NASCAR XFINITY SERIES – Trabalho em equipe garante vitória de Haley e dobradinha da Kauling

21 de junho de 2020

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Francisco Brasil

A casa do Big One, Talladega, foi palco de mais uma etapa da Xfinity Series. O superspeedway de 2,66 milhas situado no estado do Alabama é famoso por seus acidentes fantásticos e histórias “macabras”.

Brian Lawdermilk | Getty Images

Como a NASCAR não está realizando treinos por conta da pandemia de COVID-19, mais uma vez o grid foi definido por sorteio e contemplou Justin Haley e seu Camaro #11 da equipe Kauling Racing com a pole position.

Revisão Alex Leonello
Foto destaque Chris Graythen

Nessa etapa, o Dash 4 Cash – disputa por 100 mil dólares – era perseguido por Chase Briscoe, Ross Chastain, AJ Allmendinger e Brandon Jones, que foram os melhores colocados na última etapa em Homestead.

Estágio 1 – 25 voltas

A bandeira verde é finalmente agitada e Haley logo pula na ponta, seguido de Ryan Sieg. Mas os “fantasmas” de Talladega não estavam para brincadeira e Sieg, na volta 3, acaba acertando o muro sem gerar amarela.

Sieg procura os pits, mas logo que volta seu pneu fura novamente. Enquanto o #39 procurava a garagem para reparos, a briga pela liderança era frenética. Mas na volta 10 a bandeira amarela de competição foi acionada, como tem acontecido nas provas sem treino.

Alguns pilotos vão para os boxes, mas os líderes preferem ficar na pista. Com isso, Annett e Chastain relargam na primeira fila no 15° giro.

Só que a briga pela ponta em superspeedways tem mais de dois protagonistas, o que traz para disputa Gragson e Allgaier com direito a toque dos companheiros. Além deles, temos Anthony Alfredo e Haley também na jogada.

Por fim, Haley – com problemas no rádio, uma vez que a antena do equipamento estava pendurada dentro do carro – consegue cruzar a linha em primeiro para vencer o segmento, seguido de Alfredo e Briscoe.

Estágio 2 – 25 voltas

Os ponteiros aproveitam o fim do estágio para realizar suas paradas, deixando a primeira fila para Allgaier e Harrison Burton, que pararam na amarela anterior.

A volta 30 vem com a relargada, e Chastain assume o primeiro posto, seguido de Allgaier. Haley nesse momento figura pela quinta posição, mas se perde do pelotão e cai um pouco.

Quem se aproveita é Chase Briscoe que assume a ponta pela fila de baixo e assegura a vitória de um segundo segmento calmo e sem amarelas, seguido por Annett e Cindric.

Estágio Final – 63 voltas

Nova rodada de Pit stops muito bem aproveitada pela equipe Penske, que coloca Cindric na frente, com Noah Gragson ao seu lado.

Volta 57 e a ação é retomada, e com ela uma forte largada dos carros da equipe de Dale jr que ocupam as quatro primeiras posições. O fim de prova vem chegando e os sustos começam faltando 39 voltas, quando o retardatário do carro #47 quase causa um acidente ao ser ultrapassado pelo pelotão.

Nem bem completaram duas voltas após o incidente acima, a amarela volta a figurar. Dessa vez, Brett Moffitt dá um leve toque no #18 de Riley Herbst que roda e acaba sendo acertado por Chase Briscoe. O piloto do #98 havia perdido o tempo do pelotão e vinha mais atrás, não conseguindo desviar.

No momento do acidente, alguns carros estavam fazendo suas paradas, como os três pilotos da Kauling (Chastain, Haley e Allmendinger), enquanto os carros da Jr se mantiveram na pista.

Herbst abandona enquanto Briscoe tenta consertar seu carro sem perder voltas após os demais pilotos realizarem suas paradas. A verde retorna com 30 voltas para o fim, tendo Chastain e Allmendinger na ponta do pelotão.

Bandeiras vermelhas dão o tom

Os pilotos se organizam em fila indiana, preparando o bote para as últimas voltas, até que os pilotos começam a se agitar para crescer na prova.

