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Mansour Ojjeh, um legado que jamais será esquecido

10 de junho de 2021

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Derek Mayer

A história nem sempre é justa e honesta com aqueles que fazem por merecer e de alguma forma, foram destaques em suas épocas, que muitas vezes acabam nomeando eras de tão importantes que foram os seus feitos.

A Fórmula 1, que sempre foi marcada por eras em sua longeva trajetória, vive neste momento a era turbo-híbrida e recentemente deixou para trás a era dos garagistas com a venda da equipe Williams para a Dorilton Capital.

E falando destas eras e legados, alguns esquecidos, mas outros sempre lembrados, não podemos deixar de falar de Mansour Ojjeh, um empresário saudita criado na França que tornou a McLaren grande, gigante e quase inatingível por longos anos.

Mansour Ojjeh

Ojjeh sempre foi um visionário e onde ele colocava a mão, verdadeiramente a coisa ia pra frente – hoje, uma das mais conhecidas marcas de relógios do mundo, a Tag-Heuer só se tornou o que é devido ao seu feeling para os negócios – na década de 70 fundou a Techniques d ́Avant Gard, ou simplesmente TAG e anos depois comprou a suíça Heuer, ainda pequena fabricante de relógios. O restante da história não precisa ser contada, porque os dias de hoje falam por si só…

O franco-saudita sempre foi aficionado por velocidade, mas mantinha negócios na área de petróleo, se enveredando depois pelas áreas de mecânica, eletrônica, relojoaria, até chegar na Fórmula 1 no ano de 1980, quando passou a investir na equipe Williams. Porém, a parceria que lhe daria o nome que lhe deu dentro da F1 só seria iniciada no ano seguinte, quando então o destino o aproxima de Ron Dennis, então dono da McLaren.

Em 1981 Dennis tentava junto a Porsche colocar em seus carros um motor turbo exclusivo e com investimentos da equipe e da Marlboro, patrocinadora máster do time, bancaram o projeto e em 1982 Ojjeh foi convencido a investir na equipe, quando então surgiu os motores TAG-Porsche, entrando em atividade na temporada de 1983.

A partir daí o envolvimento do empresário com o time só aumentou e ele passou a ser sócio da equipe, logo em seguida se tornando majoritário. Ojjeh nunca esteve nos holofotes da Fórmula 1, sendo este papel realizado por Ron Dennis, que por muitos anos foi a cara da equipe, que na década de 90 entraria para o ramo de fabricação de automóveis com a criação do McLaren F1, obra do sul-africano Gordon Murray e que ostentava o imponente motor 6.1L V12 da BMW.

Em 1995 o McLaren F1 venceu a lendária 24 Horas de Le Mans, colocando ainda outros quatro carros dentro do top 5 da corrida, mostrando um fantástico trabalho da empresa também nesta modalidade.

Deste momento para frente a McLaren se tornaria uma potência na Fórmula 1, sendo campeã de construtores nos anos 1984, 1985, 1988, 1989, 1990, 1991 e 1998. Já de pilotos, foi campeã nos anos 1984, 1985, 1986, 1988, 1989, 1990, 1991, 1998, 1999 e 2008, este último já na era da Mercedes-Benz como sócia da equipe, mas ainda sob o comando da dupla Dennis-Ojjeh.

Os alemães se mantiveram no time até novembro de 2009, quando venderam suas ações e no ano seguinte colocaram sua própria equipe no grid, porém forneceram motores para o time ainda por mais seis anos.

Mansour Ojjeh

Pensando na história do time, a McLaren estreou na Fórmula 1 no GP de Mônaco de 1966 e antes da entrada de Ojjeh para a organização, havia sido campeã apenas em 1974, quando levou os títulos de construtores e de pilotos com o brasileiro Emerson Fittipaldi – a parceria entre o britânico e o saudita se mostrou a mola propulsora da equipe, que nos anos de seu domínio venceu sete campeonato de construtores e dez de pilotos, o que não é um feito para poucos, se tornando uma das maiores de todos os tempos.

A equipe de Woking aos poucos virou um conglomerado de negócios pelas mãos dessa dupla e se tornou uma das marcas mais importantes do mundo empresarial. Claro que não atingiu o tamanho e o status que obteve apenas com o trabalho dos dois, mas exatamente pela capacidade de ambos, colocaram as pessoas certas em seus lugares e fizeram a empresa, time e grupo virar o que é hoje.

Mesmo com a chegada do fundo soberano barenita na McLaren, que comprou a maioria das ações do grupo, Ojjeh se manteve na empresa. Ron Dennis se foi em 2016, mas Ojjeh ainda manteve uma parcela de 14% do grupo por intermédio de sua empresa TAG, cujas ações foram transferidas para seu filho no ano passado, juntamente com seu posto de diretor da empresa.

Mansour Ojjeh

Em virtude das complicações de sua saúde, Ojjeh já não era mais visto no paddock da Fórmula 1, uma das suas grandes paixões – nos últimos anos precisou realizar transplantes de pulmão e fígado e no último sábado, aos 68 anos, deu seu último suspiro na cidade suíça de Genebra.

Partiu assim uma das pessoas que mais fez pela Fórmula 1. Sim, pela Fórmula 1, pois também foi graças a ele que uma equipe cresceu absurdamente e quando isso acontece, a concorrência se movimenta para no mínimo tentar acompanhá-la e com isso, o crescimento é gerado no todo, sendo um time o impulso do outro.

Não duvido que o seu legado será lembrado para o resto da história da categoria e até mesmo da humanidade e fica aqui nosso agradecimento por tudo o que Mansour Ojjeh fez por este esporte que tanto amamos que é a Fórmula 1.

Que a história seja justa com este grande homem.

Fotos Divulgação

Derek Mayer

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