NASCAR Cup Series – Kevin Harvick domina prova morna em Atlanta, marcada por apoio a protestos anti-racistas

7 de junho de 2020

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Alex Leonello Teixeira

Com uma retomada de campeonato meteórica, e depois de uma semana de descanso, as feras da NASCAR Cup Series voltaram a se enfrentar no último domingo, dia 07/06, no circuito oval de 1,5 milha de Atlanta, situado no estado norte americano da Geórgia.

Revisão Francisco Brasil
Foto destaque Chris Graythen | Getty Images

Com muita história para contar, o Atlanta Motor Speedway já testemunhou diversas finais de campeonato, assim como marcou a despedida do rei, Richard Petty, e também a memorável homenagem post mortem ao intimidador Dale Earnhardt, feita por Kevin Harvick, em duas oportunidades distintas.

Com um asfalto antigo, Atlanta ainda não foi recapeada a pedido dos pilotos da NASCAR, e em virtude da emoção que suas condições atuais de pista trazem aos mesmos.

E por falar em emoção, quem levou a melhor foi Chase Elliott que, com seu Chevy Camaro número 9 da equipe Hendrick, faturou a pole position para esta etapa, que seria a última de uma rodada tripla no final de semana (Truck Series, Xfinity Series e Cup Series).

Cumpridas as tradicionais formalidades e dada a ordem de ligar os motores, os carros se colocaram finalmente em movimento.

Em função dos protestos pela morte de George Floyd provocada por um policial, em Minneapolis, no estado norte americano de Minnesota, os carros durante as voltas de apresentação pararam na pista em frente aos boxes, onde tiveram seus motores desligados para uma homenagem de 30 segundos de silêncio.

Estágio 1 – 105 voltas

Com as atividades retomadas, o pano verde tremulou mais uma vez na NASCAR para 325 voltas.

Elliott se manteve na primeira posição, seguido de perto por Joey Logano, em uma lembrança pouco confortável para ambos pelo que aconteceu na última etapa, em Bristol, onde o final de ambos foi a barreira de proteção da pista.

Kurt Busch, punido por ter sido reprovado por 3 vezes na inspeção, é obrigado a realizar um Drive Thru, perdendo uma volta com relação ao líder.

Ao completar a volta 25, foi acionada uma bandeira amarela de competição, onde os pilotos buscaram os boxes para análise, reabastecimento e troca de pneus e que devolveram à pista Joey Logano como líder.

Em posição de Lucky Dog, Kurt Busch recupera a volta perdida.

Na relargada, William Byron encontra o muro, mas consegue se dirigir aos boxes sem a necessidade de intervenção.

Na volta 38, depois de ter largado na nona colocação e vir escalando o pelotão, Kevin Harvick se aproxima e ultrapassa Logano, para se tornar líder.

Os pit stops sob bandeira verde começaram a ocorrer na volta 63, onde Brad Keselowski e Ryan Newman foram punidos por excesso de velocidade.

Com 87 voltas foi a vez de Martin Truex Jr chegar e ultrapassar Harvick, tornando-se o novo ponteiro.

A bandeira amarela veio na volta 95, depois de uma rodada sofrida por John Hunter Nemechek.

Com a prova retomada, Truex não deu chances para o azar e cruzou na frente a linha de chegada, para vencer o primeiro segmento da prova, com seu companheiro de equipe, Kyle Busch, na segunda colocação.

Estágio 2 – 105 voltas

Depois de mais uma rodada de pit stops, quem relarga como ponteiro é Clint Bowyer.

O próprio líder abre o ciclo de paradas sob bandeira verde, na volta 148, visto que os pneus de seu Ford Mustang já estavam muito desgastados.

Mesmo abrindo grande vantagem, Bowyer parou bem antes dos demais e acabou perdendo performance com relação aos mesmos, sendo ultrapassado por Truex na volta 185.

Mas a boa e velha bandeira amarela veio na volta 202, depois de Michael McDowell ter rodado na pista.

Os pilotos buscaram novamente os pits para reabastecimento e troca de pneus, salvando a vida de Bowyer, já sem aderência.

Com isso, a liderança da prova passa para as mãos de Kyle Busch, que relarga na frente, mas logo é superado novamente por Truex.

Com isso, Martin Truex Jr. Recebe na frente a bandeira quadriculada verde e branca para vencer o segundo segmento da prova.

