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Formula 1: Sergio Perez: redenção ou obrigação?

8 de junho de 2021

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Derek Mayer

Ao longo da temporada 2021 da Formula 1 o piloto mexicano da Red Bull Racing Sergio Perez, ainda que viesse marcando pontos constantemente, estava sempre batendo na trave, sem ainda ter subido no pódio, porém eis que no Azerbaijão ele desencantou e venceu.

Perez é visto como um dos talentos da categoria e mesmo com este status, viu de forma dramática chegar o final da temporada 2020, quando foi preterido na Aston Martin por Sebastian Vettel, que saia da Ferrari (pela porta dos fundos) e entrava na nova equipe a peso de ouro e status de salvador da pátria.

Chegou então na equipe austríaca com contrato para uma temporada e até então, com cinco corridas passadas, seu melhor resultado havia sido o quarto lugar, obtidos em Portugal e em Mônaco, porém, mesmo pontuando, ainda era pouco para o time.

Mesmo sabendo que aqueles que desfrutam dos melhores cockpits há de certa forma o fator inerente de “ter que trazer bons resultados”, nem sempre a adaptação é algo simples e sobretudo na Red Bull Racing, onde os carros são projetados levando em consideração o modo de condução de Max Verstappen, ela se fazia mais do que necessária – vimos na história recente da equipe Daniil Kvyat, Pierre Gasly e Alexander Albon subirem às estrelas e caírem em queda livre em um fundo buraco e não seria diferente com Checo.

Resiliente e capaz, Perez usou as ruas de Baku para provar suas credenciais e, mesmo não tendo feito uma boa qualificação, seu ponto fraco até o momento, soube na corrida administrar a vantagem que seu equipamento lhe dava, para fazer o bom serviço que lhe era requerido: no início da corrida serviu de barreira contra Lewis Hamilton da Mercedes em seus ataques a Verstappen e quando a sorte lhe sorriu com o infeliz acidente do seu companheiro de equipe, ele estava lá para usufruir desta benesse que todo piloto também precisa.

O golpe do furo do pneu traseiro esquerdo de Verstappen foi muito forte para a equipe e teria sido ainda maior se Perez não tivesse feito o trabalho que fez na corrida – verdade seja dita, a cobrança sobre o mexicano seria muito maior do que a que receberia Verstappen, pois o infortúnio do holandês se deu por causas que ele não poderia controlar, porém um mau resultado de Perez recairia apenas sobre os seus ombros, já que supostamente o carro que ele dispõe é o melhor do grid atualmente.

Seja como for, Pérez não apenas merecia vencer, como tem todas as qualidades e habilidades de um vencedor, porém apesar de desfrutar do time que ocupa, é inegável o fato dele estar ali em um segundo plano, pois a prioridade da equipe atende pelo nome de Max Verstappen – ontem na corrida era nítido que ele tinha carro para ir pra cima do holandês, mas subitamente a vantagem que ele estava descontando, em um dado momento estagnou e ele já estava se conformando em terminar o GP na segunda posição.

Claro que vencer Verstappen não é uma tarefa fácil, Hamilton, um dos melhores pilotos de todos os tempos está sofrendo para o fazer e isto não é diferente com Perez, que mesmo que tenha capacidade para vencer seu companheiro de equipe, sabe que para o seu bem, não pode o fazer – ontem foi visto como a tábua de salvação da equipe, que além de alargar ainda mais a vantagem do seu time para a Mercedes, de forma justa e bem vinda, deu um elegante “cala a boca” em seus críticos, fazendo o tão aguardado jogo de equipe que se requer.

Ou seja, sendo ou não sendo obrigação de Perez vencer, a verdade é que o piloto tem feito o que é possível dentro do caldeirão de pressões e vaidades que a equipe é – seria leviano não querer que ele entregasse melhores resultados, mas seria igualmente injusto não lhe dar o tempo necessário para que ele fizesse.

Enfim, sua vitória chegou, a segunda de sua carreira e agora, depois da grande comemoração de ontem, não duvidem que a cobrança seja ainda maior, por mais injusto que isto pareça ser.

Alguém duvida?

Fotos Divulgação/F1

Derek Mayer

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