser Chevrolet, e de levar a marca Chevrolet, eu gosto dessa característica, ela é tradicional, marca tradicional da Stock Car. Eu gosto de manter essa tradição, com a inovação que é a cara da Hot Car hoje em dia, é um carro novo, com uma marca tradicional que apoia a categoria a muito tempo e que espero que venham muito mais marcas e que as disputas sejam cada vez mais diferentes e mais acirradas.

PV. A equipe já teve participação em diversas categorias do automobilismo Nacional ao longo da sua história, ano passado por exemplo fizeram a temporada da Império Endurance Brasil e a Stock Car, em 2021 a equipe irá focar apenas na Stock Car e na Stock Light ou vem mais surpresas por aí?

 BR: Olha, sendo real com vocês! Nem eu sei as surpresas que vem por aí, porque essas surpresas aparecem todos os dias na minha porta. Hoje em dia, meu objetivo principal é focar na Stock Car e na categoria de acesso que é a Stock Car Light. Eu acho que no chão da equipe, pode ser muito benéfico para a equipe. Então vamos poder trabalhar todos juntos, integrados no chão de fábrica, podemos falar assim, para melhorar sempre. Mas sempre estou aberta a novos desafios, eu amo automobilismo, e qualquer carro rápido e bonito, me conquista rápido, rápido.(risos) Eu nunca digo nunca, hoje neste momento que estamos conversando é Stock Car. (risos)

PV. A Hot Car foi campeã na MB Challenge, porém deixou a competição logo em seguida em 2019 focando na Stock Car e no Endurance Brasil e para esta temporada vem com dois carros na Stock Car e entra também na Light – há planos de voltar para a MB Challenge, uma vez que a equipe acumulou grande conhecimento e resultados na categoria?

 BR: Eu gosto muito da Mercedes-Benz Challenge, foi o primeiro campeonato que eu estava ativamente trabalhando na equipe, e eu ganhei, estava lá acompanhando, foi um processo incrível, tínhamos 5 carros no grid, das 4 categorias possíveis, 3 nós fomos campeões, então foi um sucesso absurdo. Eu gosto muito do carro, acho um carro, um Mercedes é um Mercedes, não tem o que se falar,  mas não está nos planos, é como falei, nunca negarei, então quem sabe um dia nossos caminhos não se cruzam novamente. Por enquanto não está no plano, mas…(risos).

PV. Para finalizar, tem alguém que você queira agradecer ou uma mensagem que queira deixar?

BR: Nossa são tantas pessoas, assim como eu falei depois que tudo aconteceu, eu tive uma rede de apoio muito grande, das pessoas ao meu redor,  de todas as equipes e pilotos da Stock Car, não tenho nem o que falar. Mas sou muito, muito grata ao acolhimento que o Andreas Mattheis teve comigo, todo o apoio técnico que ele teve, ele é um chefe de equipe, super atarefado, estava disputando campeonato mesmo assim me deu a mão, me incentivou, mas todos os chefes de equipes da associação de equipes da Stock Car (Anesc), me apoiaram. O Thiago Camilo o que ele fez jamais vou esquecer na minha vida, aquele ato de bondade, carinho, eu me senti abraçada, e atos como o dele, fazem a gente parar um pouco e pensar que vai dar certo, que existem pessoas do bem ao seu lado, e que vale a pena continuar. Então assim, as pessoas tudo que elas fizeram, todos, é muito difícil falar apenas de 1, mas todo esse amor passado, tudo que Vicar fez, a Endurance, as homenagens, tudo, me deram forças para continuar também, eu senti que estava amparada, não basta você ter coragem, não basta você ter com fazer as coisas, mas se você não estiver se sentindo amparada não acontecem. Então é isso! (risos)

PV: Qual o recado que você deixa para as mulheres que querem entrar no mundo do automobilismo? 

BR: Respira fundo e vai! Respira fundo de vai, que se você quiser mesmo, você consegue. Aprenda a aceitar os nãos, que você vai receber diversos na sua vida, mas faz parte do esquema, usa a força e a sensibilidade feminina, que é algo que temos que ter muito orgulho, mulher é resiliente, mulher é forte, mulher gera vida, então ela pode fazer e ser o que ela quiser.  Basta querer!

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