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Entre Pits Especial #27 – Luc Monteiro

18 de maio de 2020

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Colaboradores Planeta Velocidade

Apesar do período difícil, o Planeta Velocidade não para e continua buscando a opinião de quem entende de automobilismo (com o auxílio da tecnologia para cumprir o distanciamento social). Nesse especial em três partes – já que o papo rendeu com que conhece – temos o prazer de conhecer o narrador, comentarista, piloto, dirigente esportivo e pessoa do mais alto gabarito Luc Monteiro.

Crédito Rodrigo Ruiz

Colaboração:
Keko Gomes
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Revisado Escrito por Francisco Brasil

Planeta Velocidade – Pra gente começar, quem é o narrador Luc Monteiro? Como e onde começou sua carreira?

Luc Monteiro – Normalmente me estendo bastante quando me perguntam isso, mas vou tentar ser sucinto, para variar. Comecei esse contato com o microfone de corrida em 2002, no Regional de Marcas de Cascavel, para suprir a ausência do rapaz que fazia esse trabalho e que, por algum motivo, não pôde comparecer. Nunca tinha me passado pela cabeça trabalhar com isso, mas o pedido de socorro que me chegou em cima da hora também não assustou. Timidez não está entre os meus inúmeros defeitos… Fui mantido na função, como na época eu só trabalhava em redação de jornal e dando suporte a uma agência de assessoria de imprensa, viajava muito pouco e tinha tempo para isso. Fui praticando até 2009 ou 2010 no campeonato daqui. Em 2003, por acaso, acabei narrando para o público uma etapa do Speed Show, que tinha a Copa Clio e a Fórmula Renault, e era a primeira vez que eu ia ao evento como visitante. Naquele mesmo ano fui convidado, por indicação do Rubens Gatti (presidente da Federação Paranaense de Automobilismo), para a locução de arena da Pick-up Racing, onde fiquei até 2005. Em 2006 o WTCC veio para o Brasil e, por haver etapa da Stock Car no mesmo dia, os dois locutores cotados para apresentar o evento ao público não podiam assumir o compromisso. O Alan Magalhães, jornalista e promotor de eventos para quem eu havia trabalhado uma vez em 2003 na etapa de Cascavel da antiga Brascar, indicou meu nome ao Toninho de Souza, que era o promotor brasileiro do WTCC. Ali começou um novo trabalho e uma puta amizade que tenho até hoje com o Toninho, com o Pedro Rodrigo, que é filho dele e hoje mantém o portal High Speed Brazil. Fui locutor do WTCC por cinco edições seguidas. Na de 2009, havia o Porsche Cup como evento de suporte, foi quando conheci o Dener Pires e, avalizado pelo Jorge Guirado, fui convidado para narrar as etapas do campeonato na arena e nas transmissões de televisão e internet. Estou na 12ª temporada com eles, e muita história rolou desde aquele encontro com o Dener no meio da pista em Curitiba. É, não consegui ser sucinto. Outro defeito meu.

Arquivo Pessoal

PV – Em seu vasto currículo, aproximadamente quantas categorias você ja narrou. E dessas todas qual foi aquela que você mais sentiu prazer em ter narrado?

LM – Já citei algumas. Entre comunicação de arena e transmissões de televisão, em vários casos conciliando as duas coisas, trabalhei com Fórmula 3, Copa Clio, Porsche Cup, GT Brasil, Trofeo Maserati, Paulista de Marcas (tinha transmissão no Speed Channel e depois no BandSports, o grid tinha quase 70 carros!), 500 Quilômetros de Interlagos, Mil Quilômetros de Interlagos, 500 Milhas de Londrina, 500 Milhas de Kart da Granja Viana, Spyder Race, Superbike Series, Moto 1000 GP, Audi DTCC, Brasileiro de Marcas, Stock Light, Fórmula Truck, Endurance Brasil e Turismo Nacional. Cascavel de Ouro é um capítulo à parte, porque além de ter narrado algumas edições na televisão também sou um dos organizadores do evento, é uma paixão particular – espero que a Rita, minha namorada, não leia isso. Hoje sou narrador do Porsche Cup Brasil, do Mercedes-Benz Challenge, da GT Sprint Race, da Copa HB20, das categorias do Campeonato Paulista de Automobilismo e também da Gold Classic, que é uma categoria que eu mesmo organizo.

Arquivo Pessoal

PV – Categoria ou uma etapa marcante, das que você ainda não narrou, qual é aquele grande sonho em um dia poder narrar?

LM – Essa é outra pergunta que sempre me fazem e que nunca consegui responder. Não por falta de objetividade, mas é que cada fim de semana de corrida traz situações novas, desafios novos. Meus amigos brincam, dizem que só trabalho um dia por semana como narrador de corridas, e a todos eles respondo com outra questão, sobre por que os promotores de corridas vêm buscar um narrador em Cascavel, aqui no fim do mundo, se o trabalho é tão fácil, e eles também não conseguem me responder. Houve uma ocasião em que respondi que a narração mais marcante é sempre a próxima, mas foi mero eufemismo, porque a pergunta foi lançada em um lance de transmissão ao vivo. Sobre o sonho de narrar algum campeonato em específico, honestamente é algo que não me pega. Honestamente me considero muito satisfeito com os eventos onde estou. O que levo comigo é uma meta, que já demorei demais para consolidar, que é me colocar apto a narrar outras modalidades. Desde que troquei a redação de jornal do interior por esse trabalho só narrei corridas, o que não deixa de ser um erro. Não me considero um especialista em automobilismo, contrariando o que alguns amigos e colegas apontam. Apenas me sinto à vontade para narrar corridas por considerar que entendo razoavelmente bem os princípios desse esporte. Gostaria, por exemplo, de narrar futebol, mas qualquer espectador de uma transmissão de futebol é bem mais conhecedor que eu do assunto.

