NASCAR 2019 – Drivers, start your engines!

13 de fevereiro de 2019

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Alex Leonello Teixeira

A 71ª temporada da NASCAR está prestes a se iniciar, para a felicidade de todos os amantes desta categoria norte americana que já se encontram em verdadeiro jejum que se iniciou após a bandeirada final da etapa de Homestead, em Miami, no dia 18/11/2018, trazendo a conquista do título daquela temporada para o piloto do carro nº 22 da equipe Penske, Joey Logano.

Conhecida como uma das categorias que mais conseguiu preservar as suas principais raízes desde o seu surgimento, exceto no quesito segurança, onde a mesma não mede esforços para preservar a vida e a integridade física de seus pilotos e espectadores, a NASCAR causa polêmica entre os amantes do automobilismo, justamente por conta das “liberdades de disputa” que permite, tais como os bumps que tiram os adversários da pista e até mesmo roubam suas vitórias próximo a linha de chegada.

O curioso é que este mesmo tema é o que divide os verdadeiros amantes da NASCAR daqueles que não a toleram, principalmente em um país como o Brasil, onde toda a nossa cultura automobilística vem de países europeus.

Não podemos esquecer que estamos diante de uma categoria que preza por suas próprias raízes e, trazendo consigo um automobilismo puro, a contrário de muitas outras, não se utiliza de métodos artificiais como botões disso ou asas daquilo que, ao fim, só deixariam claro que o método e a concepção da competição estariam evidentemente equivocados.

Pessoalmente entendo esta postura como uma condição normal de corrida, uma vez que, como já reproduzi em alguns outros textos passados, deve-se preservar, acima de tudo a realidade de que cada competidor está ali para tentar vencer, cabendo aos demais estudar formas de se defender ou de revidar, proporcionando o que chamamos de payback.

Entendo, ainda, que este tipo de disputa é muito mais aceitável que uma ordem de equipe que, ao final de uma prova determina que pilotos invertam suas posições na pista, visando o favorecimento de um deles no campeonato.

Por obvio, estes bumps devem acontecer apenas em caso de disputa de posição e jamais poderá ser uma prerrogativa de um retardatário sobre um piloto que se encontra na volta do líder, como foi o caso de Matt Kenseth x Joey Logano na etapa de Martinsville no ano de 2016.

Vale ressaltar que, naquele caso, a NASCAR puniu o campeão Matt Kenseth que, à época, pilotava o carro nº 20 da equipe de Joe Gibbs.

Além disso, faz parte do espetáculo e, assim, seriam praticamente inevitáveis os toques entre aqueles stock cars gigantes e com imensa potência nos motores.

Quem não se lembra da belíssima disputa de tirar o fôlego travava entre o tricampeão Tony Stewart, que precisava da vitória para se classificar para o chase (nome dado aos playoffs naquela época) e Danny Hamlin na última volta do circuito misto de Sonoma, na mesma temporada de 2016?

Contudo, opiniões diversas e vindas de pessoas com profundo entendimento sobre o automobilismo apontam em sentido contrário, com o forte argumento de que tais atitudes estragam o espírito da competição, em prol apenas do espetáculo, como é o caso de nossos grandes autores do PLANETA VELOCIDADE, Marcos Amaral e Regii Silva, que gentilmente atenderam meu pedido, expuseram suas opiniões pessoais e contribuíram em muito com este texto.

Na opinião de Marcos Amaral “Embora seja permitido pela organização da NASCAR, os famosos “Bumps” na minha opinião deveriam causar punições para os pilotos. Principalmente nas voltas finais, tivemos um exemplo claro desses bumps na temporada de 2018, onde os pilotos Joey Logano e Martin Truex Jr nas últimas voltas foram se batendo até a bandeirada final da etapa de Martinsville. Estes fatos também ocorreram em outras etapas de anos anteriores, onde além dos toques os pilotos acabaram se agredindo, outro exemplo clássico foi a briga entre Joey Logano e Kyle Busch. Claro que não podemos generalizar, pois em qualquer categoria os toques de corrida acontecem”.

