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PROJEÇÃO F1 2021

1 de março de 2021

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Daniel Mendes

O QUE ESPERAR DOS PILOTOS DAS EQUIPES E DA TEMPORADA

MERCEDES

A Mercedes levou 5 anos para aprender a fórmula da vitória, mas desde que começou a vencer o campeonato em 2014 não sabe o que é perdê-lo. São 7 títulos consecutivos de construtores e de pilotos. Para esta temporada, como não vão acontecer alterações radicais, ela chega mais uma vez como a força a ser batida, e dificilmente será, até porque sua vantagem na temporada passada foi tão grande que muito antes do término da competição a equipe já focava no projeto do carro de 2021. 

A dupla Hamilton e Bottas que está junta desde 2017, se mostra extremamente eficaz e até mesmo conveniente para os planos da equipe de conquistar mais um título de construtores e também de pilotos.

Aqui as ambições me parecem bem diferentes, pois enquanto Lewis Hamilton deve seguir firme para seu oitavo título mundial, Bottas terá um ano de provação já que a dupla de pilotos da Red Bull deve incomodar a gigante alemã muito mais do que nas temporadas anteriores. 

Bottas terá que espantar o azar e justificar que a Mercedes estava certa em apostar nele. A conquista do mundial de construtores depende muito de uma atuação consistente do finlandês.

 RED BULL

A equipe austríaca pode surpreender e tirar o título de construtores da toda poderosa Mercedes, já que fez uma aposta ousada em sua dupla de pilotos. Se Pérez conseguir pegar a mão do carro tão bem quanto Verstappen e se os problemas de confiabilidade não forem tão recorrentes, podemos ter uma surpresa ao final da temporada.

Há muitos rumores sobre a melhora do motor Honda, mas pouco se falou sobre sua durabilidade. Se os fatos se confirmarem, poderemos esperar alguma emoção na pista. 

Quanto aos pilotos, Verstappen já está farto do quase e esse deve ser o seu canto do cisne na Red Bull. Claro que se a equipe lhe entregar um carro a altura de seu talento como piloto ele pode considerar seguir junto com o time, afinal,   caso contrário, os boatos de sua ida para a Mercedes na próxima temporada devem se transformar em anúncio oficial até o fim do ano.

A situação de Sérgio Pérez não é muito diferente. Apesar de carregar consigo um patrocínio pomposo, foi preterido na Aston Martin e acabou achando essa vaga na Red Bull no apagar das luzes. Não há dúvida que o mexicano é um bom piloto, mas em poucas oportunidades teve nas mãos um carro tão bom quando o RB16B. De qualquer modo, se não mostrar serviço nessa temporada deverá ser mais uma vítima da fritadeira do Dr. Helmut Marko.

McLAREN

A equipe inglesa está novamente equipada com os motores Mercedes, retomando uma parceria vencedora que inclusive deu a Lewis Hamilton seu primeiro título mundial. É verdade que os últimos carros não eram tão primorosos quanto aqueles feitos no passado, mas a equipe tem mostrado certa evolução desde que adotou a cor laranja e a sigla MCL para nominar seus modelos. Se os engenheiros fizerem a lição de casa com afinco a McLaren pode ser uma força a brigar pelo terceiro posto do campeonato de construtores e talvez uma quarta ou quinta posição no mundial de pilotos.

Isso porque a dupla Daniel Ricciardo e Lando Norris devem trabalhar em sintonia e contribuir de forma determinante para a evolução do carro ao longo da temporada. Ricciardo, que já estava chutando o balde e falava inclusive em abandonar a F1, ganha novo fôlego com o desafio de conduzir a equipe aos seus dias de glória. 

Norris, por sua vez, tem consciência de que não tardará para que ele comande uma grande equipe na F1, talvez a própria McLaren e brigue pelo título de pilotos já que ninguém questiona sua capacidade para alcançar esse feito.

Se ao final da temporada, as coisas não saírem como planejado, pelo menos eles devem levar o título de dupla mais divertida da categoria.

ASTON MARTIN

A parceria com a Mercedes ficou ainda mais forte nesta temporada já que a empresa alemã é uma das acionistas da Aston Martin. Mas muito antes da F1, essa parceria já existia no fornecimento de powertrains para os carros britânicos. Se a tão temida e comentada Mercedes Rosa da temporada 2020 acabou se mostrando um fiasco, esse ano as coisas podem ser um pouco diferentes, já que o time conta com um dos mais experientes pilotos do grid, além de carregar o nome de uma tradicional marca automobilística.

De fato, se o carro for mais confiável do que o do ano passado Vettel e Stroll podem aspirar uma colocação no top 5 do mundial de pilotos. E não descarto vitórias para a equipe. Sim, vitórias; pois aposto em mais de um triunfo da Aston Martin nesta temporada, principalmente nos circuitos de alta.

Quanto aos pilotos, a mescla da experiência do tetracampeão Sebastian Vettel, que merece deixar a categoria de forma mais digna do que deixou a Ferrari, e a juventude de Lance Stroll que a cada temporada tem evoluído substancialmente pode credenciar a equipe a alcançar uma posição superior a do ano passado. 

