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Planeta Giro #3 – BÁRBARA RODRIGUES

3 de maio de 2021

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Colaboradores Planeta Velocidade

Colaboradores – Keko Gomes, Alexandra Motta, Vivian Lanza e Renato Moraes
Babi e sua equipe: Foto: Duda Bairros

Hoje em nossa coluna de entrevistas, tivemos novamente a honra de receber ela, que é a única mulher chefe de equipe da Stock Car Pro Series, Bárbara Rodrigues. Babi, como é carinhosamente chamada, é responsável e chefe da equipe Hot Car New Generation que compete na Stock Light e na Stock Car Pro Series. Bárbara contou sobre os desafios da profissão e um pouco sobre a vida pessoal.

Então sem mais delongas vamos a entrevista!!!

PV – Bárbara, com quantos anos você aprendeu a dirigir e tomou gosto por mecânica?

O abraço de pai e filha e uma lembrança – Foto: Instagram

B.R Meu grande mestre sempre foi meu pai, então sempre acompanhei ele desde cotoquinha, ele sendo piloto então eu sempre estava junto. E eu sempre fui muito parecida com ele, sempre tive esse interesse. Até antes mesmo de poder tirar a CNH, quem me dava as aulas na fazenda para não ter problema era meu pai. E pequenininha ele já me deu de presente um mini kit de ferramentas porque sabia que eu gostava, e ficava brincando, fingindo que estava arrumando meu carro. Eu curtia ver ele mexendo nos carros. Mas o engraçado é que nunca foi ele que me ensinou, ou esperasse que eu assumisse a equipe, na verdade ninguém esperava por isso. Mas a gente aprende, hoje eu vejo que tenho muita base da mecânica da técnica e eu não fui treinada para isso.

PV – Existe algum projeto para transformar a Hot Car, ou algum outro projeto paralelo que venha a se transformar em uma espécie de plataforma, já que você é a única mulher nessa posição no automobilismo, que possa até mesmo vir a ser uma porta voz para que novas mulheres entrem nesse esporte? Afinal as mulheres são tão capazes quanto os homens.

Erika Prado uma das engenheiras da Hot Car – Foto: Rafael Gagliano

B.R Muito do que eu tenho de planos para a Hot Car tem muito a ver com isso que foi falado. Mulheres podem ser aquilo que elas quiserem ser, desde que sonhe e se dedique pode alcançar os sonhos que ela sempre quis. Então na Hot Car eu estou tentando fazer um projeto que não só abra espaço para as mulheres, uma coisa que eu já estou lutando e já estou conseguindo. Eu já tenho uma engenheira na minha equipe, já estou falando com pilotos mulheres, quero mecânicas. Então sempre estou procurando, mas ainda a poucas mulheres no mercado, disponíveis e prontas para entrar na Stock Car. Isso porque desde lá de trás elas acabam desistindo no começo, porque acham que lá não é lugar para elas. Hoje eu acho que é meu papel mostrar que sim, que é o lugar delas, se quiser e se esforçar e sempre der seu melhor pode ocupar o cargo que você quiser, seja na profissão ou no esporte que você pretender. Só que acima de tudo eu gostaria que a Hot Car fosse uma porta de acesso para pessoas que sonham em trabalhar com o automobilismo e que não tiveram oportunidade. Nosso meio é muito fechado, a grande maioria das vezes são sempre os mesmos profissionais. Então hoje a Hot Car tem um projeto com a equipe da Stock Car Light que é uma categoria de acesso e é uma oportunidade de para todos os jovens que sonham em trabalhar com automobilismo que sonham em ingressar no mundo da Stock Car. É uma categoria escola para todos, onde vou poder formar novos mecânicos, novos engenheiros, novos pilotos. Tudo de uma forma gradual que possam chegar preparados para a Stock Car sem terem que pular etapas, assim já vão estar preparados, afinal a Stock Car é uma categoria muito competitiva e que exige muito. Mas se a gente não começar a dar oportunidade para novos profissionais, para a mão de obra se renovar, teremos problemas no futuro. Então eu quero sim não importa credo, cor, qual a crença, temos que dar oportunidade. Ou seja, a Hot Car está aberta para pessoas capazes indiferente de qualquer género.

PV – Falando um pouco de Stock Car, esse novo regulamento das provas, não ter mais aquele intervalo entre a corrida 1 e a corrida 2, e não ser mais obrigatória a parada nos boxes na corrida 2, o que você achou desse novo formato?

