NASCAR Cup Series – Brad Keselowski herda liderança em Bristol para vencer pela segunda vez na temporada.

1 de junho de 2020

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Alex Leonello Teixeira

Mal baixamos o nível da adrenalina deixada pelas quatro etapas disputadas em Darlington e Charlotte, e as feras da NASCAR Cup Series, principal categoria do automobilismo norte americano, parte direto para o estado do Tennessee, mais precisamente para o último grande coliseu: Bristol.

Revisão Francisco Brasil
Foto Destaque Jared C. Tilton | Getty Images

Amado incondicionalmente pela grande maioria dos fãs da categoria, Bristol é considerado o circuito oval de meia milha mais rápido do mundo.

Tal qual o Coliseu original, situado em Roma, na Itália, neste as batalhas também deixam suas “vítimas” e, se um carro chega completamente intacto no final de uma prova, isso certamente significa que o piloto não andou bem em Bristol.

Foto twitter.com/NASCAR

Lembrando bem de uma brilhante comparação feita anos atrás por nosso amigo e companheiro Marcos Amaral, as bigas cresceram e a cavalaria atualmente é muito maior, mas as disputadas, os toques e os duelos permanecem inalterados, dando a César o que é de César.

Novamente por sorteio, a pole position para esta etapa ficou nas mãos de Brad Keselowski, com sua “biga” número 2 da equipe Penske.

Estágio 1

Após as tradicionais cerimônias de abertura, a bandeira verde foi finalmente agitada, dando início a nona etapa da fase regular do campeonato da Cup Series.

Ainda na volta 7, a primeira bandeira amarela é acionada, após uma rodada de Ryan Newman, que felizmente não atingiu o muro.

Nas voltas 20 e 60 aconteceram as bandeiras amarelas de competição que haviam sido previamente programadas, onde os pilotos aproveitaram a oportunidade para buscar os pits e, como tem sido de costume nas últimas provas, Kyle Busch foi punido por excesso de velocidade.

Matt DiBenedetto relarga na frente, mas logo é ultrapassado por Keselowski, que reassume a liderança.

Ryan Blaney vem para assumir a ponta na volta 84, enquanto Chase Elliott fez o mesmo no giro 104, depois de uma longa e bela disputa.

Sem ser superado, Chase Elliott cruza na frente a linha de chegada para vencer o primeiro segmento da prova.

Estágio 2

Depois das paradas nos boxes para reabastecimento e trocas de pneus, a relargada é dada com Ryan Blaney na primeira posição.

Depois de uma pequena disputa interna da equipe Penske, Brad Keselowski se torna novamente o líder na volta 171.

A bandeira amarela é novamente acionada na volta 198, quando Ryan Blaney roda na pista e tem seu Ford Mustang número 12 atingido pelo Chevrolet Camaro 13 de Ty Dillon.

Aproveitando a oportunidade para buscarem os boxes, Chase Elliott volta como novo líder da prova.

Em duas tentativas de relargada, a prova foi de pronto interrompida novamente, sendo a primeira na volta 212, por conta da rodada de Joey Gase e a segunda no giro 219, depois de Bayley Curray ficar parado na pista.

Na volta 229, Rick Stenhouse Jr. Roda após um toque de Jimmie Johnson e é atingido por Tyler Reddick, Alex Bowman, Kurt Busch e Cole Custer, causando um “mini” big one. O incidente causa uma bandeira vermelha.

Com a prova finalmente reiniciada, foi a vez de Ryan Preece raspar o muro e provocar outra intervenção.

A bandeira verde é agitada com apenas 7 voltas para o fim do estágio 2, com Chase Elliott mais uma vez imbatível para vencer mais um segmento da competição.

Estágio Final

Vários pilotos decidiram permanecer na pista, e dentre eles estava Denny Hamlin, que relargou na primeira colocação.

Na volta 269, Chris Buescher vai para o muro e a amarela é novamente acionada.

Kyle Busch, totalmente recuperado da punição, supera seu companheiro de equipe para se tornar líder da prova na volta 278.

Depois de um bom tempo de calmaria, Austin Dillon toca o muro de leve na volta 329, trazendo a necessidade de nova neutralização da prova. Durante as paradas Brad Keselowski, Joey Logano, Austin Dillon e Bubba Wallace foram punidos nos pits por excesso de velocidade.