Da mesma forma, quanto a este tema, Regii Silva sinaliza seu entendimento de que “É natural esta divisão entre automobilismo nos EUA e no resto do mundo. Nos EUA o foco é o espetáculo, no resto do mundo o foco é o esporte, quando analisamos algumas regras, ou falta de, presentes na NASCAR entendemos que para o público é interessante ver um carro tocando o outro por trás, os esfregões forçando o adversário contra o muro, é uma questão de cultura. A emoção de quem assiste uma corrida num circuito Oval é indescritível, a visão que se tem da pista toda, a sensação de velocidade, enfim, para o público é incrível, mas fica por ai.

No resto do mundo, o automobilismo tem uma outra conotação, o desafio de guiar em uma pista desconhecida, com diferentes tipos de curvas, inclinações diversas, mas por outro lado o público não tem visão de tudo que acontece, o esporte em si, não é o esporte número em nenhum país, e em alguns países a própria Fórmula 1 não alcança um público como o da NASCAR em Daytona ou Indy 500.

Mas analisado friamente o esporte como um todo, sou contrário a muitas regras, ou falta de, da NASCAR, a falta de atuação de comissários com mais pulso, um regulamento mais travado, parece loucura imaginar que apenas nesta temporada prestes a se iniciar, teremos um parque fechado obrigatório depois das corridas, isso é básico no mundo. Portanto encaro a NASCAR como um grande espetáculo, um dos maiores do mundo, porém ainda estão engatinhando quando o assunto é automobilismo, seja tecnicamente falando, seja por questões de regras e regulamentos.”

Respeitando sempre a liberdade, os argumentos bem fundamentados, a beleza da diversidade de opinião de todos e aprendendo cada vez mais com elas, devemos mencionar que, para o alívio de muitos e a partir desta temporada de 2019, a NASCAR trará diversas mudanças significativas em suas regras, inclusive no que diz respeito a punição mais severa de seus pilotos.

Pela primeira vez na história, foi anunciado que os vencedores de suas três principais categorias (Cup, Xfinity e Truck) que não passarem nas inspeções técnicas realizadas após a corrida, a partir do início da temporada de 2019, serão desqualificados, perdendo todos os pontos dos playoffs e sendo colocado para o último lugar na prova.

Da mesma forma, ao contrário do que era realizado antes, quase todas as inspeções pós-corrida serão efetuadas imediatamente e ainda na pista, exceto para alguns mecanismos que são executados mais de uma vez.

Ou seja, a NASCAR, além de trazer para a pista uma fiscalização que já existia, mas era realizada em sua sede, em Charlotte – NC, endureceu em muito as punições aplicadas aos vencedores que não cumprirem a risca o regulamento.

Por óbvio, esta atitude veio em resposta as duas reprovações de inspeção de fim de prova que foram sofridas pelo campeão Kevin Harvick (4) e sua equipe Stewart-Haas Racing na temporada de 2018, nas etapas de Las Vegas e do Texas, sendo que esta última era válida pelos playoffs, como foi noticiado aqui no PLANETA VELOCIDADE através do link NASCAR MONSTER CUP – KEVIN HARVICK É PUNIDO, PERDE A VITÓRIA NO TEXAS E A VAGA NA FINAL

Da mesma forma, e como já anunciado pelo PLANETA VELOCIDADE através do link NASCAR ANUNCIA MUDANÇAS NOS MOTORES E NO PACOTE AERODINÂMICO DOS CARROS PARA A TEMPORADA DE 2019., não podemos deixar de relembrar as significativas mudanças nos motores e no pacote aerodinâmico dos carros para esta temporada de 2019.

Nos circuitos com mais de 1 milha de extensão, a potência dos motores estará reduzida para cerca de 550 cavalos de potência.

Dutos aerodinâmicos também serão inseridos nos carros em algumas pistas, objetivando aumento nas disputas e, ainda, uma maior proximidade entre os competidores

Os elementos aerodinâmicos básicos do pacote de regras 2019 são um spoiler traseiro mais alto de 8 polegadas por 61 polegadas, um divisor frontal maior com uma projeção de 2 polegadas e uma bandeja de radiador maior que mede 37 polegadas de largura na frente reduzindo-se para 31 polegadas na parte de trás, com a intenção de adicionar downforce para estabilizar a direção dos carros.

