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Segurança x Beleza: O patinho feio que aos poucos vai se tornando cisne

20 de abril de 2021

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Keko Gomes

Quando o assunto é HALO ou AEROSCREEN, é quase unanimidade dos fãs aquela torcida de nariz e desaprovação sobre a parte estética, em algumas vezes até chegar ao absurdo de falar que “carro de Fórmula tem que ser aberto, quer andar em cockpit fechado corre de turismo”. A desaprovação estética acontece e, como toda a mudança, custa um tempo até se acostumar com eles, mas a verdade é que ambos vieram para ficar.

Os dois equipamentos têm grandes diferenças em seu projeto: enquanto um é semiaberto (HALO), o outro é completamente fechado estilo para-brisa (AEROSCREEN), porém a finalidade de ambos é a mesma, SALVAR VIDAS. E isso foi provado mais de uma vez que eles cumprem seu papel com êxito.

Acidentes fatais

Pilotos de corrida sempre vão estar suscetíveis a lesões, por isso a evolução na segurança de um carro de corrida nunca pode parar. Acidentes fatais com pilotos de carros de Fórmula sendo atingidos por detritos, de fato, não era algo rotineiro a acontecer, mas existem alguns casos ao longo dos anos. Em 1977, o piloto Tom Pryce morreu instantaneamente após atropelar um fiscal que cruzava a pista com um extintor de incêndio que atingiu a cabeça do piloto. Outro caso foi o de Henry Surtees, que morreu em Brands Hatch no ano de 2009 após atingir um pneu que havia se soltado em um acidente.

Sustos com brasileiros

Os brasileiros também já passaram por sustos como esses, felizmente nenhum deles fatal: Cristiano Da Matta atropelou um cervo enquanto fazia um teste particular pela Champ Car em 2006, e ficou internado alguns meses em coma. E não tem como esquecer Felipe Massa na classificação para o GP da Hungria de 2009, mesmo ano da morte de Henry Surtees na Fórmula 2.

O porque do Halo ou Aeroscreen

Recentemente, tivemos dois casos que abriram os olhos das entidades desportivas para esse risco que é a exposição da cabeça do piloto. Jules Bianchi no GP do Japão de 2014 acabou batendo em um trator de resgate e faleceu meses depois e Justin Wilson, na Fórmula Indy, durante o GP de Pocono em 2015, que acertou uma peça que se soltou em um acidente que ocorreu à frente dele e veio a falecer pouco tempo depois.

No caso de Jules, existe a controvérsia sobre o Halo funcionar ou não. A fabricante afirma que o dispositivo suporta até 12 toneladas de pressão, o equivalente a um ônibus de 2 andares.

O Halo se mostrou eficiente já em seu ano de estreia, no GP da Bélgica em 2018, livrando Charles Leclerc de ser acertado em cheio na cabeça pela roda da McLaren de Fernando Alonso. Ali a peça se mostrou fundamental, mesmo que, de fato, não ser um acidente fatal, mas evitou algo muito mais grave. Já no final de 2020 sim, ali a peça evitou uma tragédia, que seria semelhante à que aconteceu em Watkins Glen em 1973 com Francois Cevert, que foi decapitado pela lâmina do guard-rail. A diferença que em 2020 existia o Halo quando o carro de Romain Grosjean atravessou a barreira, o dispositivo de segurança abriu caminho para a passagem da cabeça do piloto.

Aeroscreen salvando na IndyCar

E recentemente, na Fórmula Indy, o Aeroscreen foi posto à prova. No último fim de semana aconteceu o GP do Alabama e, logo na primeira volta, ocorreu um grande acidente. Entre os envolvidos estavam Josef Newgarden e Ryan Hunter-Reay. Newgardem acabou rodando e sendo acertado por Hunter-Reay.

Ontem Ryan postou em uma de suas redes sociais as imagens da câmera on board no momento do acidente, que mostram nitidamente a roda de Newgarden vindo em direção a sua cabeça, porém foi desviada pelo aeroscreen. O piloto ainda usa a legenda “azarado ou sortudo? Diria que sou extremamente sortudo por ter o aeroscreen na Indy”.

Tanto o Halo quanto o Aeroscreen são realmente “estranhos”, eu mesmo ainda não me acostumei com nenhum dos dois. Mas uma coisa é inegável: se for para salvar vidas, ambos são mais que bem vindos.

Os dois são dispositivos relativamente novos, então com calma seus projetos podem ser sim melhorados, esteticamente falando. Mas se não tiver como melhorar a estética, não tem problema, afinal carro de corrida que anda a mais de 350km/h tem que ser seguro e não bonito.

Keko Gomes

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