NASCAR Cup Series – Seu nome é Blaney, Ryan Blaney, que por 0,007 segundos vence em Talladega

23 de junho de 2020

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Francisco Brasil

Agora chegou a vez da NASCAR retornar a um dos seus maiores templos do automobilismo norte americano, com 2,66 milhas de extensão e muita, mas muita velocidade.

This is Talladega, baby!

Revisão Alex Leonello
Foto destaque Chris Graythen

Situado no Estado do Alabama e detentor do Recorde de velocidade em um Stock car, com mais de 342 km/h atingidos por Bill Elliott (pai de Chase Elliott) em 1987, Talladega também é considerada a terra dos big ones!

Muito embora o coração dos fãs da categoria geralmente batam mais forte por Talladega, é preciso ressaltar que ela é uma prova muito difícil para os pilotos, pois, além de estarem constantemente bem próximos aos demais, a corrida possui a extensão de 500 milhas, nas quais os mesmos enfrentam o calor no interior dos cockpits que ultrapassam muito a marca dos 50°C.

Para completar a festa, na mesma data agendada para a etapa, era comemorado em solo norte americano o dia dos pais, e cerca de 5000 pessoas tiveram a honra de estar presentes no circuito, com a guarda das devidas medidas de proteção.

Com o grid decidido mais uma vez por sorteio, por conta das restrições provocadas pela pandemia, quem teve a sorte grande de conquistar a posição de honra na largada foi Martin Truex Jr., com seu Toyota Camry n° 19 da equipe de Joe Gibbs.

Mas no dia e hora designados, a velha inimiga dos fãs da NASCAR, a chuva, se fez mais uma vez presente, atrasando inicialmente a largada e, logo depois, ante a insistência da mesma, provocando o adiamento da competição.

Ataque racista gera onda de apoio

Ainda no domingo, a comunidade da NASCAR e do automobilismo foi surpreendida com uma covarde atitude racista, como noticiamos aqui NASCAR – Corda de enforcamento é encontrada na garagem de Bubba Wallace.

Por conta disso, antes da largada os pilotos ajudaram a levar o carro de Bubba Wallace para a frente do pelotão, como forma de homenagem. O único piloto negro do grid foi abraçado pelos demais competidores e por seu chefe, nada mais, nada menos que Richard “The King” Petty, se tornando uma das cenas mais emocionantes vistas na categoria.

Estágio 1 – 60 voltas

Após toda a comoção, era hora de ligar os motores, e Truex se mantém na liderança, junto aos seus companheiros Hamlin e Kyle Busch. Mas logo o #19 se perde no movimento de troca de linha e cai para o fim do pelotão.

Como sempre em Talladega, a cada volta novos players aparecem, e os carros da Penske avançam pela fila do meio. Enquanto isso, Cole Custer e seu Mustang #41 puxam uma terceira fila junto ao muro na volta 17.

Todavia, a bandeira amarela programada surge na volta 26, onde os líderes aproveitam para buscar acertos nos pits. Quem se dá bem é Joey Logano, sendo o primeiro a deixar os boxes.

A bandeira verde volta no giro 30, com Logano puxando seus companheiros de equipe, mas logo o pelotão se divide em três fileiras, mostrando que em superspeedways a liderança não é garantia de nada.

Tanto não é que Denny Hamlin se perde e acaba acertando o muro na volta 53, perdendo uma volta. O prejuízo não é maior pois a temida chuva chega dois giros depois, o que leva a NASCAR a acionar a bandeira vermelha em seguida.

Após pouco mais de uma hora paralisada, a amarela devolve os carros á pista, sob a liderança de Tyler Reddick, que vence o segmento seguido de Alex Bowman, Joey Logano, Jimmie Johnson e Kyle Busch.

Estágio 2 – 60 voltas

As paradas acontecem de forma tranquila, e Bowman sai na frente, seguido de Kevin Harvick. Quem perde tempo é Truex Jr, que tenta tirar algum desempenho de seu carro.

Volta 65 e temos relargada, com Blaney puxando o trem da Penske pela fila de cima para assumir a ponta. Mas JJ se coloca na disputa com o auxílio de Kyle Busch, assim como Matt DiBenedetto, que assume a ponta no giro 69.

