Senna – Como sua partida impactou no automobilismo brasileiro.

1 de maio de 2020

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Alex Leonello Teixeira

26 anos, no dia 1° de maio de 1994, na Itália, mais especificamente na comuna de Ímola, nos deixava, aos 34 anos de idade, um dos maiores ídolos do automobilismo mundial: o grande Ayrton Senna da Silva.

Foto: AFP / JEAN-LOUP GAUTREAU

Depois de uma carreira vitoriosa e de todos os títulos que já vimos, ouvimos e conhecemos, o piloto representava a equipe Williams no ano de 1994.

Revisão Francisco Brasil

Nela, Ayrton enfrentou grandes dificuldades e, infelizmente, acabou perdendo a vida de forma prematura, fazendo o que mais gostava: pilotar. Aliás, quem não se lembra daquele final de semana fatídico, que começou na sexta-feira (29/04), com o forte acidente do brasileiro Rubens Barrichello – então na equipe Jordan – seguido da morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger, da equipe Simtek, no sábado?

Roland Ratzenberger (Foto: Getty Images)

No dia seguinte,  1° de maio, feriado brasileiro do dia do trabalhador, na curva Tamburello, a mesma em que Gerard Berger e Nelson Piquet haviam se acidentado em temporadas anteriores, o mundo perdeu o ídolo Ayrton Senna sob circunstâncias que até hoje não restaram muito claras. O Brasil caiu em lágrimas e o luto nacional será constante no íntimo de muitos.

Não vamos aqui discutir ou comparar a genialidade do Ayrton frente a outros pilotos de sua época. Isso envolveria emoções pessoais, patriotismo, e em nada acrescentaria as muitas outras opiniões que circulam pela mídia mundial. O fato é que Senna pode e deve ser considerado como um dos melhores do mundo, deixando um belo legado.

Para o povo brasileiro ficaram as lembranças das manhãs de domingo, constantemente acompanhadas pela música “Tributo a um campeão”, de Eduardo Souto Neto, e que fixou como o tema da vitória.

Ayrton Senna (Mike Hewitt / Equipa/Getty Images)

Éramos um país feliz e que, finalmente, voltava os olhos para um esporte diferente do tão popular futebol.

Por conta do pioneirismo de Emerson Fittipaldi, da garra de Nelson Piquet e do talento de Ayrton Senna, entre os anos de 1972 e 1991, foram conquistados 8 títulos mundiais junto a principal categoria do automobilismo. Sem contar os vice campeonatos de 1973 e 1975, com Emerson Fittipaldi; 1980 com Nelson Piquet e, 1989 com o próprio Ayrton.

E assim, de repente e sem aviso prévio, ficamos carentes de um ídolo nacional nas pistas, e “precisando”, urgentemente, de um substituto à altura.

A mistura destes sentimentos de luto, tristeza e, em alguns casos, até de orfandade foram nocivos para os anos seguintes.

Rubens Barrichello – Foto Internet/Divulgação

A maior das vítimas deste coquetel venenoso foi o nosso querido e também genial, Rubens Barrichello. Na época, o piloto extremamente jovem (21 anos), se viu na infeliz situação de ser declarado o substituto de Senna, ou “o chefe” como sempre o chamou, em demonstração de imenso carinho.

Competindo na fórmula 1 entre 1993 e 2011, nas equipes Jordan, Stewart, Ferrari, Honda, Brawn e Williams, Rubinho – como foi carinhosamente apelidado – conquistou dois vice campeonatos (2002 e 2004). O título não veio e os piadistas de plantão em nada ajudaram ao desonrar nosso piloto nacional.

Ferrari / Reprodução

De forma mais branda, Felipe Massa passou por algo semelhante e, embora tenha passado muito perto em 2008, o tão esperado (e merecido) título não veio.

Outros grandes nomes ainda conseguiram passar pela Fórmula 1, mas com cada vez menos apoio e equipamentos pouco competitivos, não tiveram chances reais de vitórias e nem de criarem contra si o perigoso papel de “substitutos do Senna”, dentre eles: Christian Fittipaldi; Enrique Bernoldi; Pedro Paulo Diniz; Maurício Gugelmin; Ricardo Zonta; Antônio Pizzônia; Cristiano da Matta; Bruno Senna; Nelsinho Piquet, etc.

Christian Fittipaldi – Fórmula 1 1992

Como resultado (desastroso, diga-se), o Brasil ficou sem representante na Fórmula 1, algo que não acontecia desde o ano de 1970, deixando clara que a já complicada situação do automobilismo brasileiro havia piorado ainda mais.

Os olhos internos dos torcedores novamente se desviaram por completo do automobilismo e o mercado nacional estagnou. Circuitos fechados, mutilados, abandonados e vazios. Jovens pilotos de muito talento esquecidos em pistas de várzea, amargam a dor de saber o potencial que possuem e contentam-se apenas com a penumbra que recai atualmente sobre o esporte e amam e aí qual se dedicam, infelizmente.

Assim, a tristeza pela perda de nosso grande Ayrton Senna vai muito além das manhãs de domingo, do acidente em Ímola e do luto nacional eterno.

Foto: Getty Images

A morte de Ayrton levou os brasileiros, por conta da desilusão, a deixar de lado a devida atenção que automobilismo merece, obrigando patrocinadores a fazerem o mesmo e, por consequência, esvaziando por completo os apoios e verbas que qualquer piloto precisa para o seu perfeito desenvolvimento.

Assim, esta grande perda de 1994 deu início a uma série de fatos e situações que prejudicaram, em muito, os jovens pilotos de nosso país. Embora triste este texto não poderia deixar de mencionar, ao seu final, a grande realidade da maioria dos aficionados por automobilismo:
“Saudades, Ayrton Senna do Brasil”.

Foto Pascal Rondeau/Allsport Getty Images

Foto destaque Internet/Divulgação

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