E isso era um prenúncio de que as emoções aumentariam, pois faltando apenas 17 voltas para a bandeira quadriculada, o carro #52 de Wonderwall toca o Supra #20 de Burton causando nova amarela. O acidente envolveu também os carros #08, #90 e #26. Vale ressaltar que esse último, pilotado por Colin Garrett, teve o cinto de segurança rompido no impacto – que não foi dos mais fortes da categoria, algo que deve ser investigado.

A pancada gera a primeira bandeira vermelha da tarde para limpeza da pista. Mas não demora muito e logo retorna a amarela, tendo Chastain e Gragson na frente. Com 14 voltas para o término, a verde anuncia nova relargada.

E chega a hora da verdade, com os pilotos criando duas, e às vezes três filas, em busca da liderança. Mas estamos falando de Talladega e, restando 9 voltas ele apareceu: O Big One!

Na briga pela liderança, Allgaier acaba tocando seu companheiro Gragson que roda e milagrosamente não é atingido por ninguém. Mas isso não acontece com o restante do pelotão do quinto pra baixo, onde nada menos que 11 carros se envolvem no rebuliço.

Mais uma vez a bandeira vermelha dá o ar da graça para dar tempo de remover os carros da pista. Após alguns minutos, a amarela volta para deixar a relargada com cara de prorrogação.

Três voltas para o fim e a verde balança com Jeb Burton (primo do Harrison que já havia batido) no Camaro #8 da equipe de Dale Jr disputando a ponta com Haley, seguidos de Cindric, Chastain, Alfredo e Allmendinger.

Chris Graythen | Getty Images

Pela fila de cima, Allmendinger se arrisca e consegue passar Alfredo, se juntando aos seus companheiros Haley e Chastain para trabalhar uma vitória em equipe. E deu certo, pois Haley vence em Talladega, seguido de Chastain e Burton em terceiro. Completam o top 5 Cindric e Moffitt, com Allmendinger finalizando em sexto.

Opinião Francisco Brasil

Talladega não decepciona. E além das disputas normais, essa prova trouxe um outro ingrediente: trabalho em equipe. A forma que Chastain e Allmendinger priorizaram o resultado coletivo ao invés do individual foi espetacular. Não foi jogo de equipe, não foi combinação de resultado, foi apenas garantir que não houvesse intercorrências na vitória da equipe, que foi muito comemorada pelos três pilotos.

Mas um ponto curioso aconteceu no primeiro Pit stop, quando Chad Finchum rodou sozinho seu Supra #13 e parou na sua posição de Pit na contra mão. Não é passível de punição, mas certamente foi uma cena curiosa na corrida.

Opinião Alex Leonello

Se, como costumo dizer por aqui, a NASCAR é uma caixinha de surpresas, ouso dizer que, em Talladega, a proporção de fatos inesperados a tornam um verdadeiro contêiner.

Como se já não bastasse o misticismos e as dificuldades desta pista, acrescente-se a ideia da disputa realizada por pilotos que, embora com grande bagagem, ainda se encontram em fase final de formação para ingresso na Cup Series.

O resultado desta mistura só poderia ser um espetáculo para os amantes da categoria.

Com big ones, rodadas nos boxes, trocas de liderança e muitas ultrapassagens, o grande vitorioso dessa partida de xadrez a mais de 300 km/h foi um piloto que, embora tenha conquistado sua primeira vitória na Xfinity Series, já tinha vencido uma etapa em Daytona, no ano de 2019, pela Cup Series.

Sim. Exatamente isso, caro leitor.  Em uma participação esporádica na etapa de Daytona 400, em julho de 2019, Haley faturou a prova, após a mesma ter sido concluída antecipadamente por causa de chuva, como pode ser revisto aqui no PLANETA VELOCIDADE através do link NASCAR Monster Cup – Justin Haley, piloto regular da Xfinity Series, vence a Daytona 400!

Ou seja, para vencer na categoria pela qual disputa o campeonato, Haley ganhou antes uma prova em meio as feras da Cup!

Eis então mais uma surpresa inusitada da NASCAR.

A Xfinity dá uma pausa no próximo fim de semana, mas logo retorna e você acompanha todas as emoções aqui, no Planeta Velocidade.

Francisco Brasil

Francisco Brasil

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