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O EFEITO (DO NOME) SCHUMACHER

21 de março de 2021

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Marcio de Luca

Neste ano veremos a tão esperada estreia de Mick Schumacher na Fórmula 1, e com isso um nome de muito peso volta à categoria, dado os feitos do seu pai Michael Schumacher.

Mas, antes de criar qualquer expectativa sobre o jovem piloto alemão, temos que lembrar que a máxima “filho de peixe, peixinho é” só vale efetivamente para os peixes, uma vez que Mick não tem a menor obrigação de repetir os feitos do seu pai. Se o fizer, ótimo, senão, ótimo também.

Obviamente é esperado um rendimento de alto nível do primogênito do sete vezes campeão do mundo, mas esperar é algo que precisa ser feito com saberia, pois a frustração pode vir junta, já que por se tratar de pessoas e épocas diferentes, os resultados podem não ser parecidos, o que é muito natural.

“Não é fácil ser o ‘filho de’ ”, disse Nico Rosberg, filho do finlandês Keke Rosberg, que apesar de ter sido apenas uma vez campeão do mundo de F1, o sobrenome levou peso e cobranças à sua carreira.

A favor de Mick há o fato da Haas não ter investido no carro da atual temporada, o que de certa forma reduzirá as cobranças, porém mesmo com um carro ruim, o talento do piloto poderá ser avaliado – vimos isto com George Russell da Williams, que mesmo pilotando o pior carro do grid não teve seu talento ofuscado.

Outro fator favorável para Mick é o fato do seu tio Ralf Schumacher ter passado longe do sucesso do seu irmão, e isto em um período onde um poderia dar dicas para o outro, algo que o jovem não terá em sua carreira, não podendo inclusive contar com o apoio do seu próprio pai.

Michael SCHUMACHER
Photo by Alexander Hassenstein/Bongarts/Getty Images

Schumacher deverá agir com a mesma frieza que seu pai o fazia, pois a mídia cairá seguramente em cima dele, o que pode sufocar seus resultados pois como todos nós sabemos, a imprensa é uma máquina de pressão e algumas vezes o efeito da grande exposição acaba por ser nocivo.

“A atenção da mídia [a Schumacher] será grande, provavelmente até maior do que a de Lewis Hamilton no início desta temporada. Espero que Mick deixar isso de lado e se concentre no seu trabalho, pois do contrário isso lhe tirará a parte divertida de pilotar”, continuou Rosberg.

Mick fez uma carreira de certa forma discreta, onde no início utilizava o sobrenome de sua mãe para não gerar pressão antes da hora, porém em um dado momento de sua carreira isso foi impossível de ser mantido. Seus resultados apareceram e hoje ele está na Fórmula 1 por méritos próprios. É verdade que o nome ajudou, mas foi a menor parte do processo, isto é fato.

“É preciso tempo e paciência, afinal de contas, tive que esperar sete anos para ganhar a minha primeira corrida e 11 anos para ganhar o título. É preciso considerar isso, se quiserem avaliar o Mick este ano e no decorrer de sua carreira”, concluiu Rosberg.

Tempo, esta é a chave para o sucesso, entretanto, mesmo que ele não venha da forma que se espera de quem ostenta este sobrenome, isso não é problema algum, pois a única responsabilidade de Mick Schumacher neste momento e em todo o restante de sua carreira é ser ele mesmo, sem se preocupar em ser quem seu pai foi.

Marcio de Luca

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