PV – Todo ótimo profissional carrega em sua história momentos difíceis e alegres, nesses vários anos como narrador, qual foi o momento que mais marcou sua carreira?

LM – O momento mais difícil, casualmente, me pegou de calças na mão sem eu estar na posição de narrador. Foi no Moto 1000 GP em 2014, etapa de Curitiba, eu estava lá como assessor de imprensa do campeonato, e um acidente nos treinos matou o Daniel Lenzi, que era piloto da casa. Mortes acontecem no esporte a motor, mas foi a primeira vez – e única, espero que continue sendo assim – que aconteceu perto de mim. Em termos de dificuldade técnica, eu apontaria a etapa da GT Brasil de 2013 no Anhembi, preliminar da Fórmula Indy. Era transmissão ao vivo pela Band, em TV aberta, e em algum momento a transmissão caiu. Soubemos depois que foi porque um cabo dos sistemas da transmissão foi rompido, e até hoje não sei qual foi a apuração final da história, mas naquele dia se falou em sabotagem. Enfim, estávamos ao vivo na Band com toda a programação do Anhembi. Eu já tinha narrado a vitória do Márcio Campos no Mercedes-Benz Challenge momentos antes, e a transmissão da GT caiu por longos minutos. Eu estava desde bem cedo interagindo no ar com a equipe de jornalistas da casa, que estavam no estúdio no Morumbi, e quando perdemos todo o sinal foi também um artifício para ganhar tempo enquanto a corrida seguia. Para não dizer que ficamos completamente no zero, tínhamos a imagem da câmera do helicóptero que sobrevoava o circuito. Todo mundo que estava assistindo percebeu que tinha coisa errada acontecendo. Um momento alegre, como você definiu, aconteceu naquele mesmo dia. Eu narrava MB Challenge e GT Brasil, e o Luciano do Valle narrava a Indy. Não cheguei a ver o Luciano naquele dia, o que foi uma pena, mas saí do Anhembi levando como troféu que guardo até hoje o fato do Luciano ter feito chegar até a mim um elogio ao trabalho que tinha feito, é coisa que lava a alma de qualquer narrador. Porra, era o Luciano do Valle, não era qualquer zé-mané! Só contei essa história, em uma postagem no meu blog, quando o Luciano morreu, um ano depois. Infelizmente não tive tempo para agradecê-lo pessoalmente.

Arquivo Pessoal

PV – Durante essa pausa forçada que o automobilismo vem passando, pilotos estão ocupando seu tempo com competições on line, sendo transmitidas via redes sociais e até na TV. Você, por exemplo, é um grande adepto dessa prática de lives. Você acha que isso, de alguma forma, poderia ajudar no crescimento do esporte?

LM – Olha, não me considero exatamente um grande adepto das lives. Fiz algumas em caráter de descontração tomando uísque da sacada do meu pequeno apartamento, outras poucas sem grandes pretensões com colegas de profissão e outras a título de trabalho, mesmo. Mas entendo que o efeito das lives, que tiveram um puta “boom” durante essa paralisação do mundo e de tudo que existe nele, trouxe muita gente para um patamar próximo ao de quem comunica na televisão ou na internet. Algo parecido com o que as redes sociais fizeram ao dar voz a todo mundo, e não só a jornalistas e pessoas que tinham acesso aos meios de comunicação. No fim isso é bom. Claro que polui bastante o volume de informações a que se tem acesso, mas por outro lado o próprio consumidor dessa comunicação vai filtrar o que interessa ou não. Talvez nem por ter sensibilidade para isso, mas por não ter tempo para consumir tudo que é lançado. Então, que se dê espaço para as lives. No caso específico das corridas virtuais, sou o último cara na lista de indicados para dar pitacos. Não sou praticante do AV, apesar de achar legal, e nunca olhei com a devida atenção para esse segmento.

PV – Falando em pandemia. Qual a sua avaliação, como jornalista, da atual situação do automobilismo no país nesse período de quarentena? Como você acha que será a retomada das competições? O que pode mudar quando voltarem as competições?

LM – Pode parecer papo de pastor charlatão, desses que existem aos montes, mas apesar da dificuldade que todo mundo está passando, e que não é só do automobilismo, a fase seguinte da vida no nosso mundinho das corridas pode ser muito positiva. Tem bastante coisa que vai ser feita em caráter paliativo e que vai acabar se revelando uma solução útil em todos os sentidos, ou quase todos. Logicamente ninguém gostaria de ter a oportunidade de fazer essas experiências, mas isso já não está mais nas nossas listas de opções. A situação é essa e o que vai determinar sucesso de um e fracasso de outro é o modo como a retomada vai ser conduzida. Alguns pontos positivos que podemos prever: a relação entre os promotores de eventos vai ser mais de parceria e menos de concorrência, as medidas que virão vão acabar revelando formatos financeiramente mais acessíveis para todos, e depois do susto do vírus chinês todo mundo vai reclamar menos e se dedicar mais. Um formato que me agrada por conceito há muito tempo e que pode acabar virando regra a partir da retomada pós-pandemia: temporadas de segundo semestre-primeiro semestre, como no basquete dos EUA, que no automobilismo já existe com a Fórmula E.

Arquivo Pessoal

A entrevista está legal né? Pois prepare-se, pois logo teremos a segunda parte aqui, no Planeta Velocidade.

Foto destaque Vanderley Soarez

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