B.R – Eu acho que as corridas serem emendadas uma na outra fica muito interessante para o público, fica mais dinâmico, a adrenalina não abaixa. E ter duas corridas com a inversão de grid é interessante para todo mundo, todos os pilotos têm mais possibilidades de aparecer, mostrar seu patrocínio, mostrar seu trabalho. O que acaba sendo muito bom pra saúde geral da categoria. Agora que a gente passa a ter duas corridas de 30 minutos cada, com uma maior duração, provavelmente volte a ter parada nos boxes na corrida 2, o que deixa todo o show ainda mais completo. Porque agora que as equipes têm que entrar com estratégia, pensando em pontuação, em descarte. Então todas essas adições que a Vicar vem fazendo este ano, nós só temos elogios para a organização do evento já que eles estão fazendo de tudo para deixar a categoria cada vez mais bacana para o público e justa para as equipes.

Tuca Antoniazi piloto Hot Car – Foto: Instagram Stock Car

PV – Entre Stock Car e Stock Light, o que mais te marcou nesse início de temporada, Bárbara?

B.R O momento que mais me marcou nessa primeira etapa foi quando conseguimos deixar todos os carros prontos, reunimos a equipe na oficina, um dia antes de embarcar os carros para Goiânia, e nós ligamos os cinco carros que eu tenho e aceleramos em forma de homenagem aos profissionais que estão trabalhando dia a dia ao meu lado. A oficina inteira vibrando, ao som dos motores, choramos e isso para mim foi gratificante porque deu para sentir que cada um que estava lá deu seu melhor e estava pronto para um ano espetacular. Lógico que não temos total controle do que acontece em uma corrida, às vezes a corrida pode ser ingrata, mas basta apenas uma vitória e já faz você esquecer de tudo. Nós já tivemos nossa primeira vitória lá, que foi conseguir colocar os carros em Goiânia.

https://www.instagram.com/p/CN3I1LQBNvI/?igshid=xdmk0xwhi8x5

PV – Com o dobro de carros na Stock Car e com uma equipe completamente nova na Light que tem mais dois carros, o que acabou sendo mais trabalhoso durante o final de semana?

Bárbara Rodrigues no comando da equipe – Foto: Duda Bairros

B.RCom certeza foi administrar meu tempo de forma justa nas duas categorias, porque os treinos foram muito seguidos e próximos um do outro. E eu consegui por um milagre divino dar conta. Acabava o treino já ia abrir os dados com os times de engenheiros, olhava pra ver se estava tudo ok e já corria para a outra categoria e repetia o mesmo processo. Então isso foi bem desafiador, pois acaba que a minha presença é muito requisitada em ambas as equipes. Mas foi legal, eu consegui me virar e graças a Deus pela minha experiência de vida consegui tirar isso de letra. Eu trabalhei com meu pai e nós chegamos a fazer 5 Mercedes para a Mercedes-Benz Challenge, você conseguir se desdobrar e dar atenção para cinco carros, cinco pilotos e fazer dar tudo certo, porque acabamos sendo campeões naquele ano. Então acabou sendo uma escola muito positiva para eu conseguir transformar esse final de semana em algo bacana e de sucesso.

PV – Como funciona a divisão dos mecânicos para uma etapa, todos mexem em todos os carros, ou cada carro possui seu time de mecânicos?

B.RTanto na oficina quanto na pista, cada carro tem seu grupo de mecânicos particulares, exatamente para manter um padrão já que em competição a gente busca sempre manter padrões de procedimentos para extrair o melhor possível nas pistas. Temos um primeiro e um segundo mecânico por carro, um engenheiro por carro e às vezes uma pessoa para comandar essas equipes no geral. Porque falei que foi desafiador para mim, porque o único membro da equipe que é comum para todos os carros tanto na Stock quanto na Light é o chefe de equipe, que no caso sou eu.

Mecânicos da Hot Car – Foto: Instagram

PV – Uma equipe de automobilismo na verdade é uma empresa, você tem uma imagem a zelar, têm suas despesas, sua receita, fornecedores, ou seja, tem tudo que uma empresa normal possui. A diferença é que é uma empresa itinerante. Sendo assim como que funciona a logística da equipe, têm uma cartilha a ser seguida?

