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FÓRMULA 1 2020: FIM DE PAPO

14 de dezembro de 2020

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Colaboradores Planeta Velocidade

A temporada da Fórmula 1 2020 encerrou ontem com o GP de Abu Dhabi no circuito de Yas Marina e, por mais atípico que tenha sido o campeonato mundial deste ano, diversos traços de previsibilidade foram mantidos, o que culminou inclusive em mais um GP chato e que também era previsível.

A temporada demorou a começar e cada vez que se chegava mais perto do start do campeonato, menos certeza de que realmente seria iniciado se tinha. Mas iniciou e eis que em 5 de julho a Áustria e o mundo viram o apagar das luzes vermelhas pela primeira vez no ano.

Foi um ano de muita novidade, mas ao mesmo tempo de um pouco de mais do mesmo: tivemos pódios e pistas bem diferentes das usuais, mas muita coisa foi mantida como se tem visto nesta era turbo-híbrida. Então, vamos aos fatos!

Em mais um ano a equipe germânica Mercedes fez cabelo, barba e bigode: campeã de construtores com um massacrante placar de 573 a 319 contra a Red Bull Racing; o britânico Lewis Hamilton foi novamente campeão do mundial de pilotos e o segundo lugar do mesmo campeonato ficou com o finlandês Valtteri Bottas, com 124 pontos de desvantagem.

Do lado oposto da tabela vimos a Williams amargar um ano onde sequer marcou um só ponto no campeonato e mesmo tendo a grande promessa da categoria George Russell no time, não foi capaz de fazer frente a nada e nem a ninguém, sendo o pior ano da equipe nas pistas, o mesmo que se despediu da família que deu nome e criou a equipe.

Verstappen encerra a temporada com vitória – Google Images

A Red Bull Racing, onde é quase possível ler Max Verstappen, foi a única equipe que realmente duelou com a Mercedes em 2020, sendo o holandês o terceiro colocado no campeonato de pilotos deste ano, responsável por nada menos que 214 pontos, dos 319 conquistados pela equipe, o que deixou o anglo-tailandês Alexander Albon na corda bamba, sem que ele e o resto do mundo saiba quem fará dupla com Verstappen no ano que vem.

Já a Ferrari, acostumada a andar sempre entre os três primeiros postos do mundial de construtores, amargou um 2020 onde encerrou em sexto lugar, sendo claramente a “culpada” pelo insucesso das equipes Haas e Alfa Romeo, clientes do time de Maranello no fornecimento de motores.

Por outro lado, se o vermelho não esteve forte, o laranja ressurgiu de vez: a McLaren depois de anos de reestruturação e uma volta por cima ensaiada na temporada passada, concretizou os bons frutos do trabalho estruturado de Zak Brown e sua turma, ao finalizar o campeonato deste ano na terceira posição, algo mais do que providencial, sobretudo se levarmos em consideração que o grupo McLaren passou por apertos financeiros na época aguda da pandemia do novo coronavírus – é verdade que a equipe não esteve ameaçada neste período, mas se o background estava ruim, não demoraria para a equipe sentir os efeitos da falta de dinheiro.

Pérez e Stroll no pódio – Moy / XPB Images

A Racing Point também foi outra que deu o seu levante neste ano, onde os carros rosa chegaram a Abu Dhabi com a medalha de bronze de construtores, porém com a infelicidade do abandono de Sérgio Perez, pouco ou nada poderia se esperar de Lance Stroll, que trouxe apenas um ponto para casa, muito inferior ao que a regular dupla dos carros laranja conseguiram juntas.

A AlphaTauri, primeiro ano da equipe italiana com este nome, porém mais um do time do grupo austríaco Red Bull na batalha, não é o time que se espera ver campeã um dia, mas é aquela que faz muito bem o seu papel: foi sétima colocada no mundial de construtores, mostrando com realmente deve-se portar um “time B” no campeonato.

Mas, se 2020 salvo pela pandemia foi quase mais do mesmo, em 2021 as coisas devem ter um contorno um pouco diferente. Não digo com isso que a Mercedes perderá sua supremacia, mas é bem provável que a Red Bull Racing chegue ainda mais próximo do time alemão. O time dos touros perde no ano que vem seu patrocinador master, a Aston Martin, que migra para sua equipe própria, porém, sendo o último ano da Honda no grid, é de se esperar uma junção de forças capaz de chegar ao impossível e não duvido que Max Verstappen venha ainda mais forte no ano que vem.

Também teremos o retorno de Fernando Alonso ao grid; a “promoção” de Carlos Sainz à Ferrari; a ida de Daniel Ricciardo para a McLaren e o retorno dos motores alemães ao time de Woking. Fora isso, a Aston Martin provavelmente virá forte também, onde claramente Sebastian Vettel será o pilar do time, relegando ao posto de segundo piloto o filho do dono da equipe.

Verdade seja dita, é muito cedo para se fazer qualquer previsão ou análise do campeonato do próximo ano, mas com os carros de 2021 sendo uma breve evolução dos carros de 2020, não podemos imaginar que o balanço de forças da categoria mude bruscamente, porém vejo que os talentos individuais podem trazer grandes surpresas ao mundial que se inicia, se tudo correr bem, em março no GP da Austrália.

Texto de Márcio de Luca

Instagram: @marciodelucafotografia

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