Se não houver nenhum problema de relacionamento entre eles, no mundial de pilotos Vettel poderá aspirar um lugar no top 5 da categoria e Stroll poderá ir muito além da discreta 11ª posição conquistada no ano passado. 

ALPINE

A Renault tem paulatinamente substituído o seu nome pela das subsidiárias no motorsport. Primeiro foi na Fórmula E e agora na F1. Na prática, a mudança de nome e cor tem pouca ou nenhuma relevância. Já a reestruturação da cadeia de comando pode ser um grande diferencial para a equipe. A Alpine desaposentou o fantástico Fernando Alonso e trouxe David Brivio da Susuki para chefiar a equipe, duas apostas acertadas em minha opinião. 

A unidade de potência que é o calcanhar de Aquiles do time francês pode ser novamente o fator que impedirá um maior progresso da equipe dentro do campeonato. Isso porque a Renault fechou nova parceria com a preparadora Mecachrome que estava ausente da F1 há alguns anos e por isso não há como prever quais resultados serão apresentados a curto prazo. Já foi especulado, inclusive que Alonso não estará presente na apresentação do carro, que ocorrerá no dia 2 de março. O que quero dizer é que, se bem conheço o espanhol, ele já está extremamente aborrecido, para não dizer outra coisa, com uma série de decisões tomadas pela equipe, o que pode representar um problema gigante para as pretensões da Alpine.

Junto a Alonso, que motivado e com um bom carro nas mãos, pode fazer chover no circo da F1, temos Esteban Ocon, francês que foi preterido pela Mercedes e que encontrou seu lugar ao sol na equipe de seu país. Sua performance em 2020 foi convincente já que pontuou em 10 das 17 corridas da temporada, inclusive com um segundo lugar no GP de Sakir. 

Somando-se as qualidades e possíveis problemas listados acima, a Alpine não deve chegar além da sexta posição no campeonato de construtores, isso porque acredito que haverá muito que evoluir nas primeiras corridas da temporada. Considero a Alpine pode surpreender na temporada 2022, mas esse ano será de aprendizado. 

FERRARI

A equipe de Maranello vem demonstrando desde 2008 como não se deve administrar uma equipe. Nas duas últimas temporadas mostrou toda sua incompetência ao não ser capaz de conter os ânimos de Vettel e Leclerc e assistir passivamente a um festival de trapalhadas dentro e fora das pistas. Para piorar, burlaram as regras da categoria em 2019 e tiveram uma punição extraoficial no ano passado que os impediu de usar a potência total de seus motores. Fato que acabou sendo confirmado por Mika Salo, comissário da FIA que soltou o verbo sem saber que estava sendo gravado.

Mudanças na estrutura de comando, a liberação da potência total dos motores e a chegada de Carlos Sainz devem trazer novos ares à equipe. Resta saber como será o comportamento da dupla de pilotos nas pistas, pois talento ambos têm de sobra. De qualquer modo, sendo bem otimista, não consigo enxergar a Ferrari além da 3ª ou 4ª posição no mundial de construtores, isso porque a própria equipe disse que abandonaria os projetos dos carros de 2020 e 2021 para focar nas novas regras de 2022. É outro time que pode surpreender no ano que vem.

A dupla de pilotos da Ferrari pode ser um sucesso ou um fracasso. Isso vai depender exclusivamente de quem vai fazer a gestão dos egos de Leclerc e Sainz. O monegasco é um talento nato, que quando tiver um carro equilibrado nas mãos será capaz de conduzi-lo às vitórias como já provou em 2019, levando a Ferrari ao lugar mais alto do pódio nas pistas onde ela era capaz de superar as Mercedes (isso claro, abstraindo a questão da infração ao regulamento).

Sainz tem dna de campeão e já demonstrou seu potencial com carros de nível muito inferior ao que vai pilotar nesta temporada. Ele pontuou em todas as temporadas e em praticamente todas elas alcançou uma posição melhor na tabela de pilotos do que no ano anterior (a única exceção foi em 2018). Se seguir essa constância, deve brigar pela quinta posição nesta temporada e seu maior adversário deve ser seu companheiro de equipe.

ALPHA TAURI

A equipe satélite da Red Bull fez uma grande temporada de “estreia” conseguindo inclusive uma vitória através de Pierre Gasly, aquele que foi chutado da equipe principal por falta de performance. Antes da vitória, Gasly já havia dado show no Brasil em 2019 ao vencer a disputa pela segunda posição do GP com ninguém menos que Lewis Hamilton. 

Um fato curioso que merece registro é que a Alpha Tauri não apresentou tantos problemas de confiabilidade quanto sua irmã mais velha, o que se aliado às melhorias projetadas para 2021 podem levar o time a ir além da 7ª posição alcançada no ano passado. Talvez o fato de contar com um estreante em sua dupla de pilotos possa frustrar essa pretensão, mas eu apostaria algumas fichas na equipe.

Sobre os pilotos, não há muito o que comentar sobre Gasly, seu desempenho nos últimos anos foi brilhante, inclusive trazendo uma vitória para equipe em Monza. Espera-se que ele repita a mesma performance no correr desta temporada.

