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Planeta Giro #01 – TONY KANAAN

17 de março de 2021

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Editores Planeta Velocidade

É com muita honra que trazemos um bate papo com um piloto que dispensa apresentação e parafraseando o saudoso Luciano do Valle, curtam está entrevista “ o bom baiano” Tony Kanaan.

Foto divulgação
Luciano do Valle com Giaffone na cabine de transmissão. Foto Divulgaçao

Vencedor de uma das provas mais emblemática da face da terra, as 500 Milhas de Indianápolis, em 2021 estará no grid da Stock Car pilotando pela equipe FullTime durante toda a temporada.

Planeta Velocidade: Essa vinda para a Stock Car, é uma espécie de retribuição do Rubinho pelo seu convite para ele andar na Indy?

Tony Kanaan: Não exatamente. Eu já vinha conversando com o Maurício Ferreira há algum tempo, mas por causa da Indy não tinha como fazer as duas categorias. Este ano vou repetir o que fiz em 2020, correndo as etapas nos ovais da Indy, mas o calendário permitiu fazer a Stock também. Claro que correr ao lado do meu irmão vai ser muito especial.

PV: Não é seu primeiro contato com a categoria, porém vai ser o primeiro contato com os novos carros , qual vai ser a maior dificuldade nas primeiras corridas e qual sua expectativa da temporada?

TK: Acho que a maior dificuldade vai ser a adaptação ao estilo de pilotagem do Stock, mas também tem o fato de que não conheço quatro das pistas que a categoria corre. Tenho alguma experiência com carros de turismo como o Ford GT que corri Le Mans, mas minha carreira foi toda feita nos monopostos, então tenho que reaprender algumas coisas. O carro é mais pesado, os pontos de frenagem são totalmente diferentes, e é um carro fechado, onde não conseguirei ver as rodas dianteiras. Vai ser uma adaptação difícil, principalmente por não poder treinar antes de ir pra primeira corrida. 

PV: Hoje o atual grid da Stock Car é um dos melhores da história, com pilotos que já passaram pelas maiores e mais competitivas categorias do mundo. Esse foi um dos motivos para ter aceitado o convite para andar aqui?

TK: Claro que ajuda, né? Mas o principal motivo foi poder correr em solo brasileiro. Saí do Brasil pra correr na Europa em 1993 e de lá fui para os EUA. Desde então corri pouquíssimas vezes no Brasil e nunca tive a oportunidade de fazer um campeonato inteiro. A Stock está sem dúvida em uma das suas melhores fases e poder ser parte do elenco para 2021 é muito gratificante.

PV: Essa será sua primeira temporada completa na Stock Car, mas você já participou de algumas provas da categoria, bem como da extinta IROC nos EUA e sendo assim, você já acumula experiência neste tipo de carro! Nunca surgiu a ideia de andar na NASCAR? Agora voltando para a Ganassi no Indy, não existe nenhuma conversa com o Chip para pelo menos ter a chance de fazer pelo menos uma prova em Misto?

TK: Em 2010 antes de ir pra KV eu até tive algumas conversas lá, mas meu coração queria mesmo ficar na Indy, então as conversas foram muito superficiais. A Chip Ganassi tem uma esquadra grande de pilotos nas várias categorias que eles competem e do jeito que estarei ocupado com Indy, Stock e SRX, nem teria tempo de me comprometer a fazer mais uma outra categoria!

PV: Stock Car corrida de duplas, esse ano infelizmente ao que indica não teremos a prova, mas o convidado se tivesse seria o Johnson ou o fato de dividir o carro com ele na Indy não interfere nesse ponto?

TK: Com certeza eu convidaria o Jimmie pra andar comigo de dupla se este fosse o caso.

PV: Falando em Johnson, como está a expectativa para dividir o carro na Indy com uma das maiores lendas do esporte a motor americano?