A essa altura, Hamlin conseguiu recuperar a volta perdida e já está no meio do pelotão e já tenta puxar uma terceira fila. Mas estamos em Talladega, e de repente temos na frente Bubba Wallace com Ty Dillon.

Já estamos na volta 95, metade da prova e próxima a janela de abastecimento, com ameaça de chuva e… Bandeira amarela. John Hunter Nemecheck tem um pneu furado e roda pela grama, mas consegue controlar o carro sem maiores avarias.

Os pilotos aproveitam e param, com o trio da Penske saindo na frente do grid para comandar a relargada que ocorre na volta 100. Mas eles tem a companhia de Stenhouse e Bubba Wallace nas filas acima.

Na tentativa de voltar a ponta, Brad Keselowski dá um bump em Blaney que desequilibra, consegue salvar e pula para o primeiro lugar de forma surpreendente, até que a amarela é agitada por conta de detritos na pista, que acertam o Camaro #37 de Ryan Preece.

Com duas voltas para o fim, temos verde novamente e Stenhouse surpreende os Penske, ganhando o segmento na última volta. Blaney, Kyle Busch, Keselowski, Bell e Logano completam o top 5.

Estágio Final – 68 voltas

Após as paradas, Alex Bowman e Chase Elliott voltam á frente, porém Hamlin e Chris Buescher não entraram nos boxes, assim como Kurt Busch e Harvick. Quem tem problemas é Kyle Busch que cai pro fim do pelotão, após toque durante as paradas.

Temos nova relargada no giro 126 e logo o esquadrão Penske vai se organizando. Em paralelo, vemos o Camaro #42 de Matt Kenseth saindo do pelotão com problemas no freio.

Só que todas as intensas disputas pela liderança ainda poderiam causar problemas. E causaram faltando 55 voltas para a quadriculada, quando Chase Elliott – na terceira posição – fica espremido entre Joey Logano e Brad Keselowski, roda e bate no muro causando a amarela. Austin Dillon não conseguiu desviar e acerta o #9, encerrando ali sua participação. Elliott ainda tenta voltar, mas sem sucesso.

Após as paradas, temos nova bandeira verde com 50 para o final, comandada por Blaney e Logano, com auxílio de Keselowski. Mas no giro 143 a amarela retorna após batida de Brennan Poole, que também causou a panca de Joey Gase.

Voltas finais e drama de combustível

Os pilotos param faltando 46 voltas para o término, mas a autonomia dos carros gira em torno de 40 voltas, ou seja, drama.

A verde tremula no giro 145 com Christopher Bell e Erik Jones na ponta, mas num movimento errado do #95 quase leva os dois para o muro, abrindo espaço para Harvick e Hamlin, assim como Custer e Almirola.

A briga pela ponta vai acontecendo até que os Toyota Camry #18 e #95, Busch e Bell respectivamente, saem do pelotão ao mesmo tempo com problemas nos pneus.

Faltando 28 voltas, Bubba Wallace coloca o Camaro #43 na ponta, demonstrando que não havia favoritos para a prova. Logo Reddick e Preece também aparecem na ponta.

Após conseguirem quebrar o trem Penske, Reddick se mantém firme na ponta no momento que temos menos de 10 voltas para o final.

Porém Talladega tem suas surpresas e, faltando apenas 3 voltas para acabar, Kevin Harvick toca Jimmie Johnson – segundo colocado áquela altura – fazendo o heptacampeão rodar e perder a esperança de quebrar o jejum de, agora, 108 corridas.

Overtime

Vamos para a prorrogação com Blaney e Harvick puxando o grid. A verde é acionada para duas voltas e começa o tiroteio.

Quando abrem a última volta já acontece um acidente no fim do pelotão colhendo Corey LaJoie, DiBenedetto e Truex, que simplesmente sumiu na corrida. Como já estamos em bandeira branca, a briga continua na frente, com Blaney bloqueando Jones e Stenhouse.

Ao final, com direito a chega pra lá de Blaney contra Jones que rodou pelo contato de Nemecheck para um lado, Stenhouse dando em Almirola no outro lado, o Photo Finish mostra que Blaney, Ryan Blaney, vence por míseros 0,007 segundo.

Rick Stenhouse Jr chega em segundo, com Aric Almirola passando a linha de ré em terceiro. Denny Hamlin e Erik Jones, esfregando o muro, completam o top 5. Buescher, Bowman, Nemecheck, Kurt Busch e Harvick fecham os dez primeiros.

