INDYCAR – “Monstrinho” Dixon domina retorno da Indy no Texas. Kanaan ainda em forma chega em 10°

7 de junho de 2020

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Francisco Brasil

O oval do Texas teve a missão de abrir, finalmente, a temporada 2020 da Indy, paralisada às pressas por conta da pandemia mundial.

Photo by Chris Owens

Num sábado corrido, com um treino de 90 minutos, classificação e corrida, o GP do Texas exigia cuidados adicionais.

Classificatório com problemas

Scott Dixon já se mostrava combativo nos treinos, mas o atual campeão Joseph Newgarden da Penske foi o mais rápido e saiu na pole, com o piloto do #9 ao seu lado.

O Qualy foi marcado pelo forte acidente de Takuma Sato, que destruiu o carro. A equipes Rahal não consertou a tempo e o japonês ficou de fora

Tony Kanaan mostrou mais uma vez que ainda tem lenha pra queimar em sua última temporada. Correndo só em ovais esse ano, o brasileiro marcou o 10° tempo.

Mais problemas antes da largada

Com tudo pronto para o início da prova, os carros de Alexander Rossi e Ryan Hunter-Reay, ambos da Andretti, tiveram problemas ainda nos Boxes. Além deles, Graham Rahal – companheiro de Sato – também encontrou dificuldades.

Enquanto os demais pilotos faziam as voltas de apresentação, os três citados corriam contra o tempo.

Mas isso não queria dizer que quem foi a pista estava livre, pois a falta de treinos e a paralisação das atividades fez com que a Firestone não tivesse pneus desenvolvidos para a etapa do Texas, sugerindo que os carros não dessem mais que 35 voltas por jogo.

Largada no Texas

Os carros finalmente partem para as 200 voltas no oval de 1,5 milha. Newgarden se mantém na ponta, com Dixon sempre próximo. Mais atrás e com voltas de diferença, Rahal, Rossi e Hunter-Reay ainda foram obrigados a cumprir punição nos Boxes por não alinharem na largada.

Newgarden encosta em Jack Harvey na volta 25, o primeiro retardatário. Por conta da desconfiança com os pneus e a sujeira na pista, o piloto da Penske encontrou dificuldades para passar de forma segura, o que fez Dixon colar.

Com 32 voltas, Dixon resolve arriscar e assume a ponta, abrindo larga vantagem. No giro 34, Newgarden vai para os pits, com Dixon indo na volta seguinte abrindo a janela de paradas.

Durante as paradas, Tony Kanaan que estava consistente no top 10 teve problemas em sua parada, caindo para 17°.

Sujeira e PJ1 causam acidente

O PJ1 é um produto utilizado para mais aderência e foi aplicado para a prova da NASCAR no oval do Texas. Como foi limpo, nessa prova acabou surtindo efeito contrário, o que ocasionou o acidente de Sato no qualy.

E foi na volta 38 o PJ1 fez uma nova vítima: Rinus Veekay escorrega e gira para dentro da pista, acertando o outro estreante da McLaren Alex Palou, que saia dos Boxes, causando a primeira bandeira amarela da prova.

A relargada acontece na volta 47 com Dixon dominante. Enquanto isso, Rossi Pisa no PJ1 e quase para no muro, mas controla bem o carro.

Lá na frente Dixon já abre mais de 2 segundos, e Pagenaud aperta Newgarden pelo segundo lugar.

Ganassi mostra força

Volta 64, Scott Dixon já abria mais de 5 segundos, enquanto seu companheiro Felix Rosenqvist já encostava na dupla da Penske para brigar pelo segundo lugar. Rosenqvist conquista o segundo posto já na volta 75.

No giro seguinte surge uma bandeira amarela por detritos, bem no momento que o limite de 35 voltas do jogo de pneus é atingido e nenhum piloto fez a parada.

Os pilotos vão para os pits e Newgarden volta na ponta, seguido por Rosenqvist e Dixon. Mas a parada não foi tranquila para Will Power. O piloto da Penske teve problemas com o pneu traseiro direito, que soltou quando o carro foi colocado no chão.

A verde retorna na volta 87, com Dixon conseguindo retornar á liderança logo na sequência. Rosenqvist também consegue passar Newgarden para assumir o segundo posto.

Calmaria para Ganassi, sufoco para Penske

As voltas vão aumentando, assim como a vantagem da dupla da Ganassi para o restante do pelotão. Na sequência, Newgarden e Pagenaud começam a perder terreno para os concorrentes.

Já na volta 121 Newgarden procura os pits para sua troca de pneus e reabastecimento. Dixon vai no giro seguinte, assim como Pagenaud que quase se enrosca com outro carro na saída.

Após o ciclo, Dixon e Rosenqvist continuam sobrando, enquanto Zach Veach e Charlie Kimball ultrapassam Newgarden.

Rosenqvist resolve apertar o ritmo, enquanto Dixon procura poupar. Isso faz a diferença entre os dois que estava na casa dos 8 segundos cair para pouco menos de 2.

