NASCAR Cup Series – Ela voltou! NASCAR retorna em Darlington, a dama de negro.

18 de maio de 2020

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Alex Leonello Teixeira

Depois de um longo período de afastamento, por conta da grave Pandemia provocada pelo Covid-19, os motores V8 da NASCAR finalmente voltaram a roncar neste final de semana (17/05). Como as damas sempre devem ser as primeiras, a de preto teve a honra de retomar o campeonato, mesmo sem treinos classificatórios e sem público presente.

The sun sets over Darlington Raceway the Saturday before NASCAR resumed its season. Chris Graythen | Getty Images

Pode-se dizer que foi uma saída inteligente, uma vez que Darlington, um oval de 1,366 milhas, está situado na Carolina do Sul, relativamente próximo a localidade onde se encontram as sedes das equipes, em Charlotte, na Carolina do Norte.

Revisão Francisco Brasil

E olha que nem mesmo a ameaça isolada de bomba, que levou a prisão de Michael Donavan Avin, de 46 anos de idade, impediu que o evento ocorresse normalmente e em sua integralidade.

A look at the start-finish line of the track “Too Tough to Tame”: Darlington Raceway Chris Graythen | Getty Images

Aliás, Darlington marcou o retorno às pistas do piloto Ryan Newman (6), afastado após o forte acidente sofrido na etapa de estreia deste ano, em Daytona, e ainda do campeão de 2003, Matt Kenseth, em substituição a Kyle Larson, a bordo do Chevy Camaro n° 42 da equipe de Chip Ganassi, por conta do lamentável incidente de cunho racial protagonizado pelo mesmo em uma prova virtual. Sem treinos classificatórios, o grid de largada teve que ser definido por sorteio e, sendo assim, Brad Keselowski, com seu Ford Mustang n° 2 da equipe Penske conquistou a pole position. Vale ressaltar que as regras para definição das posições foram as seguintes: os doze primeiros do campeonato teriam a oportunidade de largar da pole. Em seguida, do 13° ao 24° da tabela teriam suas posições sorteadas, a partir da sétima fila até a 12°, e as últimas posições definidas na sorte dos últimos do campeonato.

Daniel Suarez’s No. 96 Gaunt Brothers Racing Toyota features a special message to the medical workers on the front lines of the Coronavirus pandemic. Chris Graythen | Getty Images

Após as introduções iniciais, homenageando os heróis da saúde, o pano verde, há muito guardado, afastou a poeira do tempo e deu reinício ao campeonato.

Sem treinos no final de semana e sem borracha na pista, Ricky Stenhouse Jr., Ainda na volta 1, foi o primeiro a encontrar o muro e provocar uma bandeira amarela.

Keselowski se manteve na ponta, seguido de perto por Harvick, até a bandeira amarela de competição, que aconteceu na volta 31. As posições estavam congeladas, ou seja, não seriam alteradas, e Keselowski deu novamente o pé para a relargada na volta 40. Mas os Chevys da equipe Hendrick voltaram muito rápidos e, no giro 45, Alex Bowman assume a ponta, sendo comboiado pelo heptacampeão Jimmie Johnson e William Byron.

Johnson ultrapassa Bowman na volta 80 para se tornar líder da prova. Na última volta do segmento todos aguardavam a vitória de Johnson, mas ele se enrosca em uma ultrapassagem que realizava sobre Chris Buescher, que era retardatário, e vai para o muro, provocando outra amarela. Com isso, a vitória deste estágio inicial caiu no colo de William Byron.

Harvick retorna à pista na frente dos demais para relargar em primeiro e se tornar o novo líder. Uma série de bandeiras amarelas amarrou está parte intermediária da prova, sendo a primeira acionada após uma rodada de Byron, na volta 110, outra pela escapada do mexicano Daniel Suarez, na volta 125, mais uma, por detritos, na volta 155 e, por fim, na volta 172, em decorrência de um acidente de Christopher Bell.

Em todas estas oportunidades os pilotos buscaram os boxes para reabastecimento em troca de pneus, mas a equipe Haas, como um relógio, sempre devolvia seu piloto do carro 4 na frente, deixando as disputas intensas ocorrerem pelas demais posições, exceto nas situações de relargada, onde alguns tentavam a ultrapassagem, mas Harvick era imbatível.

Contudo, nesta última intervenção, algo deu errado e Brad Keselowski voltou para a pista na frente dos demais, sem perder mais o posto e receber a bandeira quadriculada verde e branca que lhe dava a vitória no segundo segmento da prova.

Alex Bowman relargada na primeira colocação, mas logo é ultrapassado novamente por Keselowski. Na volta 212 a bandeira amarela foi novamente acionada após uma rodada de Chris Buescher, e Kevin Harvick, retorna dos boxes na primeira posição. Uma escapada de Ryan Newman, quando restavam apenas 41 voltas para o fim, causa mais uma bandeira amarela.