A verde volta a tremular, mas Ryan Newman vai para o muro e novamente provoca o acionamento da amarela, na volta 355.

Na relargada, Hamlin reassume a primeira posição, mas as posições se invertem novamente, a favor de Kyle Busch, na volta 417.

No giro 433 a bandeira amarela foi acionada mais uma vez, depois que Kevin Harvick acha muro e é atingido por Erik Jones.

Denny Hamlin relarga como líder da prova.

Nova neutralização aconteceu na volta 458, quando Gray Gaulding acerta a mureta de proteção da pista.

Mal a prova se reiniciou e teve que ser novamente interrompida, depois de um enrosco entre Martin Truex Jr., Aric Almirola e Michael McDowell.

No retorno, Hamlin erra, toca com Joey Logano e roda a 12 voltas do fim, perdendo a liderança para Chase Elliott e provocando outra bandeira amarela.

A bandeira verde é novamente agitada quando restavam apenas 6 voltas para o final, quando Chase Elliott e Joey Logano começaram a se degladiar na pista, até que ambos foram juntos para o muro.

Com as portas abertas, Brad Keselowski herda a primeira posição para não mais perdê-la, cruzando na frente a linha de chegada e vencendo a etapa de Bristol.

Na segunda colocação terminou a prova Clint Bowyer e, em terceiro, completou o heptacampeão Jimmie Johnson.

Declarações dos pilotos

Em entrevista dada ao final da prova, Elliott informou que perdeu a traseira do carro e levou consigo Joey Logano, afirmando e garantindo que a manobra não foi intencional.

“Tentei correr por baixo dele e acabei escorregando, não sei se tive um pneu furadodo ou se soltei na entrada (da curva). Assim que desgarrei em direção ao muro, não tive chance nenhuma de controlá-lo, então certamente assumirei a culpa”.

Joey Logano não ficou satisfeito com a explicação e disse:

“Ele me destruiu. Ele escapou debaixo de mim. A parte frustrante é que, depois, nem um simples pedido de desculpas – como um homem deve chegar até alguém e dizer: ‘Ei, foi mal!’. Mas eu tive que forçar um pedido de desculpas, o que, para mim, é infantil. Enfim, tivemos uma boa recuperação com o nosso Mustang e tivemos uma chance de vencer. É tudo o que você pode esperar. Eu passei por ele limpo. É difícil correr no final. É uma corrida difícil, mas caramba, cara, seja um homem e leve o golpe quando tiver terminado.”

Joey Logano e Chase Elliott concluíram a prova na 21° e 22° colocação, respectivamente.

Nossa visão

Como sempre, trazemos nossos pontos de vista:

Opinião Alex Leonello

Não há como não amar as provas realizadas no tradicionalíssimo Coliseu de Bristol.

Embora seja o menor circuito utilizado pela Cup Series, a emoção que ele transmite é inversamente proporcional ao seu tamanho diminuto.

As disputas não só pela liderança, mas também pelas posições intermediárias ocorreram durante toda a prova e sempre em meio a muitos retardatários, justamente por conta das dimensões da pista.

Em que pese o final inesperado e a briga intensa entre Logano e Elliott, não se pode deixar de dizer que a evolução do piloto do Chevy Camaro número 9 da equipe Hendrick é gritante, visto que, além de vencer ambos os segmentos, veio forte no final, com grandes chances de vitória, assim como tem feito nas provas anteriores.

Faltou um pouco de cabeça para ambos os pilotos pois, na disputa inconsequente pela vitória, ambos não só perderam, como também deram adeus ao segundo lugar.

Embora ambos já estejam classificados para os playoffs por vitórias, pontuar é sempre muito importante, sem mencionar que, para seus patrocinadores, esta imagem não agrada em nada.

É fato que a rixa de ambos veio desde o incidente anterior que provocou o enrosco entre Logano e Hamlin, aparentemente iniciado por um toque de Elliott.

Contudo, é certo também que ambos aniquilaram não só a atuação que tiveram nas 498 voltas anteriores da prova, como também jogaram por terra todo o trabalho e dedicação que suas equipes desempenharam em prol dos mesmos.

Ainda se lembram da história das bigas que mencionamos no início? Pois é, sem batalhas não seria o Coliseu, e certamente não seria a NASCAR.