Estágio Final – 115 voltas

Kyle Busch relarga mais uma vez na frente, mas logo é superado por Harvick e Truex.

Austin Dillon abre o ciclo de paradas sob bandeira verde na volta 263.

Em um trecho final de prova bastante calmo, Harvick abre grande distância e cruza na frente a linha de chegada, para vencer novamente em Atlanta e pela segunda vez na temporada, tornando-se mais líder do que nunca no campeonato.

Na segunda colocação concluiu a etapa Kyle Busch e, em terceiro, completou o top 3 Martin Truex Jr.

Em sua comemoração, com direito a volta polaca, Harvick, relembrando o gesto de sua primeira vitória na categoria, em 2001, homenageando Dale Earnhardt pela terceira vez.

Palavra do vencedor

Em entrevista dada após a prova em Atlanta, Harvick afirmou que esta “é uma das minhas pista favoritas, com certeza”.

Em complemento, o campeão de 2014 ainda falou: “Adoro vencer aqui, ser capaz de comemorar o quanto Dale Earnhardt significou para mim em uma pista em que consegui minha primeira vitória porque ele não estava no carro. Foi muito especial”.

Opinião Alex Leonello

Como já mencionei acima, Atlanta apresenta uma importância histórica muito grande para a NASCAR e, sendo uma absoluta devoradora de pneus, o consumo de combustível passou a ser bem menos importante que o da borracha.

Depois de um grande domínio de Martin Truex Jr., sua vitória parecia ser inevitável.

Contudo, se fosse para ser previsível certamente não seria a NASCAR, e Kevin Harvick – sustentando sua fama de finalizador (“the closer”) – dominou o último segmento para vencer mais uma vez neste circuito de Atlanta que tanto marcou sua carreira.

Repetindo os gestos feitos em 2001 e 2018, onde, com sua mão esquerda, erguendo seus dedos indicador, médio e anelar, produzia o número 3 de Dale Earnhardt, a quem substituiu na equipe de Richard Childress, após sua trágica morte na Daytona 500 de 2001.

Esta foi uma etapa com poucas intercorrências de bandeira amarela e onde as disputas por posições na pista eram realmente intensas.

Note-se o excelente trabalho do campeão Kurt Busch que, punido no início da prova e perdendo uma volta com relação ao líder, ainda completou a etapa na honrosa sexta colocação.

E mais uma vez a categoria olhou para seu passado e comemorou seus ídolos, valorizando o que é valioso, ao mesmo tempo em que expurgou tudo aquilo que é nocivo, como foi o caso do repúdio ao racismo.

Opinião Francisco Brasil

Prova morna… bem morna. O que mais marcou foram: o posicionamento da NASCAR diante dos protestos que ocorrem no país, bem como a grande recuperação de Kurt Busch. Ouso dizer que, em condições normais, a vida seria bem mais complicada para Harvick.

Após a corrida que houve um grande susto: Bubba Wallace passou mal ao sair do carro, foi amparado e novamente apresentou sinais que não estava nada bem ao vivo, durante a entrevista para TV. O piloto saiu da pista de maca, sendo liberado após exames no centro médico.

Acredita-se que o piloto tenha tido o mal estar por conta do calor em Atlanta, o que teria levado a desidratação. Entretanto, eu creio que algo mais emocional contribuiu para tal situação pois, ele sendo o único representante negro na Cup Series, deve ter sido tocado pela situação atual. Melhoras Bubba!

Opinião Marcos Amaral

A NASCAR sempre nos surpreende, diante de toda essa luta contra o racismo, prestou sua homenagem à George Floyd, morto por um policial, parando os carros na pista em frente aos Pits durante 30 segundos, juntamente com todos os integrantes das equipes, organizadores e oficiais. 

Já a prova foi bem morna, com poucas bandeiras amarelas. o menos, finalmente vimos os carros da Joe Gibbs andando entre os 10 primeiros, sendo que Martin Truex venceu os dois primeiros estágios, mas no fim não conseguiu alcançar o Mustang do Harvick, mostrando que a maré de azar, parece, deu uma trégua.

A próxima etapa da NASCAR Cup Series ocorrerá no dia 10/06, no circuito oval de 0,5 milha de Martinsville, também conhecido como o clip de papel e que se localiza no estado norte americano da Virgínia.

Até lá!

 Alex Leonello Teixeira

Alex Leonello Teixeira

Alex Leonello Teixeira

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