Cinco corridas em ovais maiores serão exceções. Ambos os eventos e corridas de Pocono, Atlanta, Darlington e Homestead usarão o espaçador cônico menor, mas não contarão com os dutos aéreos que transferem o ar para o lado do carro longe dos pneus dianteiros.

As famosas placas restritoras utilizadas nos super ovais de Daytona e Talladega desde o ano de 1987 estarão abolidas e farão sua última participação na prova de abertura do campeonato de 2019, a Daytona 500, a ser disputada no dia 17/02.

Com isso, os super ovais, em verdade, terão um ganho de potência de cerca de 100 cavalos, uma vez que com as referidas placas obtinham apenas 450 hp.

Através das fotografias abaixo, ficam claras as modificações introduzidas pela NASCAR entre as temporadas de 2017, 2018 e 2019:

Segundo informações da própria NASCAR estas mudanças anunciadas deve servir de parâmetro para o planejamento dos carros da 7ª geração, que entrarão nas pistas a partir da próxima década.

Tais carros possuem a promessa de serem diferentes e com algum avanço tecnológico, a fim de que fazer com os mesmos se pareçam cada vez mais com os modelos que circulam nas ruas de todo o mundo.

Não podemos deixar de relembrar, ainda, que a equipe campeã da temporada de 2017 com o piloto Martin Truex Jr, a Furniture Row, no dia 04/09/2018, anunciou que deixaria a NASCAR a partir deste ano, em função de problemas para a obtenção de patrocínios para esta temporada que se inicia, como restou noticiado pelo PLANETA VELOCIDADE e pode ser revisto por meio do link NASCAR – FURNITURE ROW ANUNCIA FIM DAS ATIVIDADES PARA O ANO DE 2019.

 

Outra novidade que vale a pena ser relembrada é a de que, seguindo a tendência da Chevrolet, que em 2018 substituiu o SS pelo Camaro nas pistas, a Ford, em 2019 aposenta o bem sucedido Fusion para dar lugar ao Mustang na Monster Energy NASCAR Cup Series, como foi visto aqui no PLANETA VELOCIDADE através do link NASCAR: FORD APRESENTA NOVO MUSTANG PARA 2019 NA CUP SERIES

 

Sem alterações na Cup Series, onde manterá o modelo Camry, a Toyota apresentou modificações apenas nos carros de sua marca que disputam a Xfinity Series, segunda principal categoria da NASCAR, apresentando o modelo Supra, que disputará as etapas da temporada de 2019.

Por falar em Xfinity Series, o grid de largada da categoria foi reduzido de 40 para apenas 38 carros, o que, segundo a NASCAR, irá proporcionar uma maior competitividade e reduzirá o número de retardatários.

A Truck Series, terceira principal categoria da NASCAR, muda de nome e passa a se chamar Gander Outdoors, uma empresa que também é de propriedade de Marcos Lemonis, assim como a Camping World, que lhe emprestava o nome até a temporada de 2018.

Por fim, mas não menos importante, após ter adquirido a ARCA – Automobile Racing Club of America, em abril de 2018, a NASCAR, para a tristeza de muitos, anunciou que a mesma será extinta no final da temporada de 2019, sendo que a marca e a fornecedora de pneus (General Tire) se integrarão com a K&N Pro Series.

Assim como a mencionada K&N Pro Series (leste e oeste) a Whelen Euro Series, a Pinty’s e a Peak Mexico Series também passarão a usar os pneus da marca General Tire.

A Good Year seguirá firme como fornecedora da Monster Cup, da Xfinity Series e, ainda, da recém chegada Gander Outdoors Truck Series.

Já a Hoosier, que equipou os carros da ARCA até o ano de 2015, seguirão com a Whelen Modified Tour.

Leitores, liguem os seus motores que este próximo final de semana (15, 16 e 17/02), além da tradicional Daytona 500, válida pelo campeonato da Monster Energy NASCAR Cup Series, também contará com provas da Xfinity Series e, ainda, da Gander Outdoors Truck Series!

Até lá!

Alex Leonello Teixeira
Twitter: @alexleonello
Fonte: Divulgação/Internet
Alex Leonello Teixeira

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