Daí por diante a prova seguiu sem mais interrupções e se desenhava na disputa da liderança entre Harvick, Bowman, Truex, os irmãos Busch e Elliott. A bela corrida de recuperação feita por Kyle Busch se perdeu quando o mesmo, com problemas em seu carro, se viu na necessidade de retornar aos boxes para uma parada não programada. Bowman até tentou, mas o dia era mesmo de Kevin Harvick e e seu Ford Mustang n° 4, que recebe na frente a bandeira quadriculada para conquistar a vitória na etapa de Darlington, a 50a de sua carreira na Cup Series.

Na segunda colocação completou a prova Alex Bowman e, em terceiro, fechou o top 3 Kurt Busch

Opinião Alex Leonello

A NASCAR está de volta e o simbolismo deste retorno tão esperado vai muito além de uma ordem de largada ou da conclusão de uma etapa. Em verdade, o apelido carinhoso da dama de preto representou bem o luto pelas inúmeras perdas irreparáveis que o mundo sofreu. Ao mesmo tempo, seu tradicional asfalto simbolizou não só a retomada do campeonato, mas também da vida como a conhecemos, posto que a NASCAR e o mundo ainda terão muitas e muitas voltas pela frente. Devo confessar que o acidente e o abandono de prova por parte do heptacampeão Jimmie Johnson causou comoção, uma vez que vinha fazendo uma prova cheia de garra. Dentre os novatos, chamo a atenção para o bicampeão da Xfinity Series, Tyler Reddick, que sempre andou em meio ao top 10 e fechou a prova na bela e honrosa P7. Mas o dia era mesmo de Kevin Harvick. Sempre combativo e muito forte durante toda a prova, mostrando um conjunto carro/piloto imbatível. Sem vencer os segmentos iniciais, Harvick fechou a prova com chave de ouro, fazendo jus ao apelido de “the closer” que possui. Com isso, além de ter conquistado sua vitória de número 50 na Cup Series, Harvick se torna o quarto piloto a vencer nesta temporada, somando a terceira vitória da Ford, contra 1 da Chevrolet e 1 da Toyota.

Opinião Francisco Brasil

Uma prova que serve de alento ao momento que vivemos. A NASCAR traz um sopro de esperança que as coisas podem voltar ao normal, mesmo que aos poucos. Mas, voltando a corrida, vimos que os “veteranos” ainda tem muita lenha pra queimar. Jimmie Johnson vinha com tudo pra acabar o infame jejum, brigando com o carro e levando no braço, até se enroscar com Buescher. Newman nem parece que esteve em situação crítica, voltando a andar num ótimo nível. E Matt Kenseth, que após dois anos parado, já chega “sentando na janela” e arrancando um top 10 de cara. Além deles, obviamente Kevin Harvick se destacou. Liderando boa parte da corrida, mostrou que sabe domar a dama de preto em situações adversas. Mas o que me chamou a atenção foi sua imagem no Victory Lane, sozinho com o troféu. Algo impactante. Não menos importante, o bom desempenho dos “Young Guns”, como Tyler Reddick e John Hunter Nemechek, que chegaram em 7° e 8°, respectivamente, logo atrás de Erik Jones, que fez jus a sua vaga na Gibbs nessa prova, sendo “vigiado” por seu antecessor Kenseth. Resumo: pode não ter sido uma das provas mais empolgantes, mas será sempre lembrada pelo contexto. E quarta tem mais!

Opinião Marcos Amaral

Enfim voltamos a ver os V8 desfilarem pela pista, e o palco não poderia ter sido melhor que Darlington, a “Dama de Preto”. Mesmo sem público, a NASCAR consegue fazer seu show. Pilotos, equipes, imprensa, equipes de resgate e comissários. Prova que marcou o retorno de Ryan Newmann, depois daquele acidente pavoroso no início do ano, e Matt Kenseth assumindo o carro #42, que era de Larson, não vou entrar em detalhes. Vários líderes, troca de posições, brigas acirradas, mas ao final quem se deu bem foi ele, o “The Closer”, Kevin Harvick, que fazia tempo que não vencia e cravou seu nome no retorno do campeonato. Muitos duvidaram que não teríamos essa prova, já que vemos várias categorias paradas ou adiando suas corridas. Mas a NASCAR fez a lição de casa, foi lá e realizou a prova. Vamos torcer para que o campeonato continue, trazendo alegria para nós que gostamos de corridas. Com o calendário modificado em função da Pandemia, a Cup Series já volta a correr na próxima quarta-feira, dia 20/05, nesta mesma pista de Darlington.

Até lá!

Alex Leonello Teixeira

Foto destaque Jonathan Ferrey | Getty Images

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