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Fórmula-E: Está deixando de ser importante para as montadoras?

6 de abril de 2021

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Marcio de Luca

A Fórmula E, categoria de monopostos elétricos, entra neste ano em sua sétima temporada e a primeira sobre a alcunha de campeonato mundial da FIA. Porém, apesar de tantos motivos para comemorar, eventos isolados têm tirado o sono de Alessandro Agag, CEO e fundador da competição.

Um dos motivos de preocupações foram os anúncios da saída, ao término desta temporada, da Audi e da BMW, sendo que a primeira focará seus esforços novamente no WEC, campeonato mundial de Endurance e nos rallys todo terreno e a segunda alega que já levou a exaustão o conhecimento e troca de tecnologias que a categoria poderia oferecer para seus carros de rua.

O argumento da BMW não é de todo errado ou pequeno, pois apesar da Fórmula E se basear puramente na propulsão elétrica dos seus carros, seus componentes trabalham de forma completamente distinta em relação aos carros de rua, pois as baterias que compõem os monopostos, por exemplo, tem a função de acumular energia e a descarregar na velocidade que é exigida, sempre privilegiando a potência, algo que funciona de forma oposta em carros de rua, que precisam de uma descarga linear onde a proposta é uma maior autonomia do sistema.

Além dessas duas montadoras, a também alemã Mercedes ainda não se comprometeu com a Gen3, próxima geração de carros da categoria e que pode elevar o status da competição, pois trará para as pistas um monoposto mais potente e eficiente. A Jaguar também é outra que ainda não fez sua adesão à próxima geração dos carros elétricos e isto é outro ponto de preocupação para Agag e sua turma.

Mas, mesmo que hajam (ou sobrem) motivos para se preocupar, analisando friamente a situação, é pouco provável que a estrela de três pontas deixe a competição agora, pois esta é apenas sua segunda temporada no campeonato e, mesmo que o grupo alemão tenha bastante dinheiro para usar no esporte motorizado, sair agora seria como jogar dinheiro fora, dado o investimento já realizado até aqui.

A situação da Jaguar é um pouco diferente, pois a marca britânica já está na competição há três temporadas (inicia sua quarta agora) e pode não estar disposta a continuar investindo neste esporte, mas vejo também como algo pouco provável, já que tem buscado eletrificar sua linha de produtos de rua e ter seu nome ligado a categoria pode ser um bom argumento de vendas.

Mas se tudo der errado e as duas também decidirem sair, a competição ainda terá pelo menos 18 carros no grid (a Fórmula 1 tem apenas dois as mais), onde devemos levar em consideração o interesse de outras marcas na competição, como já demonstrou a McLaren, por exemplo, que recentemente lançou seu modelo de rua Artura, que é o primeiro carro de série da marca com propulsão hibrida, podendo usar a Fórmula E como plataforma de vendas de seus futuros modelos que, segundo a marca, vão seguir a filosofia de carros híbridos e também puramente elétricos.

Outro ponto que tem sido visto como desfavorável é o fato do orçamento anual de cada time hoje estar na casa dos 40 milhões de dólares, algo que no início da competição era um quarto disso. Mas, mesmo sendo um alto valor, não é das categorias mais caras e por ser um campeonato que roda o mundo, a visibilidade gerada ajuda a pagar esta conta.

Só que, sobretudo pelo momento atual que o mundo vive e passa, nem todos estão dispostos a colocar uma conta dessas no seu cardex, por mais que hajam grupos muito fortes dando sopa por ai – temos que pensar nisso também…

E verdade seja dita, a Fórmula E continua sendo muito relevante ao esporte motorizado e devemos lembrar que a competição está apenas em sua sétima temporada. Se observamos a história das competições mundiais, o tempo de maturação das categorias costuma ser muito maior do que o que temos visto na competição dos carros elétricos, que desde o começo vem mantendo um grid com um alto volume de carros.

Fora isso, diversos países buscam levar a Fórmula E para suas ruas, demonstrando que o interesse na competição existe em diversas frentes, algo que para as marcas que participam do campeonato é também importante, pois a categoria – como todas as demais competições – são verdadeiras vitrines, o que conta muito nas decisões de sair, se manter ou mesmo entrar na competição.

Claro que faz sentido se preocupar com a longevidade do certame, ainda mais em tempos onde vemos campeonatos surgirem e irem embora, mas olhando claramente para a Fórmula E, ela não parece estar com sua continuidade ameaçada. Não neste momento.

Sendo assim, mesmo podendo perder algumas marcas, ainda não acho que a Fórmula E esteja em sua descendente, pelo contrário, pois se a tendência mundial é a eletrificação da frota dos carros mundo à fora, quem dirá nos esportes que de certa forma são espelhos dos que vemos nas ruas, não é?

Ou seja, pode parecer que o mundo tenha perdido o interesse na competição, mas devemos lembrar que o mundo de hoje é muito diferente do mundo de sete anos atrás quando a Fórmula E começou, porém hoje o mundo está muito mais elétrico e isto pode ser um forte indicio que a categoria tem uma vida longa pela frente.

Fotos Divulgação

Marcio de Luca

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