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O ano em que o Brasil quase foi campeão da F1

28 de fevereiro de 2021

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Daniel Mendes

Recebi do Planeta Velocidade a missão de preparar uma matéria que mesclasse as miniaturas de minha coleção com os carros reais que representam. A matéria estava praticamente pronta quando tive um insight. Pensei que esse era um acontecimento ímpar e merecia uma história tão importante quanto esse fato.

Peguei então a primeira miniatura de minha coleção atual e imediatamente lembrei de todos os fatos marcantes daquele 2008 em que quase, e até mesmo por alguns segundos, chegamos a comemorar o título da Fórmula 1. Estava em minhas mãos a Ferrari F2008 pilotada por Felipe Massa naquela temporada.

Naquele ano, o brasileiro teve sua melhor performance na F1, digna de campeão, do merecido título que lhe escapou por muito, muito pouco, e que muitos dizem por culpa exclusiva da Scuderia. Outros avaliam que tanto a Ferrari quanto Massa foram responsáveis pela perda do título. Mas o que diz a história?

O ano de 2008 representou para a Ferrari um tempo de afirmação. O time de Maranello vinha de cinco títulos da fantástica era Schumacher (2000 a 2004) e do título de pilotos de 2007 quando Raikkonen com uma impressionante regularidade desbancou as favoritas Mclarens pilotadas por Alonso e Hamilton.

As esperanças estavam depositadas no finlandês, que inclusive venceu a segunda corrida da temporada e parecia arrancar para mais um título. Quando a Fórmula 1 aterrissou no Barém, Felipe Massa tratou de cravar sua primeira vitória da temporada e Raikkonen deu o troco na Espanha. Na corrida seguinte realizada na Turquia, onde Massa era praticamente imbatível, nova vitória do brasileiro que dali em diante parecia disparar em direção ao título.

Foram seis vitórias (Barém, Turquia, França, GP da Europa – disputado em Valência, Bélgica e Brasil) e seis pole positions, uma performance de campeão em uma era que não existia um só carro dominante na categoria. De quebra, Massa ainda obteve três voltas mais rápidas com direito a hat-trick no GP da Europa e no Brasil.

Mas a quantidade de triunfos parecia ofuscada pelos infortúnios na pista. De cara foram dois abandonos nas duas primeiras corridas, com direito a uma contestada escapada de pista na Malásia. Depois as rodadas na pista molhada de Silverstone que fizeram o brasileiro terminar na 13ª posição. Houve também a quebra na Hungria que catapultou Massa da liderança para o 17º lugar a três voltas do final. Por fim, o famigerado episódio da mangueira de abastecimento em Singapura…

O que dizer?  Para mim se igualou em decepção àquele abandono de Rubinho por pane seca no GP Brasil de 2003. Isso porque a Ferrari na época era exemplo de eficiência, tal qual a Mercedes nos dias atuais. É inacreditável que com o controle total da corrida naquele momento, uma equipe daquele quilate possa cometer um erro tão banal que custou tão caro não só para Massa e seus fãs, mas também para toda a instituição que é a Ferrari.

No fim, a somatória de todos os fatores acima contribuiu para o triste desfecho do mundial de 2008. No dia 2 de novembro daquele ano, ainda comemorando a vitória de Massa e a conquista do campeonato, Interlagos viu Lewis Hamilton passar por Timo Glock na última curva do circuito e abrir caminho para o primeiro de seus sete títulos, frustrando nosso sonho de celebrar mais um campeão da maior categoria do automobilismo mundial por apenas um ponto. O choro de Massa no pódio se somou ao de milhares de fãs no Brasil.

A nós coube o consolo de ver mais um brasileiro vencendo pela segunda vez em Interlagos e a esperança de que essa fantástica performance de Massa se repetisse na temporada do ano seguinte. Além disso, 2008 relembrou aos fãs brasileiros da Fórmula 1 os gloriosos dias de Piquet e Senna quando acordar cedo para torcer por nossos pilotos era parte de nossa rotina.

O CARRO

O projeto do F2008 foi capitaneado por Aldo Costa e todo time responsável pelo antecessor F2007. Ele foi o 54º monoposto construído pela Ferrari especificamente para a Fórmula 1.

O chassi era em fibra de carbono imitando favos de mel. Possuía suspensão independente com molas de torção ativa por haste na dianteira e traseira. Seu diferencial era de deslizamento limitado. No controle de tudo estava uma CPU produzida pela McLaren que foi usada por todas as equipes em 2008.

O motor era um V8 2.4, instalado a 90º e naturalmente aspirado que gerava potência entre 750 a 800 cv com giro limitado a 19000 rpm, com bloco em ferro fundido e o restante dos componentes em alumínio. O câmbio semiautomático era de fabricação da própria Ferrari com sete velocidades sequencial + ré, com trocas feitas por borboletas atrás do volante.  Combustível e lubrificantes eram cortesia de sua antiga parceira nas pistas, a Shell.

As rodas eram BBS de 13 polegadas, calçadas com os pneus Bridgestone Potenza, padrão para todas as equipes da temporada. Para parar toda essa cavalaria freio a disco da Brembo nas quatro rodas. O peso total do bólido com os fluídos e piloto atingia o máximo de 605 Kg.

 A MINIATURA

 A F2008 é a primeira de 80 miniaturas da Ferrari Collection, lançada no Brasil em 2012 pela Eaglemoss que adquiriu os direitos da comercialização da coleção da Panini. Na época do lançamento as memórias do campeonato ainda estavam bem frescas na mente dos fãs e colecionadores.

A oferta de lançamento era tentadora, apenas R$ 9,99 por uma miniatura na escala 1/43 com base e case de acrílico além de uma incrível riqueza de detalhes bem peculiares às miniaturas dessa escala, que em sua maioria são réplicas de modelos reais. 

A pintura era um vermelho brilhante usado pela Ferrari somente em corridas noturnas da temporada. Praticamente todos os apêndices aerodinâmicos foram reproduzidos no modelo tanto na asa dianteira quanto na traseira. Os pneus são de borracha com as ranhuras e marca do fabricante, reproduzindo com fidelidade o composto da época. Os patrocinadores, à exceção do principal, Marlboro, estão fielmente representados pelos decalques aplicados no modelo.

Apesar da descrição na base, a miniatura não vem com o piloto. Uma curiosa opção da fabricante em total antagonismo aos concorrentes do setor que fazem questão de adicionar o piloto em suas réplicas. Mas o número 2 está no cockpit para não deixar dúvidas de que se trata do carro do brasileiro.

No mercado ainda é facilmente encontrada, principalmente porque foi o modelo de abertura da coleção que geralmente é produzido numa escala muito maior do que as demais miniaturas, principalmente as últimas, que já tem uma tiragem bem mais limitada. Isso porque a maioria dos consumidores que iniciam uma coleção desse porte raramente tem condições de arcar com o custo final da obra.

Na embalagem promocional da F2008 vinham também um fascículo da coleção e o fichário para arquivar os livros. E ao contrário da miniatura, encontrar no mercado o pacote completo (mini, fascículo e fichário) já é bem mais difícil.

Uma curiosidade que não podia falar nesta matéria é o fato de apesar da miniatura vir sem qualquer marca do fabricante, a empresa responsável pela produção de todos os itens da Ferrari Collection foi a IXO, tradicional fabricante chinesa de miniaturas.

Fotos Divulgação

Daniel Mendes

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