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FÓRMULA E: HÁ MOTIVO PARA PRECONCEITO COM A CATEGORIA?

1 de março de 2021

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Marcio de Luca

Para este que vos escreve, de verdade não, mas não basta apenas a opinião, mas sim discorrer sobre o porquê desta minha opinião.

A Fórmula E inaugurou em Diriyah, Arábia Saudita, no final de semana passado a abertura da sua sétima temporada e a primeira como sendo um campeonato da FIA, onde vemos um grid bem diverso, com marcas de renome mundial e outras, que apesar de não serem montadoras, investem na criação do seu próprio equipamento, caso da Penske, que corre o brasileiro Sérgio Sette Câmara.

Neste ano estamos na derradeira temporada com os carros da segunda geração, os chamados Gen2, que para quem não imagina pode atingir uma velocidade máxima de 280 Km/h e isto com “apenas” 250 KW de potência puramente elétrica, equivalente a 340 cv, vindo de baterias que pesam sozinhas 385 Kg –  o carro pesa ao todo 900 Kg.

Mas, a Gen3 que será inaugurada na próxima temporada vem com um grande upgrade na potência e com isto, teremos uma velocidade final ainda maior, já que a potência das novas unidades tem 350 KW, algo em torno de 476 cv, num monopostos cujo peso será de apenas 700 Kg.

Neste ano com a possibilidade de assistir o campeonato em TV aberta, o alcance da categoria será muito maior, fazendo com que pessoas que não a conhecem a fundo, ficassem atônitas com o acidente que aconteceu com Alex Lynn, que se não fossem os equipamento de segurança passiva do monoposto, poderia ter um desfecho trágico para o piloto.

Quando a categoria começou as corridas tinham duração de 45 minutos, como é hoje, porém os pilotos precisavam trocar de carro, já que as baterias não duravam uma prova inteira, porém hoje dá largada a bandeirada final, temos um stint único e com um detalhe curioso e importante de ser frisado: cada carro tem apenas 2 jogos de pneus para o final de semana de corridas e estes, são do tipo multiuso, ou seja, com pista seca ou molhada, não há troca de pneus.

É bem verdade que na fase inicial quando havia a necessidade de trocar o carro, até para mim que estou no automobilismo há certo tempo e acompanho a evolução e diversas categorias mundo a fora, gerava uma grande estranheza, mas com o tempo fui digerindo o fato, sobretudo por ser algo realmente novo quando começou, onde carros elétricos sobretudo no Brasil, era algo extremamente difícil de ser visto nas ruas (salvo alguns Toyota Prius táxi híbridos).

Mas, em meio a tudo o que acho fascinante na Fórmula E, há uma coisa que ainda não consigo aceitar plenamente: o fato das provas não serem realizadas em autódromos, mas sim circuitos de rua. Na minha humilde opinião, acho que apenas em lugares como as pistas, criadas especificamente para a prática do automobilismo, teríamos uma noção real do que um carro da categoria é capaz de fazer, onde inclusive poderia ser comparado o desempenho dos carros com outras categorias, das quais a Fórmula 1, provavelmente a maior “rival”.

Desta forma, aos que ainda se mostram avessos aos monopostos elétricos, sobretudo por não terem o ronco de possantes motores que acostumamos ouvir no automobilismo, este pode ser o formato futuro das corridas, pois cada vez mais tem surgido campeonatos que tendem a migrar para a propulsão elétrica, inclusive no mundo do todo terreno, como é o caso do Extreme E, cujos buggys no melhor estilo Rally Dakar, serão movidos unicamente a baterias.

Sendo assim, me perdoem pelo trocadilho, mas o choque de hoje, vai ser a realidade de amanhã nas corridas.

Fotos fiaformulae.com

Marcio de Luca

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