TK: O Jimmie é um cara fantástico e o currículo dele dispensa qualquer apresentação. Não me canso de repetir como que ele está sendo corajoso e humilde nessa transição para Indy. Fazer o que ele está fazendo depois de ganhar sete campeonatos de NASCAR não é algo fácil… Ele é um ídolo, sem dúvida.

PV:  Sua relação com o Johnson é apenas profissional, ou são amigos fora das pistas? E vai conseguir trazer ele para assistir a pelo menos uma prova da Stock Car Brasil? Afinal ele também tem uma legião de fãs aqui no Brasil!

TK: Nós já nos conhecemos há algum tempo e sempre mantivemos contato fora das pistas, inclusive foi ele que me ligou chamando pra dividir o carro de Indy, isso bem antes dele ter fechado algo na Ganassi. Vou tentar trazer ele, claro!

PV:  Pensando em sua carreira, onde a maior parte dela foi correndo nos EUA, seria mais fácil para você, até mesmo por questões de agenda ir para a Nascar, porém você optou em vir para a Stock Car – há um motivo maior nisso, sobretudo porque sabemos que você tem competência de sobra para ter continuado correndo apenas fora do Brasil?

TK: Eu sempre tive interesse em correr na Stock e nunca escondi isso de ninguém. Com o calendário reduzido de Indy, a Stock se tornou uma realidade pra mim.

PV: Você teve uma breve passagem em provas de endurance, correndo inclusive as 24 Horas de Le Mans – qual seu sentimento em relação a este tipo de provas e o seu interesse pela categoria?

TK: Gosto muito e pretendo fazer mais provas no futuro. Foram experiências muito boas que tive quando corri em Le Mans.

PV: Sua carreira neste momento é baseada apenas na pilotagem – já passou pela sua cabeça se tornar chefe de equipe ou mesmo ter uma equipe própria?

TK: Não, meu negócio é guiar. Quem tem que ser dono ou chefe de equipe é quem sabe fazer isso. Prefiro ficar atrás do volante mesmo. 

Tivemos a participação especial nessa entrevista da piloto Renata Camargo, que fez as seguintes perguntas:

Renata Camargo: Na sua opinião,  qual seria o “melhor processo” para ter mais mulheres no automobilismo? E o que você  acha desse tema não ser tão abordado no Brasil, já que essa realidade é muito diferente no exterior? 

TK: Tudo parte do começo, lá no kart. O incentivo vem dos pais, na minha opinião, então tem que existir uma combinação complexa de ter meninas interessadas em correr de kart e pais que vão apoiar e dar o suporte financeiro para tal. Acho que tanto nos EUA quanto no Brasil a questão não é muito diferente, mas o custo sim, esse é muito diferente. 

RC: As diferenças entre corridas, organização e público do exterior e no Brasil?

TK: Os americanos apresentaram para o mundo a forma de tudo ser feito como um show. Isso atrai o público, gera mais dinheiro e a organização pode investir mais no evento. O Brasil não está muito atrás não. A Stock é uma boa prova disso.

RC: Você com 46 anos, entrando numa nova categoria, tendo novos desafios, é a prova de que automobilismo não tem idade? Poderíamos usar essa nova jornada para inspirar pilotos que estão parados, ou aqueles que gostariam de ingressar no automobilismo e acham que já passaram do tempo? Como você  se prepara para enfrentar essa galera nova?

TK: Eu sempre me cuidei fisicamente pra poder dar 100% de mim quando estivesse guiando o carro de corrida e acho que isso refletiu no atleta que sou hoje. Enquanto eu estiver me divertindo e sendo competitivo atrás do volante, vou continuar guiando. Como tudo na vida, o automobilismo requer muita dedicação. Eu acordo todo dia 5 da manhã para treinar, ajudar com as coisas em casa e trabalhar. Treino duas vezes por dia, sete dias por semana. Essa é minha forma de ficar preparado para enfrentar a molecada.

Fotos Duda Bairros

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