Quem certamente gostou do entrevero foi Keselowski que, com isso herdou a primeira colocação e comemorou nada menos que a sua segunda vitória no campeonato.

Opinião Francisco Brasil

Claro que o assunto da prova foi o embate entre Logano e Elliott, nos mostrando mais uma vez que a prova só termina na bandeirada (e às vezes só depois da quadriculada). Não adianta ter o carro dominante se, ao fim, o piloto não tiver cabeça para minimizar provocações.

Sim, Logano mexeu com a cabeça de Elliott, quando após o erro de Hamlin o piloto da Penske foi tocado por Chase e revidou com bumps durante a amarela. Elliott sucumbiu a pressão.

Se foi intencional ou não, nunca saberemos realmente, mas a batida aconteceu no quarto toque de Elliott. Na reta principal, após ser ultrapassado, deu dois bumps na traseira de Logano. Na saída da curva 1, mais um toque e – talvez por isso – Chase já vem desequilibrado e se choca com Logano na curva 2.

Mas o lado bom de tudo isso é ver Jimmie Johnson firme no top 5, e ter nomes menos frequentes no top 10, como Christopher Bell e Bubba Wallace que foram 9° e 10°, respectivamente.

Outra grata surpresa foi a equipe Front Row, de John Hunter Nemecheck, Corey Lajoie e Michel McDowell, sempre firmes entre os 10, 20 primeiros. Uma clara representação de que trabalho duro abre caminhos na NASCAR. Não se espantem se essa equipe começar a “incomodar”.

Opinião Marcos Amaral

Mais uma corrida sensacional, agora no Coliseu de Bristol, com brigas intensas, bandeiras amarelas e um final que foi de tirar o fôlego.

Logano e Elliott já vinham se pegando antes da volta fatídica. Ao meu ver foi algo de corrida, pois vendo as imagens, o primeiro toque no #22 fez com que o carro de Elliott perdesse estabilidade, e na segunda investida o Chevy #9 arrastou o Mustang para o muro.

Como disse, minha visão é que foi coisa de corrida. Só acho que ali poderia ter tido uma bandeira amarela para apimentar o final da prova.

Realmente a maré de azar anda do lado da Joe Gibbs: Hamlin tinha tudo para ganhar a corrida e bateu no muro; Buschinho liderou a corrida e acabou na quarta posição; Truex se envolveu em um acidente e destruiu o carro, mas ainda voltou e acabou em vigésimo, e Erik Jones se envolveu em um toque e acabou na quinta posição.

Já a Penske está contentíssima com a segunda vitória de Brad Keselowski. Claro que as duas foram herdadas pelas besteiras de Chase Elliott, mas mostra que a equipe tem ficado na frente nas horas cruciais da prova.

Gostaria de fazer uma menção especial a JIMMIE JOHNSON, que tem feito boas corridas e tem ficado ali próximo aos líderes, está merecendo uma vitória.

Opinião Lorenzo Francez

Como era de esperar, a corrida em Bristol teve bastante bandeiras amarelas. Uma pista curta e estreita onde qualquer erro pode causar grandes acidentes. Porém, o meu destaque vai para as voltas finais e quatro pilotos específicos, que estão sempre nos holofotes ultimamente: Chase Elliot, vencedor da última etapa em Charlotte; Joey Logano, com duas vitórias na temporada; Denny Hamlin, também com duas vitórias e Brad Keselowski.

Faltando 12 voltas para o fim, Hamlin estava cometeu um erro, acabou perdendo a liderança e rodando, causando uma bandeira amarela. Chase Elliot e Joey Logano assumiam a liderança da corrida e a disputa ia pegar fogo, pois o histórico dos dois é de confusão.

Dito e feito, na relargada Logano assumiu a primeira posição, e faltando 2 voltas para o fim, eles se estranham e batem, deixando a liderança e a vitória no colo de Brad Keselowski, que conseguiu seu segundo triunfo na temporada e se igualou a Logano e Hamlin.

A próxima etapa da Cup Series ocorrerá no dia 07/06, no circuito oval de 1,5 milha de Atlanta, no estado Norte Americano da Geórgia.

Até lá!

Alex Leonello Teixeira

Alex Leonello Teixeira

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