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FÓRMULA 1: COM COMBUSTÍVEIS SINTÉTICOS, ELETRIFICAÇÃO JAMAIS!

26 de fevereiro de 2021

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Marcio de Luca

Neste ano de 2021 estamos entrando na sétima temporada da Fórmula E, categoria que começou bastante pálida e foi ganhando força com o tempo e, a medida que a categoria evoluía, começou a se tornar inevitável a citação de que no futuro a Fórmula 1 ia acabar se unindo a categoria dos monopostos elétricos criada pelo espanhol Alejandro Agag.

Mas eis que a tecnologia não andou apenas para a Fórmula E, pelo contrário, se num passado recente a Fórmula 1 lançou mão de utilizar unidades de potência híbridas, ela percebeu que se os combustíveis que entram nos tanques dos carros acabasse no mundo, a categoria não teria outra opção a não ser se eletrificar também e desta forma, passou a estudar uma variante sintética para abastecer seus carros.

O início do processo de desenvolvimento dessa nova matriz de combustíveis começou também de forma pálida, mas eis que chegamos em 2021 e a categoria máxima do automobilismo já planeja ter em 2025 seus carros funcionando com este tipo de propelente.

Neste mês cada equipe da Fórmula 1 recebeu 200 litros do protótipo de combustível deste formato para trabalhar com seus motores no dinamômetro e avaliarem os seus benefícios, bem como suas faltas, porém o que já se sabe é: o caminho parece não ter volta e já em 2022 a categoria passará por uma introdução nesta nova era, com a adição de 10% de etanol a atual gasolina consumida nos seus carros, aumentando gradativamente esta mistura, até que em 2025 os combustíveis sejam puramente sintéticos.

“Desenvolvemos este protótipo [de combustível] porque queríamos descobrir por nós mesmos quais as diferentes tecnologias existentes no mercado e como estão disponíveis”, disse Gilles Simon, responsável pela área de motores na FIA à revista alemã Auto Motor und Sport.

A F1 tem sido duramente criticada por não ter uma pegada mais ecológica em suas competições, onde diversos pilotos que têm realizado algum tipo de ativismo ecológico têm sido igualmente cobrados por participar de um esporte que não tem olhado para o meio ambiente e sua conservação. Isso pesa na imagem da categoria e pode degradar o sentimento das pessoas pelo esporte ao longo do tempo.

Por outro lado, a Fórmula 1 tem visto também os avanços que a Fórmula E vem trazendo para o seu campeonato, algo que será amplificado quando a Gen3, terceira geração dos carros da categoria entrar em vigor na próxima temporada, com uma “pegada verde” e que tem agradado aos ambientalistas. O Gen3 será mais potente e espera-se carros mais rápidos e que inevitavelmente num futuro não muito distante, tenha desempenho similar ao da Fórmula 1

“O protótipo que desenvolvemos não é perfeito, mas cumpre bem os requisitos físicos para um motor de Fórmula 1”, concluiu Simon, que sabe que algo precisa ser feito sobretudo para que num futuro não muito distante, ao invés de haver duas categorias distintas, o tempo faça com que uma dela fique pelo caminho.

A Porsche vem trabalhando já algum tempo neste tipo de combustível e já conseguiu bons resultados, porém, sabiamente não trabalha sozinha: a alemã Siemens, a chinesa AME, a italiana Enel e a chilena ENAP, juntamente com a norte-americana ExxonMobil, convidada recentemente para o consórcio de desenvolvimento, estão na jogada e cada uma das empresas através da sua expertise, tem dado grandes contribuições para o desenvolvimento deste chamado eFuel.

Para os puristas, esta é a melhor forma de manter a Fórmula 1 viva (e todos os demais campeonatos de automobilismo) e para a própria Fórmula 1 também, uma vez que poderá se manter independente, sem ter que se render a Fórmula E, categoria que apesar de crescer ano após ano, ainda é vista por muitos como algo sem graça.

No futuro não sabemos exatamente como as duas estarão, se unidas ou não, mas a verdade é que da forma como as pesquisas andam, podemos até prever que os grandes e sonoros motores V8, V10 ou mesmo V12, voltem a trazer suas sinfonias para os autódromos. Os eFuel não poluem e podem ser a grande sacada do esporte para se manter não apenas tecnológico, mas de alto nível no que se diz a desempenho dos carros.

Hoje ainda é bastante caro produzir combustível sintético, mas já é possível e válido e pelo andar da carruagem, em 2025 que já está ali, será o ano de uma nova virada na categoria máxima do automobilismo mundial e não duvide que pouco tempo depois, esta nova matriz energética já esteja disponível nas bombas dos postos de combustíveis.

Dúvida?

Fotos Divulgação

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