B.RVocê só consegue sobreviver do automobilismo hoje no Brasil se você tiver muita paixão mesmo, porque é muito desafiador, existe um monte de problemas do qual você não controla, não é fácil conseguir apoio de empresas. Minha função envolve todos os funcionários, o administrativo, fecho patrocínios, cuido da imagem, tenho que aparecer publicamente, tenho que pensar na logística de transporte, só para a minha equipe são duas carretas com toda aquela linda estrutura de boxes, vai tudo dentro da carreta, fora eventos extras, fora pensar como levar mais de 20 pessoas pelo Brasil afora com alimentação, hospedagem, então é caótico. Com certeza eu só consigo fazer tudo isso porque eu descobri, e descobri mesmo. Eu sempre convivi muito bem com automobilismo, mas foi começando a trabalhar, vi que aquilo era minha paixão. Porque na verdade eu sou formada em veterinária eu sempre achei que ia para um lado e a empresa do meu pai para outro. E quando a vida me levou a isso eu tive que ir na onda e aprender a fazer as coisas, só a paixão mesmo que conseguiu me mover. Agora o jogo de cintura ou você nasce com ele ou fica difícil, porque temos que aprender a trabalhar com as adversidades. Mas eu amo o que eu faço, não tem jeito. Se a gente não enfrenta as adversidades da vida com um sorriso no rosto o mundo fica tão mais difícil, essa história tão bonita que estamos reescrevendo agora, surgiu de uma tragédia, mas eu me apeguei aquilo que meu pai mais me ensinou que foi a paixão que ele me passou, então eu me apeguei a parte boa e eu segui em frente, com isso é muito difícil alguém conseguir fazer eu baixar a minha cabeça e eu tenho muito orgulho daquilo que eu faço.

Caminhão que leva a equipe para as corridas – Foto: Instagram Hot Car

PV – Tem uma publicação em sua rede social que você fala “eu nasci para o automobilismo, vai ser difícil me derrubar” o que você, Bárbara quis dizer com isso?

B.R – É difícil me derrubar, eu me considero uma mulher forte, determinada e quando eu coloco um projeto na minha cabeça vou com ele até o fim. Meus pais sempre me ensinaram que eu podia ser quem eu quisesse ser, tanto que eu me formei em veterinária e me especializei em mexer com gado, eu nunca gostei de coisas delicadas e que fosse de “meninas” sempre trabalhei em curral, um ambiente extremamente machista e me dei bem com isso. Me dei bem porque coloquei isso como um desafio que era o que eu amava e fui lá e fiz. As pessoas sentem sua energia quando você se considera que está no lugar certo. E hoje eu estou em um lugar que considero ser um lugar que para mim é por direito, então as coisas acabam que fluem de uma forma mais natural e o respeito, a admiração e a consideração vem como consequência.

Homenagem feita a Amadeu, pai de Bárbara – Foto: Instagram da Hot Car

É difícil alguém falar que eu, Bárbara não consiga fazer algo se eu acreditar que consigo. Eu sei das minhas dificuldades, meus desafios diários, não sou perfeita busco evoluir cada vez mais, faço diversos cursos de engenharia, telemetria, estou até mesmo tirando CNH para poder dirigir ônibus, para ajudar os meninos da equipe quando precisam levar a van para algum lugar. Uma coisa que marcou muito a minha nova trajetória foi quando o acidente do meu pai aconteceu, a gente teve que tomar decisões muito rápidas porque tem uma questão diversa com contratos, patrocinadores, lógico as pessoas entenderiam, mas não seria justo com os apoiadores que tivemos ao longo do ano. Então respirei fundo, a verdade é que eu não sabia se daria conta de ser uma chefe de equipe sozinha, então eu fui no susto para a primeira etapa, só que lógico eu perdi a pessoa que eu mais amava, na verdade quase perdi as duas pessoas que eu mais amava. Só que eu vi todas aquelas famílias representadas por cada funcionário da Hot Car e vi o esforço de diversos funcionários que estavam no acidente que respiraram fundo e me seguiram e isso me motiva.

Então não importa o que venha a acontecer de ruim, o pior já aconteceu comigo e mesmo assim a vida continuou. Não é um carro quebrando ou uma peça dando defeito que vai me fazer parar, pelo contrário isso só vai me motivar ainda mais a continuar sendo cada vez firme, cada passo que eu dou é para honrar as pessoas que estavam naquele acidente, para honrar meu pai que infelizmente não pôde continuar, a minha mãe guerreira que está se recuperando e já está querendo me seguir nos autódromos. Então é isso, sabe aquela pergunta “o que de pior pode acontecer?” então, o pior já aconteceu então agora é só bênção, só positivo e vamos fazer história.

A equipe do site e da web rádio Planeta Velocidade agradecem demais pela oportunidade de mais um incrível bate papo com você Bárbara, desejamos a você e a equipe Hot Car toda a sorte possível e que tenha muito sucesso em seus projetos. Também, gostaríamos de agradecer a professional Natália Costa por intermediar e tornar possível essa entrevista.

Para quem quiser ouvir na integra a entrevista com a Bárbara Rodrigues só acessar o link abaixo.


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