Opinião Francisco Brasil

Simplesmente espetacular. Essa etapa de Talladega não teve um big one dos grandes, mas teve emoção, literalmente, do início ao fim.

A empatia dos pilotos com Bubba após o ataque racista já deu o tom da prova, mostrando que os pilotos são adversários e não inimigos. E isso se converteu numa corrida disputada com respeito e habilidade.

Blaney foi o nome da prova. Após salvada no meio da corrida, foi até o fim aguerrido, conquistando sua segunda vitória em Talladega. Apesar do domínio da Penske, seus companheiros não chegaram juntos pois faltou combustível para Logano e Keselowski.

Um belo espetáculo que trouxe uma bela mensagem: todos contra o racismo!

Opinião Alex Leonello

Como não perceber o seu coração batendo mais forte quando a NASCAR chega a um superspeedway como este de Talladega? Dega é sinônimo de emoção e imprevisibilidade e, desta vez, não poderia ser diferente.

Na verdade, os sentimentos já foram ativados até mesmo antes da bandeira verde, quando pilotos e membros de equipe empurraram o carro de Bubba Wallace para frente dos demais, em apoio ao seu forte posicionamento anti-racista.

Como se não bastasse o apoio de todos, Bubba, em pleno choro pela atitude dos demais, ainda foi amparado por ninguém menos que o rei Richard Petty, dono de sua equipe.

Mais do que um simples esporte, a NASCAR se mostra cada vez mais um berço de amizades, respeito ao próximo e dedicação as famílias que a ela acompanham a várias gerações.

Dentro das pistas a emoção não foi menos intensa, com muitas trocas e disputas por posições, além de várias alternâncias de liderança.

Blaney veio forte, fez o dever de casa e, com uma diferença de apenas 0,007s, mostrou que a NASCAR só se decide na linha de chegada e, muitas vezes, consultando a foto, como foi o caso.

Com isso, após 13 etapas, metade da fase regular se foi e 8 pilotos diferentes, das 3 montadoras, já conquistaram vitórias.

Mas a alegria mesmo ficou por conta da equipe de Roger Penske, pois a mesma passou passa a ser a única que, nesta temporada, conseguiu colocar todos os seus carros no ponto mais alto do victory lane, mostrando estar forte pela disputa do campeonato.

Opinião Marcos Amaral

Falar de Talladega é falar de espetáculo, de incertezas dos resultados, de “BIG ONE”, e também falar de fortes emoções.

A NASCAR mostra ao mundo que a união de equipes e pilotos é que move o automobilismo. A homenagem ao piloto Bubba Wallace, foi algo emocionante e muito bonito.

Agora a corrida mais uma vez foi fantástica, do início ao fim. Carros juntos, three wides, jovens pilotos aparecendo, e um final que parecia um engarrafamento de tantos carros com chance de vencer.

Mas a vitória de Blaney foi merecida, algo comprovado no meio da corrida com uma manobra incrível, quando conseguiu salvar seu carro de uma possível rodada, e terminando com um spoiler de vantagem.

Erik Jones viu a vitória de perto, mas acabou se enroscando com Nemechek e Blaney, cruzando a linha no muro. Não desista garoto, a vitória está amadurecendo a cada corrida.

Ricky Stenhouse Jr. parece que fez as pazes com as boas corridas, como já fez no passado, sempre se mantendo entre os primeiros, quase vencendo.

Aric Almirola volta e meia faz boas corrida, mas nesta chegou na terceira posição de forma curiosa: de ré por conta do toque de Stenhouse.

Denny Hamlin foi o melhor classificado da Joe Gibbs chegando na quarta posição, já que Kyle Busch vinha até fazendo boa corrida até ter problemas e Martin Truex Jr, acabou se envolvendo em uma acidente.

E assim foi uma prova em Talladega!!

E se preparem, pois já no próximo fim de semana 27 e 28 de Junho, teremos rodada dupla da Cup em Pocono. E o Planeta Velocidade traz tudo pra você.

Atualização: Segundo o jornalista americano Bob Pockrass, que é referência em notícias da NASCAR, o laço encontrado na garagem de Bubba estava lá desde o ano passado, segundo o FBI.

Francisco Brasil

Francisco Brasil

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