FÓRMULA 1: O PRESENTE QUE ESTAVA NO PASSADO

26 de dezembro de 2020

j

Colaboradores Planeta Velocidade

Chegamos ao final de mais um ano, neste que a Fórmula 1 completou 70, onde é exatamente no passado que está a futura temporada de 2021.

Louco? Um pouco…

Texto de Márcio de Luca
Instagram: @marciodelucafotografia

Falo das equipes que participaram da era inaugural da categoria, onde os mais tradicionais fabricantes de automóveis se aventuraram pela competição, levando o espírito das pistas e de certa forma de aventura, para os carros glamourosos da época. E nisto 2021 tem muito a se assemelhar a este período.

Giuseppe Farina (I), Alfa Romeo 158/50, Alfa Romeo SpA. British GP, Silverstone (13/05/1950)

Neste ano tivemos Mercedes, Alfa Romeo e Ferrari, esta última a única que esteve em todos os 70 anos da categoria, porém, no ano que vem juntar-se-a ao pelotão a Aston Martin, que volta ao grande circo como equipe. Ou seja, mais um time de fábrica que estava presente nos primórdios da F1.

É bem verdade que não apenas o capacete tipo “coquinho” mudou. Tudo mudou! Os longos e imponentes motores que eram hostentados na dianteira dos carros, deram lugar aos pequenos propulsores traseiros de 1.6 litros, que unidos aos aparatos eletro-eletrônicos, são capazes de gerar cerca de 800 cavalos.

Também é verdade que as equipes deixaram de ser grupos de pessoas apaixonadas pelas pistas, para se tornar times voltados a resultados e gastos astronômicos, fazendo até mesmo que uma equipe seja “alugada” por inteiro a uma marca, como ocorre com a atual Alfa Romeo, que por baixo da tinta que cobre a lataria dos seus carros, está a equipe suíça Sauber.

Mercedes-Benz dirigido por Juan Manuel Fangio em 1954

David Brown, o homem que deu aos esportivos ingleses o “DB” no nome dos luxuosos modelos da Aston Martin também não está mais em cena, cedendo lugar ao canadense Lawrence Stroll, que cruzou o Atlântico com uma quantidade surreal de dinheiro, para ressuscitar a marca de carros que a tempos vem cambaleando e de tabela, voltar ao grande circo da F1. Tudo bem que isto é também para “dar um cockpit ao seu filho”, mas isso é história para outro texto…

Já a Mercedes, que deu a Juan Manuel Fangio em 1954 e 55 um carro vencedor de campeonatos, trouxe este espírito de volta ao time nesta nova etapa da marca na competição, vencendo os sete últimos campeonatos de construtores e de pilotos.

Na era Fangio não temos como precisar se a Mercedes seria tão suprema como agora, pois o time se retirou das pistas ao final do mundial de 55 devido ao tragico acidente ocorrido nas 24 Horas de Le Mans daquele ano, que matou mais 80 expectadores, porém, a equipe vinha de um bicampeonato e supostamente não baixaria a guarda se não tivesse se retirado.

1956 Juan Manuel Fangio – Ferrari D50

Por fim temos a Ferrari, que já trocou de mãos algumas vezes e se mantém fiel as suas raízes, mas que tem amargado anos de insucesso em sua história recente. O time tentou várias receitas, porém não chegou ao título, muito em vista barrada pela sua rival da década de 50 – em 1956 a Ferrari “pescou” Fangio no mercado (como a Mercedes se retirava das pistas, ele estava livre no mercado) e foi campeã com ele naquele ano, porém em uma “pesca” similar não obteve resultados similares: trouxe o tetracampeão Sebastian Vettel da Red Bull Racing, mas não foi capaz de repetir o feito de quase 70 anos atrás.

Mas, ainda assim é a grande Ferrari.

Lewis Hamiltom

Fazendo uma análise fria e bem realista, é verdade que quatro dos nomes históricos do automobilismo estarão no grid no ano que vem, mas o glamour e o romantismo da época dos “charutinhos suicidas” há muito tempo não existe mais. A Fórmula 1 se tornou um negócio caro e difícil de se manter, onde a grande maioria dos times daquela época, fatalmente não aguentariam duas ou três provas na atualidade, quanto mais uma temporada inteira, de tanto dinheiro que está envolvido no negócio.

Hoje Lewis Hamilton é o maior de todos os tempos e talvez a maior prova de que a Fórmula 1 realmente não é a mesma é o fato de um dos maiores nomes da categoria nunca ter sido campeão: Stirling Moss – hoje ele seria apenas mais um que venceu algumas provas (foram 16 ao todo) ao longo de sua passagem na F1 e sua grandeza como piloto talvez não fosse vista nesta era moderna que vivemos.

O tempo passou, diversas outras categorias surgiram, grandes times e empresas estão por trás de todas as modalidades do esporte a motor mundial, mas tal como ocorreu nos primórdios (e isso parece que não mudará tão cedo), há uma magia que move os pilotos a chegarem a Fórmula 1. Poucos conseguem, mas tal como ocorreu desde o início em 1950, todos querem.

Gostem ou não, mesmo tão mudada, a F1 ainda reina e como diz o ditado popular, quem foi rei nunca perde a majestade.

Fotos divulgação

Colaboradores Planeta Velocidade

Colaboradores Planeta Velocidade

Período

Categorias

Siga nossas redes sociais