No giro 153, Colton Herta abre novo ciclo de paradas junto a Newgarden, com Dixon entrando na volta 156 e Rosenqvist logo depois.

Na volta 159 Santino Ferrucci da Dale Coyne tem um problema semelhante ao de Power, com seu carro caindo ao chão sem pneu. Mas os danos foram mais graves e o piloto abandonou.

Final inesperado para a Ganassi

Com168 voltas completadas, a dupla Dixon-Rosenqvist já abre 13 segundos de Newgarden, que se sustenta em terceiro.

Faltando 19 voltas para a quadriculada, Newgarden abre a última rodada de paradas, com Pagenaud fazendo o mesmo dois giros depois.

Felix Rosenqvist para na volta 185, enquanto Dixon procura a troca no giro 188. Só que na volta 190 acontece algo inesperado: Rosenqvist tenta passar Hinchcliffe, que era retardatário, por fora e acaba estampando o muro. E para piorar a situação da Ganassi que estava com a corrida na mão, uma sobra do acidente atingiu o terceiro carro da equipe guiado por Marcus Ericsson, que se arrastou aos boxes durante a amarela.

Com apenas 3 voltas para terminar, a bandeira verde volta a ser agitada, mas Dixon tem boa vantagem para Pagenaud que herdou o segundo lugar. E no último giro foi a vez de Kimball escorregar no PJ1 e estampar o muro interno.

Mesmo assim Scott Dixon, o Monstrinho pentacampeão da categoria, vence no oval do Texas, com Pagenaud, Newgarden, Veach e Ed Carpenter completando o top 5.

Tony Kanaan soube se recuperar dos problemas da equipe e fechou no décimo lugar, logo a frente de Kimball que terminou em 11°, apesar da batida.

Opinião Francisco Brasil

Apesar dos problemas com pneus e o PJ 1 que atrapalharam a dinâmica da prova, Dixon fez um show a parte. A dominância do veterano em condições adversas mostra como ele é diferenciado.

Quem também ainda mostra toda a sua competência é Tony Kanaan. Apesar de estar com um chassi antigo, numa equipe que ainda encontra problemas apesar da nova reestruturação. É triste saber que o brasileiro só correrá nos ovais e este é seu último ano. Só posso dizer: obrigado Tony.

Por fim, como ficaram bonitos os carros com o Aeroscreen. No vídeo é mais agradável que o halo, e nos incidentes que aconteceram no sábado, não atrapalharam a saída dos pilotos dos carros. Agora é evoluir cada vez mais.

Opinião Alex Leonello

Mais uma das grandes categorias do automobilismo norte americano voltou às pistas, matando nossa saudade de acompanhar uma categoria de fórmula, e com a presença de um piloto brasileiro, o baiano Tony Kanaan.

Com carros um tanto quanto diferentes, que estrearam com os aeroscreens (“para-brisas” alongados), por questão de segurança, acredito que a categoria conseguiu um efeito estético melhor que o da simples colocação de um halo.

Confesso que a notícia de que o retorno da categoria no velocíssimo oval do Texas causou certa perplexidade, principalmente depois de tanto tempo sem competições (cerca de oito meses), com pouquíssima possibilidade de treinos, com o novo acessório de segurança acima descrito e, ainda, uma limitação de voltas sugeridas pela fabricante de pneus.

Mas o que se viu foi uma prova rápida, porém pouco movimentada devido a grande dificuldade de ultrapassagem enfrentada pelos pilotos, inclusive sobre os retardatários.

Mesmo com estas dificuldades, aproveitando-se de sua grande capacidade e experiência de um pentacampeão, Scott Dixon não deu chances aos demais e venceu a prova, saindo, mais uma vez, na frente no campeonato e levando sua equipe, a Chip Ganassi, ao victory lane.

Prova importante, de reconhecimento e de retomada da normalidade, na medida do possível, mas que deve ser repensada para trazer mais competição e emoção aos fãs.

Opinião Marcos Amaral

Finalmente, vimos os novos carros da Indy. Ficaram muito bonitos e o Aero Screen deu uma ar de imponência, um caça da Força Aérea.

A corrida foi um pouco prejudicada pela pista do Texas, com a raspagem no asfalto, os pilotos não estavam subindo nas curvas e não pode ser proporcionado o 3Wide, que na Indy é belíssimo ver esses carros lado a lado.

E mais uma vez Scott Dixon mostrou como é ganhar uma corrida. No início foi mais comedido, até que viu a chance e foi para cima de Newgarden e dominou a prova. Podemos dizer que a Penske tem um problema, que ao chegar próximo do fim do Stint, o carro perde muita performance, mas nada que isso não possa ser corrigido, afinal tante Newgarden como a Penske são os atuais campeões.

E não esqueçam, dia 04/07 teremos o GP de Indianápolis no circuito misto, correndo em parceria com a NASCAR. E o Planeta Velocidade traz tudo pra você.

Francisco Brasil

Francisco Brasil

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