Já Yuki Tsunoda é uma grande incógnita. O japonês mostrou sua qualidade na Formula 2 ao terminar na terceira posição. Além disso é um piloto do programa Red Bull e tem ligações com a Honda desde 2016, fatores que certamente foram determinantes para ocupar uma vaga na equipe satélite da Red Bull. A julgar pelo seu histórico, Tsunoda pode até surpreender, mas pela lógica, deve ficar nas últimas posições da tabela. 

ALFA ROMEO

A Alfa Romeo optou por manter sua dupla de pilotos mesmo com baixo rendimento do ano passado. A equipe pode se beneficiar da maior potência do motor Ferrari, mas a construção do modelo terá influência direta numa melhora para essa temporada. 

Os discursos que vêm do time suíço não são nada animadores. Mesmo com o carro de 2021 já tendo feito sua estreia na pista de Barcelona nas mãos de Kubica, as notícias do treino foram genéricas, sem nenhum indicativo de ganho de performance.

A dupla de pilotos, que conta com Raikkonen e Giovinazzi, já está fazendo hora extra na F1 e acredito que dificilmente seja mantida para 2022. Não há muito o que falar de ambos. Raikkonen, um campeão mundial, perdeu o time de deixar a categoria por cima enquanto ainda pilotava pela Ferrari. Giovinazzi nunca convenceu ninguém, mas deve ter uma força incrível na Ferrari, pois nada além disso explica o fato dele ainda estar na categoria. A melhor posição alcançada por ambos em 2020 foi um 9º lugar e acredito que dificilmente possam alcançar algo muito melhor este ano. 

HAAS

Depois de cansar de dar murro em ponta de faca a Haas resolveu trocar integralmente sua dupla de pilotos para 2021. Na temporada passada a equipe apresentou uma das mais pífias atuações na F1 marcando apenas 3 pontos e ficando com a penúltima posição na tabela de construtores. É certo que assim com a Alfa Romeo, a Haas também sofreu com os motores Ferrari que sabidamente estão melhores neste ano. Só que nem um motor Mercedes seria suficiente para botar a equipe nos trilhos. O departamento de engenharia tem que trabalhar de forma mais eficiente para entregar um carro decente aos seus pilotos. Mas, tal como a Ferrari, a Haas parece mirar a temporada 2022.

Quanto aos pilotos Mick Schumacher tem vínculo com a Ferrari, apresentou uma performance digna de campeão na Fórmula 2 no ano passado e achou uma porta de entrada na F1 onde não vai sofrer tanta pressão quanto sofreria se estivesse em um time de maior porte. Acho que seu desempenho será limitado pelo carro. Somente as corridas vão dizer a que veio o alemão.

Nikita Mazepin é filho de um bilionário russo que veio dar socorro à Haas para viabilizar sua continuidade na categoria. Mazepin é mais conhecido pelas suas atitudes a lá “crazy joe” dentro e fora das pistas do que por sua performance. De todo modo, suas duas vitórias e a quinta posição na Fórmula 2 na temporada passada não é um fato que pode ser desprezado.

WILLIAMS

Chegamos enfim ao último time do grid; e como eu gostaria de me valer da máxima “os últimos serão os primeiros”. Mas infelizmente para a Williams esse não será seu destino em 2021. A equipe sofreu com falta de recursos financeiros e uma gestão ultrapassada para os padrões da F1 moderna e despencou do topo para o fim da tabela de construtores ao longo dos anos.

Mesmo com o motor Mercedes e uma total reestruturação de comando. Mesmo com um talento nato como George Russell em seu staff a chance da equipe ter um salto de desempenho este ano é pouco provável. Eu até aposto que ela deve se posicionar à frente da Haas e da Alfa Romeo, mas isso também vai depender muito do carro que os pilotos comandam. A parceria com a Mercedes pode ter um peso significativo nessa empreitada. A primeira corrida da temporada já nos dirá qual o rumo da tradicional equipe inglesa. 

Um ponto chave para evolução é contar com bons pilotos e pelo menos em George Russell a Williams pode depositar suas fichas. Sua atuação levando o combalido carro da equipe a avançar seguidamente para o Q2 ao longo da temporada de 2019 e 2020, além do show de pilotagem com a Mercedes no GP do Sakir não deixam dúvidas de que Russell poderá ser uma das vítimas da brutal desigualdade entre as equipes da F1. Um potencial campeão que poderá nunca ter a chance de sequer uma vitória.

Nicholas Latifi é um piloto canadense que teve como melhor resultado em sua longa carreira automobilística o vice-campeonato da Fórmula 2 em 2019 pela forte equipe DAMS. Claro que é um excelente resultado que o credenciou para chegar à F1, mas, ainda que estivesse na pior equipe do grid em 2020, Latifi foi extremamente discreto, obtendo como melhor resultado uma 11ª posição. Curiosamente, em corridas pela Williams obteve melhores resultados do que  Russell. Para esta temporada, se mantiver a pegada, poderá levar a Williams a pontuar já nas primeiras corridas.

Fotos Divulgação

Daniel Mendes

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