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VOCÊ SABE O QUE É O COMBUSTÍVEL SINTÉTICO?

28 de fevereiro de 2021

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Marcio de Luca

Bem falado nos últimos tempos, mas pouco explicado, os combustíveis sintéticos podem ser a tábua de salvação dos automóveis e sobretudo do automobilismo como conhecemos hoje, afinal, os carros continuarão recebendo um líquido mágico em seus tanques de combustíveis e terão ainda seus sonoros motores barulhentos, fazendo estremecer tudo o que estiver por perto quando passarem.

Mas você sabe o que está por trás dessa nova tecnologia?

Então vamos lá!

O combustível sintético é produzido através de reações químicas nas cadeias de carbono, onde este que é um dos vilões da poluição mundial, já que as reações químicas, sobretudo as que acontecem nos motores a combustão, geram mais carbono para o meio ambiente e isto acaba por deixar a atmosfera menos pura, já que o ar aos poucos vai sendo substituído pelo carbono e sua derivações monóxido e dióxido de carbono.

Chamado de eFuel, este novo combustível gera uma queima limpa, uma vez que ele é criado através da formação de cadeias de hidrocarbonetos, porém como resultado da reação do hidrogênio que é retirado da água e do carbono retirado da atmosfera. A gasolina que conhecemos e utilizamos hoje também é um hidrocarboneto, porém ele é obtido através de fósseis que foram depositados na terra ou no fundo do mar a milhões de anos atrás.

Mas porque ele é considerado limpo? Porque a reação resultante após a queima do combustível dentro do motor do automóvel não irá gerar uma quantidade a mais de carbono, mas sim devolverá para a natureza aquilo que havia sido retirado dela mesma.

Porém, apesar de ser limpo e resultado de “mistura” entre dois elementos que ainda temos em abundância na natureza, o eFuel precisa de um processamento muito alto, que demanda um alto consumo de energia elétrica, o que o torna além de difícil obtenção, caro.

Para fazer sentido a criação de um combustível limpo, não está em voga o uso tradicional de geração de energia elétrica, então a solução encontrada pelos desenvolvedores deste novo combustível, foi criar fazendas de geração de energia, seja eólica, seja solar e junto a estas, montar as plantas que de processamento e produção do novo combustível.

Quem está em estágio mais avançado deste novo propelente é a alemã Porsche, que junto a também alemã Siemens, a chinesa AME, a italiana Enel e a chilena ENAP, juntamente com a norte-americana ExxonMobil, recentemente convidada para o consórcio, estão desenvolvendo com apoio do governo alemão a nova tecnologia, onde a primeira usina de produção será no Chile, na cidade de Magalhães, ao sul do país andino.

A Porsche, que será a primeira cliente deste consórcio, planeja utilizar o novo combustível misturando-o com gasolina comum, numa relação de 50/50, porém apenas em corridas e em eventos da empresa.

A planta chilena deverá entrar em atividade em meados de 2022 e terá capacidade inicial de produzir 130 milhões de litros/ano do novo combustível, chegando a 2026 com uma produção estimada de 550 milhões de litros ao ano. Apenas como efeito de comparação, em um único dia a Petrobras produz cerca de 3,21 milhões de barris de petróleo equivalente ao dia, o que em termos de litros, são nada menos que 518,46 milhões de litros de óleo bruto – cada barril de petróleo tem cerca de 158,9722 litros.

Claro que todo esse mar de petróleo extraído por dia não virá gasolina por completo, mas imagine que somando as demais petroleiras do mundo, após refinado, apenas em um único dia, temos mais que a produção do novo combustível para todo o ano de 2026.

Ou seja, mesmo sendo uma grande solução para a manutenção dos motores a combustão, o que podemos ver é que não teremos o eFuel para todo mundo e sendo assim, para os que achavam que havia uma alternativa para a eletrificação dos carros como luz no final do túnel, esta não será para todos. Pelo menos não inicialmente.

Mas, já temos mais uma matriz energética para os carros do futuro e isto por si só já é um grande alento, afinal, sabe que um dia o ronco dos motores poderia acabar, é muito triste de ser pensado.

Fotos Divulgação

Marcio de Luca

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